Verstappen faz as pazes com Baku e vence GP do Azerbaijão. Leclerc quebra de novo

O começo da corrida foi de Sergio Pérez, um pedaço de miolo este nas mãos de Charles Leclerc, mas quem venceu o GP do Azerbaijão foi Max Verstappen

FÓRMULA 1 2022: TUDO SOBRE O GP DO AZERBAIJÃO | Briefing

Numa tarde quente no horário local de Baku, neste domingo (12), a Fórmula 1 foi para a pista para realizar o GP do Azerbaijão de 2022. A oitava corrida da temporada 2022 prometeu um jogo de estratégias e ultrapassagens depois das primeiras voltas, mas terminou sendo um tango dos mais tristes da Ferrari. Bom, de novo, para a Red Bull, que viu a rival sequer se aproximar da metade da distância da corrida e venceu sem nenhuma ameaça. Melhor para Max Verstappen, que volta a vencer após o revés de Mônaco.

▶️ Inscreva-se nos dois canais do GRANDE PRÊMIO no YouTube: GP | GP2
▶️ Conheça o canal do GRANDE PRÊMIO na Twitch clicando aqui!

Relacionadas


Foi mais que apenas uma vitória: um acerto de contas. Verstappen tinha a corrida de 2021 nas mãos em Baku quando, de maneira dramática, viu o pneu estourar a poucas voltas do fim e abandonou. A cena de Verstappen chutando o pneu furado, ainda na pista e todo vestido, capacete e tudo, é emblemática. O campeão vigente avisou que tinha negócios inacabados com a cidade. Agora, não tem mais.

Sergio Pérez terminou em segundo, mas foi ele quem começou a mudar o destino da corrida quando largou de maneira perfeita e tomou a liderança na primeira curva. Era o melhor dos mundos: Pérez na frente de um Charles Leclerc que, ligeiramente mais lento, segurava Verstappen. Aí, a Ferrari começou o dia de desgraça coletiva. Com oito voltas, Carlos Sainz teve problemas eletrônicos e parou o carro na pista. Fim de corrida para ele.

Mas tinha Leclerc. O outro lado da garagem agiu rápido sob condições de safety-car virtual e chamou o monegasco para trocar pneus e colocar um jogo de duros, algo que a Red Bull não fez, fazendo os dois permanecerem com pneus médios já gastos. Leclerc voltou para a pista tirando vantagem e com o controle tático da prova. Foi a Red Bull, então, quem agiu: mandou Pérez dar passagem a Verstappen, uma vez que o holandês era muito mais rápido e ficava preso atrás do mexicano. Talvez pareça um jogo de equipe rasteiro, mas era absolutamente necessário para diminuir os danos causados pelo pit-stop grátis de Leclerc.

Depois que Verstappen e Pérez pararam nos boxes, Leclerc retomou a liderança e passava a ter a corrida nas mãos. Até não ter mais. Na 21ª de 51 voltas, o motor Ferrari explodiu. De novo. Leclerc estava fora da prova e a Red Bull tinha mais uma prova nas mãos para não desperdiçar.

Não desperdiçou. Já com a liderança, Verstappen sumiu de mapa de tal maneira que a Red Bull teve de mandar diminuir o ritmo em duas oportunidades para não correr riscos de repetir ano passado. Vitória do líder do campeonato, a quinta de 2022. Pérez e George Russell fecharam o pódio.

Lewis Hamilton, Pierre Gasly, Sebastian Vettel, Fernando Alonso, Daniel Ricciardo, Lando Norris e Esteban Ocon finalizaram o top-10. Pérez fez a melhor volta da corrida.

A Fórmula 1 volta já na semana que vem, entre os dias 17 e 19 de junho, em Montreal, com o GP do Canadá.

Max Verstappen fez as pazes com o GP do Azerbaijão (Foto: Red Bull Content Pool)
Paddockast #151: Pérez fica! E Ricciardo? Gasly vai? O mercado de pilotos da F1 2023

Confira como foi o GP do Azerbaijão:

Um dia de bastante calor na capital do Azerbaijão. Com a temperatura ambiente batendo nos 30°C, o asfalto da pista se aproximava dos 50°C no momento da largada, às 16h locais [8h de Brasília, GMT-3]. O grid de largada era aquele mesmo exatamente conforme construído na classificação do sábado. Charles Leclerc largava na pole e tinha o desafio de segurar Sergio Pérez e Max Verstappen, principais rivais na luta pelo título.

O objetivo de Carlos Sainz era mostrar que estava vivo para fazer parte deste duelo, mas saía em quarto. Atrás, George Russell corria para manter o 100% de top-5 na temporada, ao passo que Pierre Gasly era o sexto e tinha o desafio de segurar Lewis Hamilton. Yuki Tsunoda era o oitavo, com os veteranos Sebastian Vettel e Fernando Alonso a reboque. A McLaren posicionava os dois carros na sequência.

E a largada foi um retrato do momento fabuloso que vive Pérez. O tempo de reação do mexicano foi assustadoramente positivo, colocou o carro por dentro na longa reta e estava como dono daquela linha na hora de contornar a primeira curva. Leclerc tentou reagir, mas não tinha como bloquear Checo, que tomou a dianteira. Verstappen tentou vir junto, mas não passou.

A única outra mudança de posição entre os dez primeiros na largada foi Vettel tomando a oitava colocação de Tsunoda. Enquanto isso, a primeira punição da corrida já surgia: Nicholas Latifi recebeu um stop&go de 10s por conta de um mecânico ter empurrado o carro 15s antes do sinal de início da volta de aquecimento. Punição rara e um tanto quanto bizarra.

Carlos Sainz abandonou a corrida logo no começo (Foto: Reprodução/F1)

Pérez abria vantagem para Leclerc na frente e conseguia colocar 2s após as primeiras voltas, importante já que Verstappen continuava atrás de Charles. Hamilton rondava Gasly um pouco atrás, ainda sem ser efetivo, e quem ultrapassava de volta era Kevin Magnussen, empurrando Valtteri Bottas para trás ao tomar o 15º posto. Uma questão também na McLaren, porque Daniel Ricciardo estava grudado na traseira de Lando Norris e avisava que “se esse aí é o melhor ritmo dele, eu tenho mais”.

Mas a corrida encontrava a primeira pedra no caminho na volta oito. E era um baita dum pedregulho: Sainz apareceu parado na área de escape da curva quatro e avisou que alguma coisa falhara. De fato, a imagem do momento deixou no ar um barulho esquisito no carro vermelho. VCS acionado e drama para o espanhol, que abandonava a corrida mais uma vez no ano. Agora, segundo a Ferrari, por um defeito eletrônico.

A Ferrari aproveitou o momento de desgraça com o outro carro. Leclerc furou as duas Red Bull e foi aos boxes para colocar pneus duros no lugar dos médios com os quais havia largado. Pérez e Verstappen ficaram na pista com os médios. Espantado, o holandês questionou a equipe. “Ele teve um pit-stop grátis?”. A resposta era que sim. Leclerc caiu para terceiro, mas ficou com uma parada realizada e somente 13s atrás de Pérez.

Sergio Pérez mergulha e assume a liderança na largada do GP do Azerbaijão (Foto: Red Bull Content Pool)

Não foi só ele. Russell, Gasly, Hamilton, Tsunoda, Vettel, Guanyu Zhou, Magnussen e Alexander Albon também pararam para colocar pneus duros. Latifi, por conta da punição, tinha trocado um jogo de médios por outros, enquanto Mick Schumacher fez o caminho inverso e trocou duros por médios.

A corrida voltou a ser observar Leclerc, que voltou a ter certo controle. Rapidamente, a diferença de 13s caiu para 12s, 11s e 10s. A Red Bull precisava agir. Verstappen era mais rápido na pista e começava a ficar contido atrás de Pérez. Então, a ordem: é para trocar. É normal que haja dúvidas sobre o jogo de equipes, mas, neste caso, era uma decisão que precisava ser feita sem olhar para trás. Se Leclerc continuasse a se aproximar, a vitória escaparia das mãos.

Pouco antes da ultrapassagem de Verstappen, Vettel passou direto na curva três após quase acertar a traseira de Tsunoda. Conseguiu reagir rápido e foi capaz de evitar contato, mas perdeu tempo.

Pérez foi chamado no fim da 16ª de 51 voltas para trocar os pneus médios por um jogo de duros. O pit-stop foi lento e fez o mexicano ser devolvido à corrida com Russell grudado na traseira para incomodar com pneus aquecidos. Leclerc, por sua vez, continuava a se aproximar de Verstappen: estava a menos de 7s5.

Gasly conseguira deixar Ocon para trás e obrigou Hamilton a perder tempo com o carro da Alpine antes de voltar a incomodá-lo. Demorou um pouco, mas Lewis também ultrapassou e voltou à traseira de Pierre.

Charles Leclerc abandona em Baku (Foto: Reprodução/F1)

A próxima parada de um dos ponteiros era de Verstappen, no fim da volta 18. Pit-stop limpo e rápido que dava a Leclerc a liderança da corrida por 13s.

Leclerc passava a ter o controle da prova enquanto a janela descoordenada de pit-stops seguia mais para trás no pelotão, mas duraria bem pouco. Quando tudo parecia dominado pela Ferrari, o motor voltou a decepcionar. O piloto do carro #16 apontou na imagem com a fumaça saindo da traseira e um tom desesperado no rádio avisando que algo estava falhando. Não havia mais o que fazer. Pela terceira vez nas últimas três corridas, um problema ou erro da Ferrari tirou Leclerc da liderança de uma corrida que tinha sob controle.

A partir disso, a tensão se esvaiu. Já não havia batalha pela vitória, porque Verstappen abria de Pérez e quem aparecia em terceiro, Russell, não tinha carro para incomodar os rubro-taurinos.

Momento bem distinto para os dois pilotos asiáticos na corrida. Enquanto Tsunoda ia para dentro e fazia bela ultrapassagem para cima de Ocon, Zhou, que estava em fim de semana positivo na temporada, teve problema de motor e precisou parar. Três abandonos, todos eles de carros empurrados pela Ferrari. “Está de brincadeira? De novo, não!”, lamentava o novato no rádio da Alfa Romeo.

O próximo a encostar na traseira de Ocon era Vettel, que quase bateu na primeira tentativa, mas depois passou. A Alpine levava a melhor quando Alonso atacou Magnussen pelo que era, então, o décimo lugar. As ultrapassagens seguiam: Hamilton repetia o que Gasly fizera e passava Ricciardo. O heptacampeão tomou o rádio da Mercedes para avisar que estava com muita dor nas costas por conta dos quiques.

Verstappen continuava a construir mais e mais frente na liderança, até que seu engenheiro de corridas, Gianpiero Lambiase, mandou que diminuísse um pouco o ritmo. O motivo? “Você sabe bem como é liderar uma corrida por aqui”, afirmou, lembrando do ano passado com estouro de pneus. A Red Bull sugeria voo de cruzeiro para o #1.

Max Verstappen teve a permissão para passar Sergio Pérez (Foto: Red Bull Content Pool)

Pouco depois ser avisado para se adiantar e atacar Ocon, Magnussen foi o próximo a ter problemas. A impressão também era de dificuldades no motor e, detalhe bastante importante, o quarto abandono da corrida era do quarto piloto empurrado pelo motor Ferrari em apuros. Situação dramática da unidade de força italiana.

O novo VSC deu chance da Red Bull chamar Verstappen e Pérez para uma nova troca de pneus, assim como a Mercedes fez com Russell e Hamilton. A AlphaTauri manteve seus pilotos na pista e conseguir fazer Yuki passar Lewis, mas Hamilton agiu rápido e recuperou imediatamente o quinto lugar. Naquele momento, com 35 voltas, Verstappen tinha Pérez, Russell, Gasly, Hamilton, Tsunoda, Vettel, Alonso, Ricciardo e Norris no top-10.

Tsunoda tinha mais com o que se preocupar: havia uma quebra na asa dianteira. Quando abria a asa móvel nas retas, apenas um pedaço se movia. A FIA mandou o recado de bandeira preta e laranja para que entrasse no pit-lane para reparar aquilo. Parecia que era algo quase irreparável e terminaria com a corrida do japonês, mas a AlphaTauri resolveu tentar construir um helicóptero com um chiclete mascado e dois lápis.

Não exatamente isso, mas parecido. Com uma serra pequena e uma fita adesiva, mexeu na asa e mandou Yuki para a pista ainda que a asa continuasse quebrada. Avisou no rádio para que o piloto nem passasse perto do acionamento de asa móvel dali até o fim da prova.

Lewis Hamilton conseguiu passar Pierre Gasly desta vez (Foto: Mercedes)

A Red Bull voltava a avisar a Verstappen, agora 17s na frente de Pérez, que era para diminuir o ritmo e evitar a asa móvel. Levar o carro para casa, pois.

Finalmente, Hamilton conseguiu chegar e atacar Gasly na volta 43. Enfim, a Mercedes ocupava as posições três e quatro, enquanto Gasly era o quinto. Ricciardo se aproximava de Alonso para o sétimo lugar, mas não conseguia atacar e, por isso, a McLaren mandou Norris, que vinha atrás, dar um corre e apressar o companheiro. A McLaren mandava o recado: ia mandar Norris passar se Ricciardo não conseguisse atacar Alonso.

Latifi estava mais de 35s na última colocação e mesmo assim recebeu 5s de punição por ignorar bandeiras azuis. Ficou até difícil de saber em qual momento. Mesmo assim, o canadense ganhava uma posição! Era a de Lance Stroll, que recebia a ordem de levar o carro para os boxes e abandonar por conta de “oscilações estranhas” no carro verde.

E foi isso. Vitória de Verstappen e pódio para Pérez e Russell, enquanto Hamilton, Gasly, Vettel, Alonso, Ricciardo, Norris e Ocon pontuaram.

F1 2022, GP do Azerbaijão, Baku, resultado final:

1M VERSTAPPENRed Bull RBPT51 voltas 
2S PÉREZRed Bull RBPT+20.823 
3G RUSSELLMercedes+45.995 
4L HAMILTONMercedes+1:11.679 
5P GASLYAlphaTauri RBPT+1:17.299 
6S VETTELAston Martin Mercedes+1:24.099 
7F ALONSOAlpine+1:28.596 
8D RICCIARDOMcLaren Mercedes+1:32.207 
9L NORRISMcLaren Mercedes+1:32.556 
10E OCONAlpine+1:48.184 
11V BOTTASAlfa Romeo Ferrari+ 1 volta 
12A ALBONWilliams Mercedes+ 1 volta 
13Y TSUNODAAlphaTauri RBPT+ 1 volta 
14M SCHUMACHERHaas Ferrari+ 1 volta 
15N LATIFIWilliams Mercedes+ 1 volta 
16L STROLLAston Martin Mercedes NC
 K MAGNUSSENHaas Ferrari NC
 G ZHOUAlfa Romeo Ferrari NC
 C LECLERCFerrari NC
 C SAINZFerrari NC
      
VMRS PÉREZRed Bull1:46.046 
FÓRMULA 1: CHANCES IGUAIS PARA PÉREZ E VERSTAPPEN NA RED BULL: DÁ PARA ACREDITAR?
Chamada Chefão GP Chamada Chefão GP 🏁 O GRANDE PRÊMIO agora está no Comunidades WhatsApp. Clique aqui para participar e receber as notícias da Fórmula 1 direto no seu celular! Acesse as versões em espanhol e português-PT do GRANDE PRÊMIO, além dos parceiros Nosso Palestra e Teleguiado.