Verstappen troca socos com Leclerc, leva a melhor e vence GP da Arábia Saudita de F1

O duelo entre Max Verstappen e Charles Leclerc nas últimas voltas foi o ponto alto da temporada 2022 até agora. Quem levou a melhor e venceu em Jedá foi o holandês

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Cenário de ataques no fim de semana e dona de pista bastante perigosa para a Fórmula 1, Jedá de fato foi praça da da segunda corrida do Mundial na temporada 2022. Neste domingo (27) em que Mick Schumacher e Yuki Tsunoda sequer largaram, um pelo acidente de ontem e outro com problemas antes de alinhar no grid, a prova teve safety-car, conforme esperado, e foi um desafio para a estratégia. Em meio a tudo isso, quem levou a melhor foi Max Verstappen após uma briga espetacular contra Charles Leclerc. É a primeira vitória do atual campeão no campeonato deste ano.

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A história da corrida começou a mudar na 15ª volta, bem na abertura da janela de pit-stop. O pole e líder Sergio Pérez controlava a corrida sem problemas até aquele ponto e foi chamado para trocar os pneus médios com os quais tinha largada para os duros. Quando fazia a volta seguinte, pois, o azar: Nicholas Latifi bateu sozinho e, com a Williams na pista, o safety-car foi acionado. Os três primeiros colocados pararam só depois da entrada do carro de segurança e passaram Pérez, que não tinha o que fazer.

Entre as voltas 35 e 37, a loucura generalizada se instalou. Em curto espaço de tempo, Fernando Alonso e Daniel Ricciardo ficaram sem potência no carro e, na tentativa de levar os carros aos boxes, pararam na entrada do pit-lane. Valtteri Bottas teve problemas no mesmo momento, mas conseguiu abandonar em segurança. Desta vez, porém, a direção de prova acionou somente um VSC em vez do safety-car.

Com a relargada após nove voltas do fim, Verstappen e Leclerc começaram a trocar posição como aconteceu em Bahrein. Por duas vezes, Verstappen colocou a Red Bull na frente e Leclerc imediatamente pôs a Ferrari na frente de volta. Na terceira tentativa, a quatro voltas do fim, Verstappen escapou. Leclerc tentava se recuperar na antepenúltima volta, mas apareceu bandeira amarela após toque de Alex Albon e Lance Stroll. Ainda tinha duas voltas. Não daria. Verstappen segurou e venceu.

Leclerc e Sainz completaram o pódio, enquanto Pérez, George Russell, Esteban Ocon, Lando Norris, Pierre Gasly, Kevin Magnussen e Lewis Hamilton fecharam a zona de pontuação. A volta mais rápida coube a Leclerc, que volta a somar o ponto extra.

A Fórmula 1 retorna em duas semanas, entre os dias 8-10 de abril, com o GP da Austrália, em Melbourne. Será a primeira corrida na madrugada brasileira desde a temporada 2019.

Max Verstappen venceu a primeira do ano (Foto: Red Bull Content Pool)
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Confira como foi o GP da Arábia Saudita:

Antes mesmo da largada, o grid para o GP saudita já estava encurtado. Yuki Tsunoda, que abandonou a classificação de ontem com problema no motor Honda ainda no Q1 e sem dar volta rápida, tentava colocar o carro na marca da reta de largada quando voltou a sofrer. O carro #22 parou, Tsunoda saiu, olhou e viu que não tinha o que fazer. Fim de corrida antes mesmo de começar. Como Mick Schumacher estava fora da corrida após o acidente do sábado, somente 18 partiriam para a prova.

Sergio Pérez tinha a vantagem de sair na pole-position pela primeira vez na longa carreira na Fórmula 1. Apesar de ter duas vitórias, jamais fizera isso. Mais ainda: foi a primeira vez do México na posição de honra da largada em todos os tempos.

No horário certo e com a temperatura próxima dos 30°C, as luzes mostraram que era hora de largar em Jedá. Pérez saiu bem e defendeu a ponta, enquanto Carlos Sainz tentou atacar o companheiro Charles Leclerc e acabou abrindo a janela para Max Verstappen colocar o carro por dentro e tomar a terceira colocação.

Yuki Tsunoda nem largou para o GP da Arábia Saudita (Foto: Reprodução)

Quem voltou a sofrer na largada foi a Alfa Romeo. A equipe admitira ao longo da semana que o carro tem dificuldades para partir e, por isso, Valtteri Bottas e Guanyu Zhou tinha perdido posições no começo do GP do Bahrein. Novamente, Bottas perdeu posição e Zhou caiu para último. “O mesmo problema de novo”, falou o chinês no rádio.

Lando Norris atacou Kevin Magnussen com muita vontade num movimento que a direção de prova avisou que analisaria, mas seguiu em 11º – depois, o incidente não deu em nada. Lewis Hamilton ganhava a posição de Zhou, mas ainda era o 14º colocado.

A corrida continuava. Foi rápido até que George Russell atacasse e ultrapassasse Esteban Ocon. Fernando Alonso era quem encostava também e iniciava uma briga interna dos carros rosas. Na conclusão da quinta volta, Alonso atacou na retas dos boxes e Ocon fechou a linha de dentro em cima da hora – ligeiramente tarde. Mas durou pouco, porque logo Alonso deu o troco. Ocon voltava para tentar brigar novamente e trazia Bottas com ele para o que se tornava uma briga tripla.

O carro da Alfa Romeo rendia bem. Além de Bottas incomodar a Alpine, Zhou já aparecia em 13º após largar muito mal e estava logo atrás de Hamilton quando a corrida completou uma dezena de voltas. Na frente, Pérez abria 2s4 para Leclerc. O monegasco recebia o aviso da Ferrari de que iriam para a estratégia do ‘plano A’ porque tinha “menos desgaste que a Red Bull”.

A primeira punição da corrida era para Zhou, que recebeu 5s por sair da pista e levar vantagem enquanto disputava posição com Alexander Albon. A briga quente, entretanto, era entre as Alpine. Ocon atava para tentar retomar a posição, mas Alonso fez o carro sambar e, em ziguezague, defendeu o sexto lugar. Na sequência, após o francês ter a chance justa de recuperar a posição, a Alpine mandou que ele segurasse um pouco a onda e pensasse no longo prazo. Logo depois, Bottas passou por ele e tomou o sétimo posto.

A janela de pit-stops abriu no fim da 13ª volta, quando Albon parou com a Williams. Mas e os líderes? A Ferrari chamou Sainz no fim da volta 15, os mecânicos saíram e a Red Bull fez o mesmo com Pérez. Só que Sainz não entrou. Se por estratégia de tentar engambelar a Red Bull ou apenas para fazer algo diferente, ficou na pista enquanto o líder parou. Leclerc assumia a ponta momentânea.

Pérez se provaria muito azarado. Enquanto o mexicano fazia a volta de retorno à pista, Nicholas Latifi novamente batia. “Não sei o que acontece”, disse o canadense à equipe após o carro traseirar na saída da curva e ir em direção ao muro. Safety-car na pista e era uma vez a liderança de Checo.

Aí, já com o safety-car, Leclerc, Verstappen e Sainz foram aos boxes. A Ferrari trabalhou rápido para trocar os pneus dos dois carros em fila, mas Sainz saiu dos boxes grudado com Pérez, que se movimentou bruscamente para fechar a porta. Carlos reclamou e o incidente foi para os comissários. Pérez teve de devolver a posição e ficou somente no quarto lugar.

Dos 17 pilotos restantes na corrida, 14 pararam: todos os que largaram de pneus médios e, para o segundo stint, pusarem pneus duros. Os três que ficaram – Magnussen, Hamilton e Nico Hülkenberg -, largaram de duros. Para a relargada na volta 21 de 50, todos os 17 tinha pneus de faixa branca.

Leclerc se preparou bem para a relargada e partiu na frente, com Verstappen, Sainz, Pérez, Russell, Magnussen, Hamilton, Alonso, Hülkenberg e Bottas no top-10. Magnussen tentou atacar Russell, mas não deu certo para ele. O duelo do dinamarquês com a Mercedes era divertido. Hamilton ultrapassou na última sequência de curvas da pista, mas Magnussen posicionou a mais potente Haas na reta, abriu a asa e recuperou o sexto lugar. Depois, Lewis passou de novo e ficou com a colocação, mas Kevin se garantia novamente como o melhor do resto.

O dia de Zhou ficava mais complicado. O piloto não cumpriu a punição no pit-lane – que deveria ser ficar 5s parado após a troca de pneus -, provavelmente por um problema da Alfa Romeo. O resultado foi o aumento da punição, agora um drive-through. Apesar de ganhar várias posições ao não ir aos boxes, Hülkenberg começava a ser ultrapassado por aqueles com pneus mais novos. Após 30 voltas, porém, ainda aparecia na frente do companheiro Lance Stroll.

Fernando Alonso abandonou e parou o carro na entrada do pit-lane (Foto: Reprodução/F1)

Em mensagem de rádio para a equipe, Verstappen reclamou que Leclerc cruzou a linha branca de entrada do pit-lane, algo que apenas quem vai aos boxes deve fazer. A direção de prova, porém, não demonstrou grande interesse. Pérez também não sofreu sanção por espremer Sainz sob o safety-car, uma vez que devolveu a posição ao espanhol.

Se lá atrás as brigas podiam aparecer, Leclerc fazia questão de fazer a volta mais rápida da corrida e abrir 1s5 para Verstappen após 30 voltas.

A briga que esquentava era pelo sétimo lugar. Magnussen ocupava o espaço, mas era atacado por Alonso que, por sua vez, via Bottas aproximar. O bicampeão demorou um pouco, mas conseguiu tirar o rival de pneus gastos da frente. Alonso parecia estar bem posicionado para ser o melhor do resto em Jedá, mas, na volta 35, o carro ficou lento. O aviso da Alpine era para esfriar o carro, provavelmente por um superaquecimento. Alonso deu uma volta muito lento e foi ultrapassado por todo mundo.

E virou doideira! Enquanto Alonso desfilava para entrar nos boxes, era Daniel Ricciardo quem aparecia lento e parava na pista, sem potência, logo perto da entrada do pit-lane. Enquanto isso, Bottas levava o carro para a garagem com problemas. Alonso não conseguiu entrar e parou exatamente na entrada do pit-lane enquanto o carro de Ricciardo era empurrado. Por sorte, Magnussen conseguiu parar pouco antes, na volta 37, e trocar os pneus. Com toda a multidão de carros travados, o pit-lane foi fechado.

Hamilton queria parar nos boxes, mas, com ele fechado, teria de segurar o carro com os pneus extremamente gastos. A direção de prova chamava apenas um VSC, evitando a segunda intervenção do safety-car.

A relargada veio na volta 41. Hamilton só então conseguiu ir aos boxes e voltou em 12º, enquanto Verstappen se aproximava e ensaiava um ataque pela liderança. No final da volta 42, o holandês alinhou e mergulhou para ultrapassar e assumir a ponta. Mas, assim como aconteceu em Sakhir, Leclerc consertou e, na reta, abriu a asa e recuperou a ponta. Na volta seguinte, de novo, Verstappen colocou o Red Bull por dentro para contornar a última curva, só que Leclerc se posicionou de maneira e tracionar melhor na entrada da curva ainda que por fora. Os dois travaram os pneus, mas o monegasco saiu na frente. Verstappen seguia reclamando de Leclerc cruzar a linha do pit-lane, mas a imagem não mostrava que era o que acontecia, de fato.

A próxima tentativa viria a quatro voltas do fim e, desta feita, Verstappen passou de vez. Faltava pouco, mas a vitória ainda era dúvida, porque Charles seguia na cola. Quando anunciou que tentaria passar de novo, bandeira amarela. O problema fora um toque entre Albon e Stroll que rendeu o abandono do tailandês.

Leclerc teria mais duas voltas para atacar e até se aproximou, mas não conseguiu mergulhar. Vitória de Verstappen em mais um duelo impressionante entre os dois. Leclerc, Sainz, Pérez, Russell, Ocon, Norris, Gasly, Magnussen e Hamilton fecharam o top-10.

Fórmula 1 2022, GP da Arábia Saudita, Jedá:

1M VERSTAPPENRed Bull Honda50 voltas
2C LECLERCFerrari+0.549
3C SAINZFerrari+8.097
4S PÉREZRed Bull Honda+10.800
5G RUSSELLMercedes+32.732
6E OCONAlpine+56.017
7L NORRISMcLaren Mercedes+56.124
8P GASLYAlphaTauri Honda+1:02.946
9K MAGNUSSENHaas Ferrari+1:04.308
10L HAMILTONMercedes+1:13.948
11G ZHOUAlfa Romeo Ferrari+1:22.215
12N HÜLKENBERGAston Martin Mercedes+1:31.742
13L STROLLAston Martin Mercedes+1 volta
14A ALBONWilliams MercedesNC
15V BOTTASAlfa Romeo FerrariNC
16F ALONSOAlpineNC
17D RICCIARDOMcLaren MercedesNC
18N LATIFIWilliams MercedesNC
19Y TSUNODAAlphaTauri HondaNC
Felipe Drugovich ouve hino brasileiro após vitória na Fórmula 2 na Arábia Saudita (Vídeo: F2)
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