F1

Mercedes e Ferrari se lançam em jogo de esconde-esconde. Red Bull é terceira força e Williams, um vexame

O primeiro dia de treinos livres para o GP da Austrália, que abre a temporada 2019 da F1, foi um tanto inconclusivo, dado o esconde-esconde das duas principais equipes do grid. A Mercedes se mostrou muito veloz, deixando a impressão que guardou performance nos testes, enquanto a Ferrari viveu duas sessões apresentando um ritmo bem aquém do que foi visto em Barcelona, mas surgindo forte em ritmo de corrida

GRANDE PRÊMIO / EVELYN GUIMARÃES, de Curitiba
A Fórmula 1 enfim está de volta. Após meses de espera e de uma pré-temporada das mais interessantes, em que o equilíbrio se fez presente, a maior das categorias desembarcou em Melbourne, na Austrália, para a primeira das 21 corridas de 2019. E o primeiro dia de treinos foi bastante intrigante. A Mercedes se impôs logo de cara e dominou a nesta sexta-feira (15), no Albert Park. O pentacampeão Lewis Hamilton foi quem comandou a tabela de tempos das duas sessões, deixando a impressão de que a equipe alemã inicia o ano do ponto onde parou em 2018. Ou seja, ditando o ritmo. 

Diante disso, a pergunta é inevitável: estava a esquadra prateada escondendo o jogo na Espanha? De imediato, o que se pode dizer é: o time prata obteve uma significativa melhora desde os testes. Mas não responde a questão por completo. Havia uma 'gordurinha', sim.  

Hamilton terminou as atividades da Catalunha afirmando que a Ferrari começava 2019 na frente. Reiterou isso ao chegar à Austrália, acrescentando que a esquadra alemã ainda tinha muito o que fazer. Os 0s5 que falou ter de desvantagem para os rivais, ainda em Barcelona, não se traduziram em realidade na pista australiana. Pelo contrário. No segundo treino livre – aquele em que a coisa fica um pouco mais séria –, o inglês colocou 0s8 em cima de Sebastian Vettel, com ambos usando os mesmos compostos de pneus macios: os C4 vermelhos.

Aí vem a segunda pergunta: a Ferrari, então, escondeu o jogo hoje?
Lewis Hamilton (Foto: Mercedes)
A diferença foi gritante, verdade seja dita. Mas a Ferrari não tem o costume de se preocupar tanto assim com os tempos velozes na sexta-feira – a atuação da equipe e a vantagem da rival prata foram quase as mesmas no ano passado, por exemplo. Na corrida, no entanto, o resultado foi bem distinto, o que indica um certo 'deixa para amanhã' dos italianos. O que chama atenção aqui foram as simulações feitas por ambas as equipes, com os pneus médios (C2), que devem ser os compostos de corrida, e os C4, os da classificação. Mas a esquadra vermelha parece ter enfrentado outros percalços: Sebastian disse que Hamilton falou "besteira" ao dizer que a Ferrari estava muito à frente da Mercedes. E pode até ser verdade, mas pesa o relato do próprio piloto, que disse que a SF90 se comportou de forma diferente e que perdeu a confiança no carro. "Foi como dançar com os sapatos de tamanho errado", falou o #5.  Que acrescentou: "Mercedes estava em seu próprio campeonato hoje".
 
Agora, interessante perceber que Hamilton, de fato, apresentou uma performance muito melhor com os pneus macios - outrora uma dor de cabeça dos alemães. Mesmo tendo alguma luta com o W10, o britânico andou consistentemente na casa de 28s2 nas dez voltas de simulação de corrida que conduziu. Ele foi em 0s2 melhor que o companheiro Valtteri Bottas e 0s4 mais rápido que Charles Leclerc. A diferença para Vettel ficou em quase 1s. 
 
O cenário muda com os pneus médios. Aí Bottas foi quem liderou a tabela, andando em 27s5 - já com menor carga de combustível no carro devido ao ensaio de prova. Sebastian, nas mesmas condições de pneu, apareceu menos de 0s1 atrás. Ainda mais curioso observar que Leclerc andou no mesmo ritmo, mas com pneus duros – o C2.
 
Quer dizer, todo mundo aí escondeu um pouco o jogo. A Mercedes não se concentrou tanto no trabalho com os compostos C3, enquanto a Ferrari preferiu se dedicar mais à corrida. O fato é que a real performance mesmo deve aparecer somente no sábado e já no último treino livre, preparatório para a classificação.
Sebastian Vettel (Foto: AFP)
O dia foi tão louco que a primeira sessão empolgou. Afinal, Hamilton apareceu na frente, com uma vantagem de apenas 0s038 - até lembrando a sua performance no dia final dos testes. A diferença entre o líder britânico e o companheiro de Mercedes, então quinto colocado, foi de apenas 0s267. Sem contar o pelotão intermediário. É bem verdade que o trio-de-ferro ficou 1s à frente, mas entre o grupo do meio, e isso incluiu Alfa Romeo, Toro Rosso, Haas e Renault, a diferença ficou em 0s2.
Enquanto isso, o treino na tarde australiana mostrou uma outra realidade. De novo na frente, Hamilton colocou, então, essa vantagem de quase 0s9 em cima da Ferrari. Para a Red Bull, a diferença ficou em exatos 0s800. O pelotão do meio, em contrapartida, seguiu sem parecer esconder nada: ou seja, muito compacto e liderado por Alfa Romeo e Renault.
 
A Haas, que ainda tenta se livrar dos problemas de confiabilidade, e uma interessante Toro Rosso aparecem logo atrás. Racing Point e McLaren finalizam o grupo intermediário, mas longe da disputa pela posição de quarta força.
Max Verstappen (Foto: Getty Images/Red Bull Content Pool)
É necessário abrir um parágrafo para a Red Bull. O novo carro da equipe austríaca segue muito forte e o motor Honda corresponde. Ainda que não tenha andando no ritmo veloz da Mercedes, os energéticos foram muito bem nesta sexta-feira, especialmente Max Verstappen, em ritmo de classificação. O ponto de interrogação fica para o desempenho em corrida: Verstappen abriu mão da simulação, enquanto Pierre Gasly enfrentou perda de potência. Mesmo assim, o início é promissor.
 
Por fim, essa desastrosa Williams. A equipe inglesa ainda vive um momento de crise, exposto durante a pré-temporada, e agora parece claro que terá uma temporada dificílima pela frente. A verdade é que o time de Grove regrediu demais, e isso se reflete na tabela de tempos. Foi a única esquadra a não superar os tempos do ano passado. E, mais preocupante, há um abismo para as rivais mais diretas. 

O terceiro treino livre, no sábado, começa 0h (horário de Brasília). A classificação está programada para 3h. O GRANDE PRÊMIO acompanha AO VIVO e em TEMPO REAL todas as atividades do fim de semana do GP da Austrália, prova que abre a temporada 2019 do Mundial de F1. Siga tudo aqui.

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