‘Mercedes verde’ sai pela culatra, mas ainda é cedo para Aston Martin se desesperar

2021 não é o melhor ano para copiar a Mercedes, dona do conceito mais afetado pela mudança de regulamento. A Aston Martin andou para trás e tem motivos para se preocupar, mas sabendo que uma solução está longe de ser impossível

Rinus VeeKay bate forte no primeiro dia de testes coletivos da Indy em Indianápolis (Vídeo: IndyCar)

A temporada 2020 foi particularmente boa para a Racing Point: a equipe copiou a Mercedes de 2019 e, assim, saltou para quarto no Mundial de Construtores e conseguiu até mesmo uma vitória. A lógica diria que 2021 seria um ano no mesmo patamar, já que o bólido alemão voltou a ser copiado, agora na gestão Aston Martin. Não deu muito certo no Bahrein, com os britânicos mal conseguindo pontuar. O momento é de preocupação, mas sem desespero: ainda há tempo de sobra para dar a volta por cima e conseguir bons resultados.

Antes de prognósticos sobre o futuro, é importante olhar para o passado. A Aston Martin já não tinha ido muito bem na pré-temporada, sofrendo tanto com problemas mecânicos quanto com falta de velocidade propriamente dita. Curiosamente, um fenômeno também observado na Mercedes. Logo ficou claro: carros com filosofia low-rake, justamente o caso de Aston Martin e Mercedes, sofreram mais do que as demais com as mudanças de regulamento. Downforce foi tirado dos carros através de mudanças no assoalho, pegando as duas escuderias desprevenidas.

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Sebastian Vettel foi apenas 15º no GP do Bahrein. Problemas na Aston Martin? (Foto: Giuseppe Cacace/AFP)

A Mercedes ainda deu a volta por cima, indo das preocupantes rodadas de Lewis Hamilton na pré-temporada à vitória épica no GP do Bahrein em um espaço de duas semanas. O carro não é dominante, mas os alemães aprenderam a contornar alguns dos pontos fracos. O mesmo não foi visto na Aston Martin: Lance Stroll só entrou na zona de pontos nas voltas finais, em décimo, enquanto Sebastian Vettel teve uma estreia tenebrosa e acabou em 15°.

Basta olhar a classificação do Mundial de Construtores para entender o tamanho do estrago. A Aston Martin, que começou de olho no terceiro lugar, está apenas em sexto ao fim do primeiro GP. Evidente que a tendência é de reação, mas não se trata de algo que vai acontecer em um piscar de olhos, como se o GP do Bahrein tivesse sido apenas um ponto fora da curva.

O alento da Aston Martin é que a Mercedes também precisa buscar soluções. Em teoria, ainda está atrás da Red Bull quando o assunto é desempenho puro do carro, e isso tem muito a ver com as mudanças no assoalho. Sabendo como as equipes de Brackley e de Silverstone se tornaram amigas nos últimos tempos, não é impensável que as soluções de uma logo apareçam no carro da outra.

Isso, entretanto, leva tempo. A Mercedes vai precisar testar mudanças por conta própria em algum momento, talvez já no GP da Emília-Romanha da semana que vem. É possível até que essas soluções venham aos poucos, ao invés de um pacotão. A Aston Martin também tem condições de achar suas próprias respostas, ainda mais com o investimento de uma montadora por trás. De um jeito ou de outro, são saídas que implicam em sofrer um pouco mais na primeira metade da temporada europeia.

Lance Stroll pontuou, mas passando perrengues (Foto: Aston Martin)

Nem tudo está perdido, nem mesmo se  a Aston Martin não conseguir soluções em 2021. O motivo é a introdução de um regulamento completamente diferente em 2022, significando que o carro atual não precisa ser corrigido urgentemente, sob pena de sofrer no longo prazo. Dói ver a temporada atual dando errado, mas o projeto de longo prazo transforma problemas atuais apenas em pedras no caminho.

Outro motivo para a Aston Martin não se desesperar tão facilmente é Vettel. Sim, o alemão foi péssimo no Bahrein e mereceu críticas, mas dá para acreditar em evolução conforme se adaptar melhor ao carro. Talvez não ao mesmo nível visto com Sergio Pérez em 2020, mas certamente com potencial de ir melhor do que Stroll. Seriam pontos valiosos, os quais podem fazer toda a diferença na briga apertada do pelotão intermediário.

Que a Aston Martin esteja atenta aos sinais e à necessidade de buscar uma reação. Mas que o faça sabendo que não existe mágica para deixar o carro mais rápido. É hora de dar tempo ao tempo e ver no que vai dar.

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