F1

Merhi cita experiência, critica peso do dinheiro e vê situação da Williams como “problema” da F1

O espanhol Roberto Merhi está contente com os três pódios na temporada da F2, avalia propostas para 2019 e fala sobre o desejo de retornar à F1, mesmo com o dinheiro dando as cartas atualmente
Warm Up, de Cotia / GUILHERME BLOISI, da Granja Viana / NATHALIA DE VIVO, da Granja Viana
 Roberto Merhi (Foto: FIA F2)
Em São Paulo para a disputa das 500 Milhas de Kart na Granja Viana, o espanhol Roberto Merhi teve um ano de altos e baixos na temporada 2018 da F2. Em entrevista exclusiva ao GRANDE PRÊMIO, o piloto de 27 anosacredita que a mudança de equipe, da MP para a Campo, foi importante demais para voltar a ser competitivo e evoluir na categoria.
 
Com dois pódios no ano – seriam três se Merhi não fosse desclassificado na corrida 1 em Paul Ricard (FRA), o piloto termina 2018 satisfeito com o seu desempenho. “De um modo geral, a mudança para a Campos foi boa, consegui muitos pontos em Sochi e Yas Marina, até cheguei a ficar entre os cinco primeiros, mas terminei em oitavo e consegui um pódio em Abu Dhabi”, afirmou.
 
Para 2019, Merhi ainda avalia propostas e não sabe em qual categoria vai estar. "A Formula E é uma boa opção, WEC também me atrai, mas somente se você tiver bons companheiros, do contrário não vai ser legal. Tem outras opções que me atraem, preciso analisar as oportunidades”.
Roberto Merhi (Foto: FIA F2)
Porém, se dependesse somente de seu desejo pessoal, a escolha seria óbvia: a Fórmula 1. Merhi sente que sua passagem na categoria, correndo pela Marussia em 2015 e tendo o melhor resultado um 12º lugar no GP da Hungria, não esteve de acordo com o que ele pode render. “Gostaria de voltar, mas somente com o carro e a equipe apropriados. Para ter o desempenho que tive naquela temporada, não me interessa”, disse.
 
Ainda sobre a F1, o espanhol fez críticas à força que o dinheiro exerce para colocar um piloto no grid. Para ele, que sentiu na pele quando entrou na categoria, é frustrante ver um grande piloto como Esteban Ocon fora do top-20. "Na minha vez, eu tive de trazer dinheiro para entrar na Marussia, fui sortudo. Hoje, se você não trouxer orçamento, não tem condições de começar sua carreira, sua equipe não te proporciona o melhor equipamento para poder mostrar o seu melhor."
 
Merhi aponta que o Liberty Media, grupo proprietário da F1, tem condições de mudar esse cenário. “Acredito que esteja nos planos equiparar os orçamentos de todas as equipes do grid. Ver equipes de tradição como a Williams receber menos que outras, precisando de pilotos que tragam apoio financeiro para se desenvolver durante o ano, é um problema”, ressaltou.