F1
14/08/2018 08:50

Mesmo com Ricciardo, Renault fala em “construção” e espera lutar por vitórias só em 2020

A contratação bombástica de Daniel Ricciardo para a concretização de um projeto de longo prazo não significa que as vitórias virão de imediato. Na visão de Cyril Abiteboul, ainda vai levar um bom tempo para que a Renault volte a figurar no topo do pódio
Warm Up / Redação GP, de Sumaré
 Abiteboul disse que a Renault vem chamando a atenção dos pilotos da F1 (Foto: Renaut Sport F1)
Da mesma forma que fez a Mercedes no começo da década, a Renault traça um projeto de longo prazo e deixa de lado as expectativas para ter os pés cravados no chão a respeito de pensar em vitórias e títulos. Mesmo com a chegada surpreendente e bombástica de Daniel Ricciardo para a próxima temporada, a equipe de Enstone é cautelosa sobre o que espera para os próximos anos na F1. Voltar ao topo do pódio? Sim, mas apenas a partir de 2020, afirma Cyril Abiteboul.
 
Em entrevista à revista francesa ‘Auto Hebdo’, o diretor da Renault explicou que o que seduziu Ricciardo em deixar para trás a estabilidade na Red Bull para fazer parte do projeto na nova equipe foi justamente a chance de fazer parte de um processo constante de evolução e crescimento. Mas o engenheiro lembrou que não vendeu ilusões e que as grandes conquistas ainda vão levar um bom tempo.
 
“Vendemos a ele o objetivo de lutar por títulos em 2021 e começar a vencer, espero, em 2020, mas não antes. Também vendemos um papel que vai muito além de um simples piloto, mas de alguém que participa da construção da equipe”, comentou Abiteboul.
A Renault ainda se vê longe das vitórias e dos títulos na F1 (Foto: Renault)
“Me dei conta de que os pilotos, aos 29 anos, querem pilotar, mas também buscam algo a mais, e o mesmo acontece com Nico Hülkenberg, que tem 30”, disse o dirigente.
 
Nick Chester, diretor-técnico e responsável pelo projeto do primeiro carro de Ricciardo na Renault, disse que a equipe já inicia os trabalhos visando 2019. Uma das principais mudanças está no novo padrão da asa dianteira, desenhada para elevar o número de ultrapassagens e evitar a turbulência que, nos dias de hoje, atrapalha a aproximação dos carros.
 
“De todas as formas, grande parte do trabalho está se movendo para 2019 agora, e só depende do que encontramos. Provavelmente, a partir de agora, vamos ter algumas atualizações perto das etapas de Sóchi ou Suzuka, e depois disso, qualquer coisa vai ser provavelmente bem pequena, peças bem pequenas que podem sair do programa do túnel de vento que vem para 2019. Sabemos que vamos ter de seguir durante o ano todo”, ponderou o engenheiro.
 
Mesmo com o foco começando a se mover para 2019, a Renault tem seu objetivo de trabalhar para terminar 2018 como a quarta melhor equipe do Mundial de Construtores.
 
“Vamos ter de seguir com o desenvolvimento. Já temos coisas engatilhadas que vão sair depois das férias. Talvez, quando chegarmos à 15ª ou 16ª etapa. Mas, em seguida, a maioria das coisas vão estar em processo para o fim do ano. É muito apertado. Temos de seguir adiante e continuar elevando o nível do carro”, encerrou.