F1

Na Garagem: Ascari troca de carro em Nürburgring na corrida do bicampeonato

O dia 2 de agosto de 1953 terminou festivo para Alberto Ascari na Alemanha, mas a corrida em Nürburgring foi bastante complicada para o italiano

Warm Up / RENAN DO COUTO, de São Paulo
Se há quem reclame que o Brasil não tem um campeão na F1 há 25 anos, pense na seca que vive a Itália. Ok, há a Ferrari para agradar os tifosi, mas um piloto nascido na ‘bota’ ganhou o Campeonato Mundial pela última vez há exatos 63 anos.
 
Alberto Ascari sagrou-se bicampeão da F1 ao chegar em oitavo lugar no GP da Alemanha, resultado que só foi possível depois de uma troca de carro.
Alberto Ascari no GP da Alemanha de 1953 (Foto: Forix)
Chegando à antepenúltima prova da temporada, ele tinha uma vantagem confortável de quase 20 pontos para o vice-líder, Mike Hawthorn. Era questão apenas de administrar, até porque somente os quatro melhores resultados do ano contariam para a definição do campeão, e ele já tinha quatro vitórias.
 
Pole-position, ele perdeu a ponta momentaneamente na largada, mas era o líder quando o pelotão retornou à reta após os mais de 20 km do Nordschleife. A partir da quarta volta, contudo, tudo começou a se complicar. Primeiro, uma roda se soltou. Depois, o motor começou a falhar.
 
Desta forma, a Ferrari resolveu chamar Luigi Villoresi para os boxes para substituí-lo por Ascari. Isso era permitido pelas regras da época, com os pontos sendo divididos entre os dois pilotos no final da corrida. O quase bicampeão até chegou a dar algumas voltas rápidas em sequência, o que lhe garantiu o ponto de bonificação, mas terminou mesmo na oitava colocação.
 
Como Hawthorn não venceu, Ascari pôde festejar o bicampeonato. Giuseppe Farina, aos 46 anos, se tornou o piloto mais velho a vencer um GP sozinho — Luigi Fagioli ganhou aos 51 dividindo o cockpit com Juan Manuel Fangio.
 
Desde então, nenhum outro piloto italiano conquistou um título na F1.
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