F1

Na Garagem: Barrichello vence corrida marcada por invasão do padre irlandês

Rubens Barrichello surpreendeu ao marcar a pole para o GP da Inglaterra em 2003 e transformou o resultado do sábado em vitória no domingo. A prova foi marcada pela invasão do padre irlandês Cornelius Horan
Warm Up / RENAN DO COUTO, de São Paulo
 O padre irlandês Cornelius Horan invadiu o GP da Inglaterra de 2003 (Foto: Reprodução)
Há exatos 13 anos, o padre irlandês Cornelius Horan invadiu o GP da Inglaterra de F1, em Silverstone. Sim, ele mesmo.
 
O nome você deve conhecer, talvez não se lembre dos seus primeiros 15s de fama. Foi a interferência na maratona das Olimpíadas de Atenas que o tornou mais famoso, mas sua primeira aparição em um grande evento esportivo aconteceu um ano mais cedo.
 
Em Atenas, claro, a história é famosa: ele derrubou o líder da prova, o brasileiro Vanderlei Cordeiro de Lima, e o impediu de brigar pela medalha de ouro. Na F1, ele provocou uma intervenção do carro de segurança. Tudo porque ele queria passar o recado de que o fim do mundo estava próximo.
 

           

“Olha só o que acontece! Olha só a loucura, gente! Que absurdo”, espantou-se Galvão Bueno, que foi seguido por um “vai morrer” do repórter João Pedro Paes Leme.
 
Seu cartaz dizia “leia a Bíblia, ela está sempre certa”, e Galvão não perdoou: “Ele vai ter bastante tempo para ler a Bíblia na cadeia”. Acabou recebendo uma pena de dois meses de prisão.
 
(A partir de 11 minutos)
 
A curiosidade foi que essa neutralização provocou uma série de pit-stops fora de hora alçou Cristiano da Matta à liderança da prova. Foi a única vez em sua breve carreira na categoria que o mineiro ponteou um GP. Durou 17 voltas.

A prova começou com Rubens Barrichello, hoje na Stock Car, na pole-position. Uma pole improvável, pois, naquele ano, os pilotos tinham direito a apenas uma volta lançada no treino classificatório, e a ordem de entrada na pista era definida com base nos resultados da sexta-feira. Como errara na pré-classificação, o brasileiro foi um dos primeiros a andar no sábado, mas conseguiu fazer um ótimo tempo e resistiu até o fim para garantir a posição de honra do fim.
 
A questão era que a segunda posição pertencia a Jarno Trulli, e a Renault, com seu controle de largada, ia absurdamente bem nos segundos iniciais. O italiano tranquilamente tomou a ponta, e Kimi Räikkönen também passou a Ferrari.
A bandeirada para Rubens Barrichello em Silverstone (Foto: Ferrari)

Aquele, contudo, era o dia de Barrichello. Quando as estratégias foram se normalizando, o ritmo de prova do carro #2 se mostrou muito superior. O lance decisivo veio na volta 42, já após o último pit-stop, com uma ultrapassagem na curva da ponte sobre Räikkönen. 
 
O finlandês da McLaren ainda perdeu também o segundo lugar para Juan Pablo Montoya, da Williams. Michael Schumacher terminou na quarta posição. Da Matta, em sétimo.
 
Essa foi a sexta vitória de Barrichello na F1, mas não mudou muito sua história no campeonato de 2003. Àquela altura, após 11 de 16 etapas, ele era o quarto colocado com 49 pontos, 20 a menos que Schumacher. Ele terminou em quarto com 65. Até o fim do ano, completou apenas duas provas, em terceiro na Itália e em primeiro no Japão.
Rubens Barrichello venceu o GP da Inglaterra de 2003 (Foto: Ferrari)
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