Na Garagem: Button conclui história de Cinderela com título no Brasil

Exatos 10 anos atrás, Jenson Button conquistava seu único título mundial na Fórmula 1. Inglês iniciou 2009 sem emprego e terminou com seu nome na história, superando Rubens Barrichello e Sebastian Vettel

Jenson Alexander Lyons Button não tinha garantia de que permaneceria na Fórmula 1 até março de 2009. O piloto inglês, na época com 29 anos, ficou sem vaga no grid após o anúncio que a Honda, sua equipe desde 2003 contando com os tempos de BAR, se retirou da categoria. Até que Ross Brawn decidiu comprar o time, deu o nome de Brawn GP, recolocou Button ao lado de Rubens Barrichello na equipe, e viu o inglês somar incríveis seis vitórias nas sete primeiras corridas do ano, e administrando a vantagem na liderança do campeonato até conquistar o título mundial no dia 18 de outubro de 2009, data que completa 10 anos hoje, no GP do Brasil.
 
Interlagos recebeu a penúltima corrida da temporada. Button era líder com 85 pontos, 14 de frente para o companheiro Barrichello, que tinha crescido na segunda metade do campeonato, com vitórias em Valência e Monza. Um tal de Sebastian Vettel, ainda com 22 anos, tinha vencido a prova anterior no Japão, e carregava 16 pontos de desvantagem para o líder.
 
O chuvoso treino classificatório beneficiou Barrichello, que anotou a última pole da carreira. Button e Vettel foram bem mal, largando da 14ª e 15ª posições respectivamente. A largada ficou marcada por uma saída segura do brasileiro. Kimi Räikkönen partiu muito bem e chegou a ameaçar a segunda posição de Mark Webber, mas um toque danificou sua asa dianteira. Ainda na primeira volta, Adrian Sutil deu uma fechada sem muitas sutilezas em Jarno Trulli, que parou no muro e deu uma grande bronca no alemão da Force India, que também eliminou o bicampeão mundial Fernando Alonso no giro inicial.
 
O caos da primeira volta beneficiou Button, que já aparecia na nona posição, e não teve muitas dificuldades para superar o novato Romain Grosjean e Kazuki Nakajima. Seu grande adversário nas voltas seguintes foi o estreante japonês Kamui Kobayashi, que substituiu o lesionado Timo Glock e apresentou uma pilotagem dura, sem dar muitas chances ao líder do campeonato.
Largada do GP do Brasil de 2009 (Foto: Mark Thompson/Getty Images)
Barrichello se segurou em primeiro até a volta 20, quando fez seu primeiro pit-stop, dando a liderança nas mãos de Webber. Com o carro pesado de combustível, o brasileiro da Brawn foi surpreendido ao ficar atrás de Robert Kubica após as paradas. Ele não só perdeu a liderança, mas também o segundo lugar, enquanto Button cresceu e surgiu em quarto, após superar Kobayashi e contar com o abandono de Nico Rosberg. A vitória era necessária para o brasileiro naquele estágio.
 
A segunda rodada de idas aos boxes, já na metade final da corrida, colocou Vettel à frente de Button, na quinta posição. Além de muito longe de Kubica, Barrichello começou a sofrer pressão de Lewis Hamilton, que era o atual campeão na época e fazia uma corrida impressionante, largando de 17º. O inglês superou o brasileiro na reta oposta na volta 62, e um pequeno toque aliado com a baixa pressão causou um pneu furado para Barrichello, que precisou ir aos boxes novamente e fechou a corrida apenas em oitavo.
 
Webber cruzou a linha de chegada na primeira posição. Foi a segunda vitória da carreira do australiano, que foi seguido por Kubica, somando o último pódio da BMW, e Hamilton. Vettel foi o quarto, e Button ficou em quinto, não podendo mais ser alcançado pelo companheiro Barrichello ou pelo jovem alemão da Red Bull. A história de Cinderella foi concluída.
Felipe Massa dá bandeirada para Jenson Button (Foto: Reprodução)
“Hoje foi a melhor corrida que pilotei na minha carreira e vou aproveitar este momento. O time vencendo o Mundial de Construtores e o de Pilotos aqui é simplesmente fantástico, e eles merecem muito depois das dificuldades que passamos no inverno. Essa temporada foi uma montanha russa com as empolgantes vitórias no começo até a segunda metade difícil, que nos fez afiar nos resultados para conquistar os resultados”, declarou Button, que se transferiu para a McLaren em 2010 e permaneceu na Fórmula 1 até 2016.
 

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