Na Garagem: Ricciardo vê Hamilton e Rosberg sofrerem no Canadá e vence pela 1ª vez na F1

Em ano marcado pelo amplo domínio da Mercedes durante primeira temporada da era híbrida na Fórmula 1, Daniel Ricciardo aproveitou problemas enfrentados por Nico Rosberg e Lewis Hamilton no GP do Canadá de 2014 para conquistar a primeira vitória de sua carreira na categoria máxima do automobilismo

Há exatos dez anos, Daniel Ricciardo quebrou o domínio avassalador da Mercedes durante o primeiro ano da era híbrida da Fórmula 1 e conquistou a sua primeira vitória da carreira na classe rainha, no GP do Canadá de 2014. Após marcar 1min15s589 como melhor volta durante o Q3 da classificação e largar apenas na sexta posição, 0s715 atrás do tempo de Nico Rosberg, pole-position, o australiano se aproveitou dos problemas enfrentados pelo alemão no dia seguinte para assumir a ponta quando faltavam apenas três voltas para o fim e cruzar a linha de chegada com folga em relação aos rivais.

Sétima etapa daquele ano, a equipe comandada por Toto Wolff já havia conquistado cinco cobradinhas, com Lewis Hamilton subindo no degrau mais alto do pódio em quatro oportunidades — Malásia, Bahrein, China e Espanha —, enquanto Rosberg se deu melhor em Mônaco e na Austrália — neste último caso, em Melbourne, Lewis não completou a prova. Ao mesmo tempo em que os pilotos das Flechas de Prata dominavam o certame e disputavam ponto a ponto pela liderança, Ricciardo desembarcou em Montreal como quarto colocado na classificação, ficando atrás ainda de Fernando Alonso, da Ferrari.

Com passagens pela Fórmula Ford, Fórmula Renault e F3, Daniel estreou na categoria principal do automobilismo em meados da temporada 2011, pela equipe HRT, como substituto do indiano Narain Karthikeyan. Membro do programa de talentos da Red Bull, o natural de Perth foi promovido no ano seguinte, assumindo um dos assentos na então Toro Rosso — atual RB (Visa Cash App RB) — ao lado de Jean-Éric Vergne, onde permaneceu em 2012 e 2013. Finalmente, em 2014, Ricciardo foi o escolhido para ocupar a vaga deixada por Mark Webber na escuderia principal, formando dupla com Sebastian Vettel a partir de então.

Após passar zerado nas duas primeiras corridas — o #3 até chegou em segundo no GP da Austrália, mas acabou sendo desclassificado após uma inspeção técnica constatar irregularidades no fluxo de combustível do RB10 — , o australiano conseguiu somar os primeiros pontos apenas na terceira etapa, no Bahrein, quando recebeu a bandeira quadriculada na quarta posição. Daniel surpreendeu ao superar Vettel ao fim das 19 provas disputadas, além de ter sido o único piloto fora da Mercedes a conseguir vencer uma corrida e, por isso, recebeu o prêmio Laureus na categoria ‘revelação do ano’.

Ricciardo largou apenas em sexto em Montreal (Foto: F1)

A primeira vitória na Fórmula 1, porém, aconteceu no dia 8 de junho de 2014. Após subir no pódio na prova anterior, em Mônaco, quando fechou o top-3 atrás da dupla das Flechas de Prata, Ricciardo chegou ao Canadá confiante de que poderia sair do país com um resultado ainda melhor. Vale lembrar que a Red Bull vivia uma temporada muito atípica, já que após os quatro títulos mundiais acumulados entre 2010 e 2013, a equipe austríaca sofria com o desempenho ruim da unidade de potência da Renault, que era muito inferior aos motores de Ferrari e, principalmente, Mercedes.

As atividades no circuito Gilles Villeneuve, como tradicionalmente acontece, começaram na sexta-feira com o primeiro treino livre do fim de semana. Ao marcar 1min17s238, um tempo muito acima do que seria visto nas sessões seguintes, Alonso fechou como o mais rápido, sendo acompanhado de perto por Hamilton — apenas 0s016 mais lento —, Rosberg, Vettel e Valtteri Bottas, respectivamente. Algumas horas depois, durante o segundo treino livre, o mais veloz foi o #44 da Mercedes, que cravou 1min16s118 e viu o companheiro de equipe chegar 0s175 atrás, dando os primeiros sinais de que o time comandado por Wolff realmente era o favorito à conquista da vitória. No TL2, Ricciardo foi apenas o 12º.

Na tarde seguinte, a tendência continuou, embora o terceiro e último treino livre trouxe a surpresa de ter Felipe Massa ocupando a segunda posição. O brasileiro competia pela Williams e teve 1min16s086 como melhor giro, mas ainda 0s524 atrás de Lewis, que mais uma vez liderou a tabela de tempos quando o cronômetro zerou. Rosberg, Alonso e Ricciardo completaram o top-5 — o australiano, por sua vez, ligou o sinal de alerta na Red Bull ao encerrar a última sessão de treinos quase 1s atrás do ponteiro.

De volta à pista para a classificação, as expectativas realmente se confirmaram. Mesmo não tendo liderado nenhuma sessão até então, Rosberg mostrou a força do W05 e superou Hamilton na briga pela pole-position por apenas 0s079 de vantagem — o alemão cravou 1min14s874, enquanto o britânico não conseguiu ir além de 1min14s953. Em terceiro, Vettel encerrou o dia tendo 1min15s548 como melhor giro, quase 0s7 atrás de Nico. Bottas e Massa fecharam o top-5, com Ricciardo em sexto. Alonso, Vergne, Jenson Button e Kimi Räikkönen completaram a lista dos dez primeiros.

Ritmo do motor Renault da Red Bull era muito inferior ao das rivais (Foto: F1)

Quando as luzes vermelhas se apagaram no domingo, Hamilton largou melhor e quase ultrapassou Rosberg na primeira curva, mas o #6 conseguiu jogar seu carro por dentro e defendeu a posição, forçando o britânico para fora da pista enquanto contornavam a Virage Senna, o que o fez perder o segundo posto para Vettel. Após quatro curvas, o primeiro safety-car do GP do Canadá teve de ser acionado após Max Chilton e Jules Bianchi, companheiros na Marussia, se tocarem e deixarem muitos destroços na pista. Enquanto ambos abondaram, Ricciardo sobreviveu ao caos e se manteve na sexta colocação.

Na relargada, Rosberg não teve dificuldades para permanecer na liderança, enquanto Hamilton perdia segundos valiosos atrás de Vettel, ultrapassando o alemão apenas na volta 10 para finalmente conseguir se aproximar do companheiro de equipe. Até então, tudo se encaminhava para o que seria a sétima vitória da Mercedes na temporada e a sexta dobradinha. Mas a partir do giro 38, algumas voltas após a primeira janela de pit-stops, os dois carros passaram a apresentar problemas na unidade de potência e no sistema de recuperação de energia dos freios, começando a virar tempos 3s mais lentos do que antes, permitindo, assim, que os adversários se aproximassem. A essa altura da corrida, Daniel era o quarto colocado, 29s724 atrás dos líderes.

Após a dupla ser informada pelos engenheiros de que não havia como solucionar a situação durante a prova, o problema com os freios do W05 #44 piorou e Lewis foi forçado a abandonar quando restavam 25 voltas para o fim. Rosberg conseguiu se manter na disputa, mas percebia Sergio Pérez — à época piloto da Force India e segundo colocado — cada vez mais próximo pelo retrovisor, embora Ricciardo, que estava em terceiro, fosse uma ameaça maior, já que tinha pneus mais novos do que os do mexicano.

Restando cinco voltas para a bandeira quadriculada ser agitada, o #3 da Red Bull se aproximou bastante de Pérez enquanto ambos passavam pela reta do Casino, entre as curvas 12 e 13, e completou a manobra de ultrapassagem na reta principal, assumindo o segundo posto e começando uma perseguição sobre Rosberg, que tinha uma vantagem de 1s810 em relação ao australiano naquele momento. Sem ritmo, o mexicano, por sua vez, sofria com a pressão de Vettel e Massa na briga pelo último lugar no pódio.

Ricciardo tirou proveito de problemas de Rosberg para vencer em Montreal (Foto: Getty Images)

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Duas voltas depois, quando restavam apenas três para o fim da prova no circuito em Montreal, Daniel repetiu a manobra feita anteriormente em cima de Sergio e se aproximou abruptamente de Rosberg, antes de finalmente conseguir atacar o alemão e assumir a ponta no giro 68 de 70. Algo inimaginável naquela temporada havia acabado de acontecer: uma Red Bull movida pela unidade de potência da Renault superando o motor Mercedes. Ricciardo não perdeu mais a ponta e cruzou a linha de chegada com 4s236 de vantagem em relação ao piloto da esquadra alemã.

O GP do Canadá, porém, terminou sob regime de safety-car, já que após ser ultrapassado por Vettel na penúltima volta, Pérez tentou se defender do ataque de Massa enquanto percorriam a reta principal e acabou movendo a sua Force India de maneira irregular quando a manobra do brasileiro já estava em andamento. Os dois se chocaram e bateram forte contra a barreira de proteção na curva 1, mas, felizmente, ambos saíram ilesos, sem nenhum ferimento mais grave. Declarado culpado, o atual companheiro de Max Verstappen recebeu uma punição para o grid da próxima etapa da temporada, o GP da Áustria.

Com o resultado, Ricciardo superou Alonso na classificação do Mundial de Pilotos e saiu do Canadá como terceiro colocado, com 79 pontos conquistados. Apesar de ter de se contentar com o segundo degrau no pódio, Rosberg ampliou sua vantagem na liderança do certame, já que Hamilton não conseguiu pontuar, deixando a disputa 140 x 118 a favor do alemão. Após a conquista do tetracampeonato, Vettel seguia tendo performances inferiores ao do colega de garagem e ocupava a quinta colocação, com 60 pontos.

Rosberg e Vettel completaram o pódio em Montreal (Foto: Reprodução/3legs4wheels)

Deslumbrado com a primeira vitória na carreira, Ricciardo celebrou o feito de maneira peculiar ao beber champanhe direto de sua sapatilha — ato conhecido como ‘shoey’ —, um gesto que se tornou marca registrada do australiano na Fórmula 1 e que se repetiu nos outros sete triunfos do piloto na categoria máxima do automobilismo. “Sou um vencedor de corrida!”, bradou o natural de Perth após a prova.

“Honestamente, ainda parece um pouco surreal, pois tudo aconteceu muito rápido no fim. Estava em terceiro e de repente tudo aconteceu. Depois que passei pelo Pérez, sabia que tinha de andar limpo e entrar na zona de DRS de Rosberg, e então foi simplesmente fantástico. Conseguimos um grande resultado hoje com o primeiro e o terceiro lugares, então vamos aproveitar”, comemorou.

Ricciardo ainda venceu mais duas provas em 2014, na Hungria e Bélgica, somando 238 pontos no total e terminando o Mundial na terceira colocação, 146 tentos atrás de Hamilton, campeão daquele ano. Rosberg ficou com o vice-campeonato ao encerrar o certame com 317 tentos, 67 de desvantagem em relação ao atual companheiro de George Russell.

GRANDE PRÊMIO acompanha AO VIVO e EM TEMPO REAL todas as atividades do GP do Canadá de Fórmula 1 e transmite classificação e corrida em segunda tela, em parceria com a Voz do Esporte, na GPTV, o canal do GP no Youtube. Além disso, debate tudo que aconteceu na pista com o Briefing após treinos livres e classificação, além de antes e depois da corrida. Neste sábado (8), o TL3 será às 13h30, ao passo que a classificação oficial está marcada para as 17h. Por fim, a largada está marcada para as 15h do domingo.

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