Na Garagem: fascista, pai de Mosley é nomeado ‘pior britânico do século’

Um especial produzido pela revista de história da BBC há dez anos indicou os ‘piores britânicos’ de cada um dos últimos de séculos, e Oswald Mosley, pai do ex-presidente da FIA, ‘venceu’ entre os candidatos do século XX

No meio do automobilismo, demorou para que Max Mosley fosse associado ao passado de seu pai, Oswald. Só, mesmo, quando o advogado britânico começou a ganhar destaque como chefe de equipe na F1 e, posteriormente, presidente da FIA entre 1993 e 2009.
 
De certa forma, um alento, uma vez que Sir Oswald Mosley não era exatamente bem visto no Reino Unido do pós-guerra.
 
Em 27 de dezembro de 2005, a revista de história da BBC divulgou os resultados de um especial que listava os piores britânicos da história. O trabalho consistiu em uma pesquisa junto a historiadores, que nomearam o pior britânico de cada século nos últimos 1000 anos.
 
E Oswald Mosley, para Joanna Bourke, professora do Birkbeck College, de Londres, mereceu o título do século XX.
Mosley ao lado do ditador italiano Benito Mussolini (Foto: Reprodução)
Envolvido com o mundo da política, ele foi o fundador da União dos Fascistas Britânicos nos anos que antecederam a Segunda Guerra Mundial. Também era bastante próximo dos nazistas alemães — tão próximo que seu segundo casamento, em 1936, aconteceu na casa da Joseph Goebbels e teve Adolf Hitler entre os convidados. Foi deste casamento, com Dianna, que nasceu Max, em 1940.
 
Durante a guerra, Mosley ficou preso sem julgamento por três anos, e, no pós-guerra, voltou a se envolver com a política do Reino Unido defendendo ideias bastante conservadoras, para não dizer preconceituosas. Dentre elas, reforçar políticas anti-migratórias, forçar a repatriação de britânicos que viviam no Caribe e proibir casamentos interraciais.
 
“Em sua morte, em 1980, seu filho Nicholas concluiu que seu pai foi um homem cuja ‘mão direita lidava com ideias grandiosas e a glória’, enquanto sua mão esquerda ‘deixou o rato sair do esgoto”, disse a professora Bourke, que reiterou que, em 2005, ainda via um impacto “nocivo” de Oswald na sociedade britânica.
Mosley foi um líder político no Reino Unido no século passado (Foto: Reprodução)
Em uma entrevista dada em 2000, Max falou a respeito de como conseguiu, por um bom tempo, desvencilhar-se da imagem de seu pai. “Sempre houve problemas até eu entrar no automobilismo. Em uma das primeiras corridas que eu disputei, havia a tabela de tempos. Todo mundo olhando os tempos viam o meu nome, e eu ouvi alguém dizer: ‘Mosley, Max Mosley… Deve ser parente do Alf Mosley, o fabricante de carroças’. E eu pensei comigo mesmo: ‘Achei um mundo em que não sabem do Oswald Mosley’. E sempre foi meio que assim no automobilismo: ninguém dá a mínima”, falou.
 
Para Mosley, no entanto, livrar-se das associações ao pai ficou mais difícil após 2008, quando ele foi pego em uma orgia de temática nazista com cinco prostitutas — as imagens foram divulgadas pelo tabloide ‘News of the World’. Hoje, Max está afastado das corridas, aparecendo apenas vez ou outra em alguma entrevista sobre a F1.

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