Na Garagem: Fittipaldi aproveita problemas de Regazzoni e é bi da F1 nos EUA

Emerson Fittipaldi chegou a Watkins Glen em 1974 precisando marcar Clay Regazzoni, com quem estava empatado em pontos. Problemas mecânicos no carro do suíço facilitaram a vida do brasileiro, bi da F1 exatos 45 anos atrás

Emerson Fittipaldi foi pioneiro no automobilismo. Isso não se discute: o brasileiro abriu portas para o país na Europa, sendo o primeiro a vencer corridas e campeonatos. O título pela Lotus em 1972 foi um divisor de águas. Dois anos depois, o segundo campeonato – esse, ainda mais apertado. Foi em 6 de outubro, exatos 45 anos atrás, que Emerson se consagrou bicampeão mundial ao capitalizar em cima de um dia infeliz do rival Clay Regazzoni.
 
O cenário antes da corrida era dos mais apertados. A vitória de Fittipaldi em Mosport, no Canadá, significou um empate com Regazzoni em 52 pontos. A situação era dura, mas com uma leve vantagem: caso nenhum dos dois pontuasse em Watkins Glen, no GP dos Estados Unidos, o título seria de Emerson pelo maior número de vitórias. O terceiro colocado, Jody Scheckter, também sonhava com o título. Precisava, entretanto, fazer o improvável e reverter uma desvantagem de 7 pontos num dia só.
 
A classificação certamente não bastaria para acalmar Fittipaldi ou trazer qualquer garantia a respeito de um título, mas trouxe um alento. Enquanto Carlos Reutemann fazia a pole, Emerson conseguia o segundo lugar no grid. Regazzoni, sem atuação brilhante, largaria em nono. Scheckter estava no bolo também, em sexto.
Emerson Fittipaldi assegurou o bicampeonato ao derrotar Clay Regazzoni (Foto: Forix)

Na largada, Reutemann sustentou a ponta. O resto da zona de pontos tinha ainda James Hunt, José Carlos Pace, Niki Lauda. Scheckter, Fittipaldi e Regazzoni fechavam o top-6. Os dois rivais diretos ficaram próximos na primeira curva, mas não houve ultrapassagem.

 
O que Regazzoni não poderia imaginar é que, independente da largada, a corrida já estava destinada ao fracasso. Ainda nas voltas iniciais, a Ferrari começou a perder dirigibilidade e se tornar imprevisível. Um pit emergencial, na esperança de resolver o imprevisto com pneus novos, só serviu para deixar Clay na rabeira do grid. Restavam duas tarefas para Fittipaldi: assegurar que Scheckter não ganhasse muito mais terreno e ser cauteloso para evitar problemas mecânicos.
 
Na ponta, Reutemann seguia tranquilo, com grande vantagem para Hunt, enquanto o inglês tinha a Brabham de Pace em seu encalço. Era boa notícia para Fittipaldi, já que Scheckter precisava vencer a qualquer custo.
Clay Regazzoni estava empatado com Emerson Fittipaldi, mas saiu derrotado (Foto: Mark´s Watkins)

E isso certamente não aconteceria. Não só pela distância para Reutemann, mas também porque o carro de Scheckter não aguentou. Ao fim da 44ª de 59 voltas, a Tyrrell encostou na beira da pista. O campeonato estava virtualmente decidido, já que Regazzoni aparecia quatro voltas atrás. Era questão apenas de esperar a bandeira quadriculada e fazer a festa.

 
E assim aconteceu. Com Fittipaldi em quarto e Regazzoni em 11º, o campeonato voltava a ser de um brasileiro. Parecia ser o primeiro capítulo de uma relação longeva e bem-sucedida com a McLaren, mas não foi bem assim. O bicampeão optou por embarcar na aventura da Copersucar ao fim de 1975. A chance real de seguir brigando com pilotos com Lauda, Hunt e Andretti por mais títulos foi trocada pelo sonho falho de erguer uma equipe brasileira de sucesso na Fórmula 1. Sem novas vitórias ou títulos, Emmo deixaria o grid ao fim de 1980.
 
Regazzoni teve destino pior: seriam apenas mais três vitórias na carreira, sem nunca voltar a ter a chance real de um título. A saída da F1 viria também em 1980, mas de forma mais sombria. Um acidente de graves proporções em Long Beach deixou Clay em uma cadeira de rodas para o resto da vida.
 

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