Na Garagem: Monza 1972 consagra Fittipaldi e coloca Brasil no mapa da F1

Emerson Fittipaldi se consagrou campeão da temporada 1972 da F1 em Monza. O piloto brasileiro, então na Lotus, apenas sacramentou a conquista que já vinha sedimentando durante todo o ano

O GP da Itália de 1972 foi o primeiro no qual o circuito italiano teve as chicanes colocadas no traçado. A primeira delas, no fim da reta de chegada, antes da Curva Grande. A segunda, antes da curva Valone. A segunda chicane, hoje, atende pelo nome de variante Ascari – em homenagem ao italiano bicampeão em 1952 e 1953.
 
Denny Hulme, campeão em 1967, começou o ano com excelente desempenho: o piloto da McLaren foi segundo na Argentina e venceu na África do Sul. O neozelandês, junto com Jackie Stewart, da Tyrrell, e Emerson Fittipaldi, da Lotus, iriam ser os postulantes ao troféu daquele ano. Havia uma diferença marcante entre os três: Hulme e Jackie já haviam sido campeões, enquanto o brasileiro era quase um novato na categoria, correndo a sua segunda temporada completa.
 
A Lotus acertou a mão na construção dos chassis 72D e brigava em igualdade com Tyrrell e Ferrari. Fittipaldi conquistou a primeira vitória no ano em Jarama, na Espanha. Ali, ele empatou com Hulme na tabela em 15 pontos e, depois disso, jamais deixou a ponta do campeonato. Da África do Sul até a Inglaterra, foram seis pódios seguidos, com direito a três vitórias.
 
Naquele ano, os pilotos contavam os cinco melhores resultados das seis primeiras corridas e os cinco melhores resultados das seis últimas. Fittipaldi tinha um carro veloz, mas também confiável. Além de ganhar duas corridas com grande vantagem, na Espanha e na Bélgica, teve apenas duas quebras em dez provas.
Emerson Fittipaldi antes da largada do consagrador GP da Itália (Foto: Lotus Cars)
Essa receita de velocidade e confiabilidade era infalível para quem quisesse ser campeão em uma era tão competitiva da F1 como o início dos anos 1970. A temporada de 1972 teve cinco vencedores diferentes apesar de ter 40% a menos de corridas do que a F1 atual. Fittipaldi também fazia a sua parte, poupando o carro e sabendo acelerar nas horas decisivas.
 
Mesmo com o abandono na Alemanha, ele mantinha confortáveis 16 pontos de vantagem para Stewart e 22 para Hulme. Hulme sofria com as quebras da McLaren e Stewart ficou de fora da prova na Bélgica por uma úlcera estomacal. Na segunda metade da temporada, os rivais trocaram de lugar: Hulme marcou quatro pódios e era Stewart quem sofria com quebras. Sem nada a ver com isso, o brasileiro da Lotus venceu na Áustria e tinha 52 pontos contra 27 dos rivais, até então empatados.
 
Desse modo, bastava a Fittipaldi ser quarto colocado em Monza para conseguir algo inédito: um tiítulo mundial para o Brasil, além de ser o primeiro sul-americano a realizar esse feito depois do lendário Juan Manuel Fangio. Uma enorme façanha.
Reunião dos pilotos antes do GP da Itália de 1972 (Foto: Lotus Cars)
Com as chicanes, os tempos de volta em Monza subiram quase 13s. O pole foi o belga Jacky Ickx, da Ferrari: 1min35s650. Chris Amon, da Matra, foi o segundo no grid com 1min35s690. Stewart foi o terceiro e Hulme, o quinto. Emerson partiu somente em sexto. Na terça-feira, o caminhão da Lotus sofreu um acidente e o brasileiro correu com um carro montado às pressas. No domingo, outro susto: um vazamento no tanque de gasolina quase tirou Fittipaldi da prova.
 
A equipe remendou o tanque e o carro ficou pronto apenas meia hora antes da corrida. Ickx e Amon pularam na frente e Stewart, com a transmissão quebrada ficou no grid mesmo. Um rival já estava fora. Com as Ferrari de Ickx e Clay Regazzoni desgarradas, Fittipaldi apenas segurava o terceiro posto. Era mais do que suficiente para ser campeão do mundo.
 
Ickx saiu da pista na volta 14 e, com isso, as Ferraris trocaram de posição e o suíço era o líder. Apenas dois giros depois, na volta 16, Regazzoni topou com a March de José Carlos Pace atravessada na pista e bateu no retardatário, abandonando a prova. Fittipaldi subia para segundo, somente atrás de Ickx. Na volta 46, o lance definidor da corrida e da temporada: uma pane elétrica faz parar a Ferrari do belga e o brasileiro assumia a ponta.
Emerson Fittipaldi na expectativa do GP da Itália em Monza (Foto: Lotus Cars)
Fittipaldi levou o carro por mais nove voltas até a bandeirada e foi coroado campeão do mundo. Na linha de chegada, Colin Chapman, o chefe de equipe da Lotus, o esperava para a sua tradicional comemoração: o chefe tinha por costume jogar a boina para o alto em cada vitória da Lotus. Diferentemente do título de Jochen Rindt, carregado de luto, o de Fittipaldi representou uma explosão eufórica de Chapman. Além disso, quem narrou o título de Emmo para o Brasil foi Wilson Fittipaldi, o pai do piloto.
 
A conquista abriu o caminho do Brasil na F1. Além do país do futebol e do basquete, o Brasil era também a “Pátria com rodas”. O título de Fittipaldi impulsionou a carreira de dois garotos: Nelson Piquet e Ayrton Senna. Junto, esse trio conquistou oito dos 20 títulos entre 1972 e 1991, além de outros quatro vice-campeonatos no período. O Brasil entrou definitivamente no mapa da F1.

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