Na Garagem: Panis sobrevive ao ‘resta um’ de Mônaco e vence na F1 pela única vez

Olivier Panis largou de 14º, teve ritmo e aproveitou a confusão generalizada na sua frente para vencer na Fórmula 1 pela única vez. Feito do francês completa 25 anos

Hamilton pega Verstappen na tática e vence: assista aos melhores momentos do GP da Espanha (GRANDE PRÊMIO com Reuters)

O dia 19 de maio de 1996 marcou uma das corridas mais insanas que a Fórmula 1 já viu, e com um vencedor absolutamente improvável. Olivier Panis, da Ligier, subiu ao lugar mais alto do pódio em Mônaco pela última vez na carreira, em uma corrida com apenas três carros cruzando a linha de chegada. Também foi a última vitória da equipe Ligier na categoria.

Campeão da Fórmula 3000 Internacional em 1993, Panis chegou na Fórmula 1 em 1994 pelo próprio time francês. Mesmo em uma equipe que não tinha condições de pontuar frequentemente, o francês deu seus pulos, com destaque para os pódios conquistados na Alemanha, em 1994, e na Austrália, em 1995. Quando chegou para disputar o GP de Mônaco de 1996, tinha pontuado apenas uma vez na temporada, no GP do Brasil.

Na classificação em Mônaco, Michael Schumacher levou a Ferrari para a pole-position. Em um circuito de difícil ultrapassagem, o alemão tinha a grande chance de vencer com a Ferrari pela primeira vez e pensar em quebrar a hegemonia vivida pela Williams e Damon Hill na temporada, que ficaram com o segundo lugar no grid. Panis alinhou no modesto 14º lugar.

Com a pista molhada, Hill superou Schumacher logo na largada. A corrida do alemão não duraria muito, já que acabou errando na entrada da Portier e bateu com a roda dianteira esquerda no muro. Além dele, outros pilotos como Jos Verstappen, Giancarlo Fisichella e Rubens Barrichello também não sobreviveram ao primeiro giro de corrida. Com menos de cinco voltas completadas, Ukyo Katayama e Ricardo Rosset também abandonaram, além de Pedro Paulo Diniz sofrer com problemas mecânicos.


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1996 Monaco GP: The Race with the Least Finishers
Damon Hill passou Schumacher na largada (Foto: Reprodução)

Com o abandono de Gerhard Berger, que era o terceiro colocado, na volta 10, Panis já surgia no 10º lugar. O francês foi arranjando ultrapassagens e escalando o pelotão, superando Mika Häkkinen e Johnny Herbert. Com melhor estratégia e a pista mais seca, surgiu no quarto lugar na volta 30.

Na volta 36, Panis fez o movimento que provavelmente garantiu a vitória: uma ultrapassagem ousada por dentro sobre Eddie Irvine na Loews. O norte-irlandês ficou preso e precisou da assistência dos comissários de pista para retornar. Olivier era terceiro.

As coisas passaram a ficar melhores para o francês na volta 40. Damon Hill, que liderou praticamente toda a corrida, sofreu uma quebra de motor e precisou abandonar. Panis era segundo. Jean Alesi caminhava para o que seria sua segunda vitória na Fórmula 1, mas um problema de suspensão o fez abandonar no giro 60. Daquele ponto, Panis passou a controlar a corrida, que ainda teve outros dois acidentes: Jacques Villeneuve e Luca Badoer colidindo, além de uma batida de trânsito entre Mika Häkkinen, Eddie Irvine e Mika Salo.

Olivier Panis, Ligier JS43 @ 1996 Monaco Grand Prix | Olivier panis, Monaco  grand prix, Grands
Olivier Panis comandando as ruas de Mônaco (Foto: Reprodução)

Com as duas horas de tempo de corrida completadas antes das 78 voltas, Panis cruzou a linha de chegada como vencedor pela única vez na Fórmula 1, com David Coulthard e Johnny Herbert – os únicos a cruzarem a linha de chegada junto de Olivier – no pódio. O piloto fez questão de exibir a bandeira francesa nas ruas do principado. Foi a última vitória do país na Fórmula 1 até o triunfo de Pierre Gasly, no GP da Itália de 2020.

“Acho que nunca vou esquecer dos sons das sirenes dos iates na baía e os fogos de artifício soltados durante minha volta de honra. Depois, me entregaram a bandeira da França, não resisti. Desde que vi o Prost fazendo, sempre quis ver isso acontecer de novo, mas como poderia imaginar que seria a minha vez, no circuito que sempre significou tanto para mim. De fato, foi quando notei que venci, de 14º no grid. Pensei que poderia chegar nos pontos, no melhor dos casos no pódio, mas dificilmente a vitória. Dito isso, não é uma surpresa pelo que andamos no fim de semana. O chassi e o motor foram competitivos, e o mais crucial, foram fáceis de guiar. Isso é crucial aqui”, comentou Panis após a vitória.

“Minha posição de grid ruim veio por um problema técnico que aconteceu no pior momento possível. Em todas as outras sessões, estive em boa posição. Dada a condição do tempo, fomos para uma estratégia arriscada de uma parada e enchendo o tanque ao mesmo tempo. Foi apertado e o time me informou constantemente sobre a quantidade de combustível que eu tinha. Tive de manter o olho no consumo enquanto atacava para manter David Coulthard atrás. Para as 75 pessoas do meu time, essa vitória vai ser fonte de motivação e prova que temos capacidade de atacar”, completou.

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