Na Garagem: Primeira pole de Barrichello veio sob chuva e com chicane na Eau Rouge

No dia 28 de agosto de 1994, Rubens Barrichello largou pela primeira vez na carreira na F1 na pole-position. O feito aconteceu na etapa da Bélgica, em Spa-Francorchamps. O brasileiro obteve a posição de honra depois de uma classificação perfeita no sábado

Há 21 anos, por conta dos acidentes fatais com Ayrton Senna e Roland Ratzenberger em Ímola e a grave batida de Karl Wendlinger, logo na corrida seguinte, em Mônaco, a F1 vivia tempos de transição. Mudanças de segurança nos capacetes, nos carros e também nas pistas. E uma das alterações mais significativas aconteceu no GP da Bélgica.

A sequência de curvas Eau Rouge-Radillon foi substituída por uma chicane no final da descida dos boxes antigos. Além disso, a direção do GP belga colocou uma variante na saída da curva Bus Stop. Com isso, os tempos de volta da já extensa pista de Spa-Francorchamps subiram em torno de 12 segundos em relação aos tempos de volta obtidos em 1993.
 
No campeonato, após dez etapas, Michael Schumacher havia colecionado sete vitórias, um segundo lugar e uma desclassificação na Inglaterra — a bandeira preta custou seis pontos em Silverstone. Damon Hill fazia uma temporada irregular, apesar de pilotar uma Williams: duas vitórias, quatro segundos lugares e um sexto posto no fatídico GP de San Marino. Assim, a tabela mostrava 76 x 45 para o alemão da Benetton. Se o inglês queria virar o jogo, precisava reagir já na Bélgica.
 
Curiosamente, ambos tinham bom retrospecto em Spa-Francorchamps: Hill vencera em terras belgas em 1993; Schumacher, cuja estreia aconteceu nessa mesma pista em 1991, ganhara o GP belga em 1992 com uma Benetton apenas mediana. No entanto, a estrela daquele fim de semana de 26 a 28 de agosto de 1994 não seria nenhum dos postulantes ao caneco. Quem brilhou com a pequenina Jordan foi um novato chamado Rubens Barrichello.
Rubens Barrichello crava a primeira pole na Bélgica (Foto: Paolino Saronni/Forix)
Barrichello fazia um bom ano pela Jordan. Esperava-se que a equipe irlandesa brigasse apenas para ser a sétima força do ano, atrás das quatro grandes — Williams, Benetton, McLaren e Ferrari — e também da Sauber e da Ligier. No entanto, após duas etapas Schumacher liderava a tabela com 20 pontos e o segundo lugar era do surpreendente Barrichello com um quarto lugar no Brasil e um terceiro no GP do Pacífico, a segunda etapa do Mundial.
 
Depois das 16 provas da temporada, a Jordan foi aos pontos dez vezes: seis delas com Barrichello, três vezes com Eddie Irvine e uma com Andrea de Cesaris em Mônaco – o italiano usou a vaga de Irvine, suspenso por três corridas por conta de um acidente em Interlagos. Barrichello acabaria o ano em sexto, com 19 pontos, a apenas sete de Mika Häkkinen, quarto no Mundial de Pilotos
 
Marcando 28 pontos, a Jordan fechou a temporada na quinta posição entre os Construtores, com mais pontos que a sexta (Ligier) e a sétima (Tyrrell) somadas. Mas o grande momento da Jordan naquela temporada aconteceu em uma corrida onde a equipe não pontuou.
 
Provas chuvosas são algo bastante usual na Bélgica, e na sexta-feira Barrichello surpreendeu toda a F1 ao cravar o tempo de 2min21s163, cerca de 331 milésimos de segundo mais rápido do que Schumacher debaixo de muita água. Hill foi terceiro, com 2min21s681. Com a pista secando, só três pilotos resolveram sair com pneus slicks: Jean Alesi, Schumacher e Barrichello. Como prêmio pela ousadia, o brasileiro fechou a sexta-feira em primeiro.
 
Faltando menos de um minuto para o fim da sessão de sábado, ninguém havia melhorado o tempo de Barrichello. Só Schumacher ainda iria fechar uma volta rápida e o brasileiro tinha ao menos o segundo posto no grid. As parciais de Schumacher eram um pouco melhores que as do piloto da Jordan, mas uma escorregada na entrada da Bus Stop custou meio segundo ao alemão. Foi uma enorme festa nos boxes para Barrichello. Quem também estava feliz era Eddie Jordan: naquele fim de semana, a Jordan apareceu mais na TV do que as outras dez provas somadas.
 
Rubens fez uma largada correta e sustentou a ponta após o grampo no fim da curta reta de Spa e segurou Schumacher até a chicane na Eau Rouge. Mas não havia braço capaz de deter o motor Ford de Schumacher na briga contra o modesto Hart de Barrichello. Nas voltas seguintes, ele foi ultrapassado por Hill, David Coulthard, na outra Williams, e por Jos Verstappen, companheiro de Schumacher na Benetton.
Barrichello passa pelo trecho onde a torcida fez homenagem a Senna (Foto: Getty Images)
O brasileiro andou entre os seis primeiros por quase metade da prova. Com as paradas dos líderes, o Jordan #14 andou em segundo por quatro voltas. Após fazer sua parada, Barrichello estava em quinto no giro 20. Rubens estava com uma estratégia de apenas um pit-stop e sonhava com outro pódio. Mas esse desejo acabou em batida e abandono. Apesar disso, o saldo era muito positivo: Barrichello foi a estrela do fim de semana.
 
Schumacher, imbatível, ganhou a oitava no campeonato com 13 segundos de vantagem para Hill. Mas não levou: o assoalho de madeira do carro do alemão estava com a espessura menor do que a prevista pelo regulamento. Além da desclassificação, Schumacher amargou a condenação por não obedecer a uma punição na Inglaterra e foi excluído dos GPs da Itália e de Portugal. A diferença de 31 pontos virou pó em três corridas e quando a F1 chegou a Jerez, a tabela mostrava 76 x 75 em favor de Schumacher.

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