Na Garagem: Prost confirma 1° título em Brands Hatch e acaba com pecha de vice

Alain Prost precisava apenas pontuar mais que Michele Alboreto no GP da Europa de 1985 para ser campeão da F1. Com o francês em quarto e o italiano abandonando, ficou tudo fácil. A corrida em Brands Hatch marcou também a primeira vitória de Nigel Mansell

Antes de virar um piloto consagrado, com quatro títulos e espaço garantido no hall de gigantes da Fórmula 1, Alain Prost precisou sofrer para ser campeão. Vindo de dois vices em 1983 e 1984, a temporada 1985 era a grande chance. Na terceira tentativa, Prost não deu bobeira e confirmou a conquista exatos 35 anos atrás, em 6 de outubro de 1985 em Brands Hatch.

Antes de 1985, Prost passou por duas temporadas em que podia ser campeão, não fossem alguns detalhes. Em 1983, abandonos repetidos no fim da temporada entregaram a Nelson Piquet um título que parecia perdido. Em 1984, quase a mesma história: resultados inconstantes permitiram reação tardia de Niki Lauda. Em 1985, o adversário era Michele Alboreto: o francês tinha 69 pontos contra 53 do italiano antes do GP da Europa em Brands Hatch. Bastava terminar à frente e na zona de pontos, independente da posição, que Alain seria campeão antecipado.

Só que a situação de Alboreto era até mais preocupante do que a pontuação, precária, já indicava. O piloto da Ferrari vinha de dois abandonos seguidos e sofrendo para encaixar uma sequência de bons resultados, enquanto o da McLaren tinha nada menos do que nove pódios nas últimas dez corridas. Seria necessário uma grande virada na maré para o campeonato ganhar nova cara.

Michele Alboreto abandonou e viu Alain Prost ser campeão (Foto: Reprodução/TV)

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O treino classificatório já mostrou que seria difícil. A McLaren não estava brilhante, mas andava bem melhor que a Ferrari. Prost conseguiu o sexto melhor tempo, enquanto Alboreto conseguiu o 15°. A primeira fila, por sua vez, era 100% brasileira: Ayrton Senna em primeiro, Nelson Piquet em segundo.

A corrida começou bem para Senna, que seguiu líder. Keke Rosberg subiu para segundo, com Piquet em terceiro e Nigel Mansell em quarto. Mais atrás, reviravolta no campeonato: Prost teve largada péssima e caiu para 14°, enquanto Alboreto subia para nono. O resultado de momento levava a disputa pelo título para a África do Sul.

A prova ganhou nova cara na sexta volta. Rosberg e Senna se tocaram na briga pela liderança, com o finlandês rodando. Piquet acertou o rival, quebrando sua suspensão e furando o pneu da Williams. Keke fez pit-stop e voltou quase uma volta atrás. Além disso, irritado com Ayrton.

Em busca de justiça, Rosberg não abriu caminho quando estava para levar volta. Pelo contrário: segurou Senna de propósito, o que permitiu ultrapassagem de Mansell. O britânico liderava em casa, enquanto o finlandês realizava seu desejo de vingança.

Nigel Mansell celebra a primeira vitória na F1 (Foto: Reprodução/TV)

Mais três voltas e a corrida teve um acontecimento importante. Prost já tinha subido para sétimo, ficando com Alboreto logo à frente. O italiano veio aos boxes, aparentemente apenas para trocar pneus, mas havia algo de errado no carro. Na altura do 13° giro, o motor da Ferrari começou a pegar fogo, forçando abandono imediato.

Prost ainda não era campeão, mas a situação ficava muito mais simples. Bastava terminar em quinto, cuidando do equipamento. E o francês sabia fazer isso como poucos.

A prova chegava à segunda metade ainda com Prost sem brilhar, mas com uma mudança importante. O francês fez um pit-stop e caiu momentaneamente para sétimo, mas agora em tendência de alta. Uma série de voltas rápidas, aliada a abandonos e outros pits, ajudou o piloto da McLaren a aparecer em terceiro na volta 63 de 75.

Nigel Mansell e Alain Prost, as estrelas do dia, se cumprimentam (Foto: Reprodução/TV)

Sem forçar muito, Prost ainda perdeu o terceiro lugar para Rosberg nas voltas finais. As duas primeiras posições seguiam inalteradas, com Mansell líder e Senna em segundo.

A corrida chegou ao fim, consolidando a primeira vitória de Mansell na F1, e logo frente ao público britânico. Só que a festa era toda de Prost: com três pontos somados, Alboreto não tinha mais como alcançar a liderança. Alain era campeão mundial.

A reação à corrida dependia de seu país. Na França, a festa girava toda ao redor do primeiro campeão vindo do país em 35 anos de F1. No Reino Unido, a tão aguardada primeira vitória de Mansell significava a esperança de um novo ídolo após a aposentadoria de John Watson.

1985 também marcou, de certa forma, o fim de uma era na F1. Entre 1986 e 1993, quatro pilotos marcariam todas as disputas por título: Prost, Mansell, Senna e Piquet. Alboreto foi o último fora do quarteto a pelo menos sonhar com o caneco antes de Michael Schumacher em 1994. A chance desperdiçada nunca mais voltaria para Michele, que teria lenta derrocada na F1.

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