F1

Na Garagem: Todt pede chefes mais jovens e com ideias novas para estagnada F1

Há dez anos, em uma entrevista publicada pela revista britânica ‘Autosport’, o hoje presidente da FIA pedia uma renovação dos dirigentes das equipes. O francês acreditava que eles apresentavam poucas ideias novas nas reuniões da ‘estagnada’ F1
Warm Up / RENAN DO COUTO, de São Paulo
 Presidente da FIA, Jean Todt é figurinha carimbada no paddock da F1 (Foto: Getty Images)
Faz dez anos que, em uma entrevista publicada pela revista britânica ‘Autosport’, Jean Todt pedia uma renovação entre os dirigentes das equipes da F1.
 
Então com 59 anos, o francês era o diretor-esportivo da Ferrari e, na entrevista, criticou a ausência de ideias novas entre seus colegas. Segundo ele, nas reuniões entre os chefes de equipe a respeito do futuro do esporte, muito pouco progresso era feito. Na época, a venda da F1 para o grupo de investimentos CVC havia acabado de ser concluída.
 
“Diga-me o que sai dessas reuniões? Nada. Se a gente quiser mover uma xícara, leva horas. E, no final, não se move a xícara. A F1 é um grande negócio, um grande esporte, um show fantástico. Tem seus altos e baixos, mas eu ainda penso que é um negócio fascinante. Mas acho que a maioria das pessoas no comando são velhas demais, e deveríamos mudar, atualizar. Incluindo eu, é claro. Fico feliz quando vejo gente nova chegando, sorrindo, tendo boas ideias e se mostrando aberto. É disso que eu acho que a F1 precisa”, afirmou Todt.
Todt deixou a chefia da Ferrari, mas continua em posição de destaque na F1 (Foto: Getty Images)
De fato, Todt deixou a chefia da Ferrari pouco depois. A passagem de bastão para o 19 anos mais novo Stefano Domenicali teve início ao final da temporada 2007, e Todt deixou de vez as funções em abril de 2008. Hoje, no entanto, aos 69, segue envolvido com a F1 no cargo de presidente da FIA.
 
Curiosamente, a fala de Todt a respeito da produtividade das reuniões de dirigentes parece bastante atual. Essa queixa tem sido frequente após os encontros do Grupo de Estratégia de F1, embora, de fato, uma nova geração de chefes tenha surgido.
 

Em 2005, a média de idade dos chefes era de 59,9 anos. Os mais velhos eram Tsutomo Tomita, da Toyota, com 65, Frank Williams, com 63, e Peter Sauber, 62. O mais novo, Christian Horner, de apenas 32.
 
Por mais que, oficialmente, Frank ainda seja o chefe da Williams e Peter continue proprietário da Sauber, não são os dois que comandam o dia-a-dia das escuderias. Nem Ron Dennis na McLaren. Eles passaram o bastão, assim como vários outros dirigentes.
 
Hoje, os chefes mais velhos são Franz Tost e Vijay Mallya, 59 anos, e Maurizio Arrivabene, 58. A mais nova, Claire Williams, 39. E a média de idade fica na casa de 48,9 anos.
 
Quem realmente não largou o osso foi o dirigente que une todas as pontas e faz o Mundial acontecer: Bernie Ecclestone. Com seus recém-completados 85 anos, o britânico segue firme e forte como o todo-poderoso da F1.