Na Garagem: Xangai testemunha última vitória de Schumacher na F1

Foi no dia 1º de outubro de 2006 que Michael Schumacher venceu pela última vez na vitoriosa carreira que construiu na F1. O maior ganhador da história celebrou em Xangai, na China, o triunfo de número 91

O alemão Michael Schumacher é o maior vencedor da história da F1. Dessas 91 conquistas, 72 foram com a Ferrari, sendo que 55 delas aconteceram entre 2000 e 2006, período no qual Schumacher obteve cinco títulos mundiais e um vice-campeonato.

 
A última delas é bastante significativa. Às vésperas de completar 38 anos, o ferrarista enfrentava o maior desafio de sua carreira. Fernando Alonso, um espanhol de apenas 25 anos, havia tomado o título no ano anterior com a Renault e rumava para o bicampeonato, ameaçando a soberania de Schumacher e da Ferrari sobre a F1.
 
Do início do ano até a nona etapa, no GP do Canadá, na metade da temporada, quem mandou no Mundial foi Alonso: nessas nove etapas, o espanhol da Renault obteve seis vitórias e três segundos lugares. Um desempenho à beira da perfeição. Nessas etapas, sofrendo com o desempenho dos pneus Bridgestone, Schumacher venceu duas provas e foi segundo colocado em outras quatro. Após a corrida em Montreal, o espanhol já tinha 25 pontos de vantagem.
 
Tudo mudou a partir do GP dos EUA, abertura da segunda fase do campeonato. O heptacampeão emendou três vitórias seguidas e, após o GP da Alemanha, havia reduzido essa diferença para 11 pontos. Na Hungria, ambos foram mal: Schumacher foi apenas oitavo, Alonso abandonou e Jenson Button obteve a primeira vitória na carreira. 
 
Erros de Schumacher na Turquia permitiram a Alonso abrir mais dois pontinhos na tabela. A sorte sorriu para o alemão na Itália: o motor de Alonso explodiu e, com o triunfo em Monza, o Michael encurtou a diferença para apenas dois pontos. Foi nessa mesma corrida que Schumacher anunciou a sua primeira aposentadoria da F1.
Fernando Alonso no GP da China (Foto: Ferrari)
Faltavam apenas três etapas: China, Japão e Brasil. Xangai favorecia o carro da Renault. Assim, todos esperavam que Alonso conseguisse manter a vantagem e chegar a Interlagos na frente na tabela do Mundial de Pilotos. 
 
Nos treinos, a confirmação desse favoritismo: Alonso marcou a pole com o tempo de 1min44s360, com uma sessão em pista molhada. Giancarlo Fisichella desempenhou com eficiência o papel de escudeiro e garantiu o segundo posto no grid com a marca de 1min44s992. As duas Honda, em boa temporada, surgiram em terceiro com Rubens Barrichello e quarto com Button. Schumacher foi apenas sexto, com o tempo de 1min44s775, atrás até da McLaren de Kimi Räikkönen.
 
Como todos esperavam, as Renault arrancaram na frente por conta da melhor tração do carro e dos pneus Michelin. Schumacher se defendia dos ataques de Pedro de la Rosa, da McLaren, e mantinha o sexto lugar, enquanto Räikkönen partia com tudo para cima das Honda e já era o terceiro ao fim da primeira volta. Punido por conta de uma troca de motor, Massa largou em 20º, mas já era o 17º ao fim do primeiro dos 56 giros.
 
Schumacher passou Barrichello na volta nove, para assumir o quinto lugar. Apenas três passagens depois, a vítima do alemão seria Button, na outra Honda. O próximo da lista de ultrapassagens seria Fisichella, a quem Räikkönen havia deixado para trás ao mesmo tempo que Schumacher passava Button. O alemão alcançou o italiano da Renault na volta 17. Dada a dificuldade dos pneus Bridgestone em render bem na chuva, o desempenho de Schumacher era espantoso.
 
Alonso foi aos pits na volta 22. Em condições de pista pouco molhada e baixa temperatura, os pilotos preferiam manter os pneus ainda que gastos a trocar por compostos novos, mas frios. Reclamando de uma avaria nos pneus dianteiros, o espanhol pediu a troca – os pneus traseiros não foram trocados e o Renault #1 voltou à pista.
 
Com o desempenho caindo dramaticamente, o espanhol viu o alemão transformar os 25s de vantagem antes do pits em pó. Fisichella tentava defender Alonso, mas o espanhol nada podia fazer a não ser deixar ambos passarem. A pista secava, mas os pneus slicks não eram viáveis. Robert Kubica arriscou e se deu mal, rodando na volta 25. Alonso torcia para que o traçado ficasse menos molhado e, assim, ele pudesse trocar os pneus. Ele estava girando em 1min44, enquanto Schumacher e Fisichella eram 3s mais velozes.
 
Foi Nico Rosberg, parando na volta 32, quem alertou o pelotão: a pista estava seca o suficiente para pneus slicks. Quando Alonso parou, um problema causou um atraso no pit e, o espanhol voltou 54s atrás de Schumacher. Fisichella segurava a ponta, pois Schumacher havia parado na volta 39. Fisichella tracionou mal ao sair dos pits e viu Schumacher ganhar a primeira posição na volta 40.
 
Massa, numa corrida turbulenta, sempre abaixo do quinto posto, não conseguiu ajudar a Ferrari na luta pelo Mundial de Construtores. O abandono do brasileiro, após um incidente com David Coulthard na volta 44, permitiu à Renault passar à frente no campeonato das equipes.
 
Quando faltavam 10 voltas para o fim da prova, Alonso começou a tirar a diferença de 14s para Fisichella. Schumacher estava 6s à frente do italiano, por sua vez. Em apenas duas voltas, ele alcançou Fisichella e estava a 12s6 do rival alemão. Mas a chuva voltou a cair em Xangai na volta 51, a cinco do final, e os pneus Michelin de Alonso agora faziam diferença.
Michael Schumacher venceu Alonso no GP da China (Foto: Ferrari)
Schumacher sustentou a ponta e venceu a 91ª corrida na F1 com meros 3s de vantagem para Alonso. Mais duas voltas e Alonso talvez conseguisse a ultrapassagem. Ninguém imaginava que seria sua última vitória na F1 – o abandono de Schumacher no Japão praticamente garantiu o bicampeonato de Alonso e, no Brasil, o alemão foi apenas quarto colocado. Na sua segunda passagem pela F1, Schumacher dirigiu uma Mercedes mediana e foi superado por Rosberg.
 
No parque fechado, Schumacher vibrou como criança, abraçando os mecânicos. A esfuziante comemoração fazia sentido. Com a conquista, eles empataram em 116 pontos, mas Schumacher liderava o campeonato por ter uma vitória a mais. Foi a última vez que o heptacampeão regeu o hino italiano para que os mecânicos da Ferrari cantassem.

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