Nasr diz que foi “exercício mental enorme” manter concentração em meio a disputa judicial da Sauber

Felipe Nasr afirmou que foi complicado manter a cabeça no lugar para fazer sua primeira classificação na F1 com toda a polêmica que rondou os boxes da Sauber nos últimos dias

Manter a calma para guiar o carro no primeiro treino classificatório da carreira na F1 não foi nada fácil, afirmou Felipe Nasr. O estreante vai largar na 11ª colocação no GP da Austrália deste domingo (15), em Melbourne.

Na última semana, a Sauber encarou uma tensa disputa judicial que foi vencida pelo holandês Giedo van der Garde. Isso deixou o time na delicada situação de ter três pilotos para apenas dois carros. Houve a ameaça de confisco dos bens da escuderia suíça e até se sugeriu a prisão da diretora-executiva Monisha Kaltenborn.

Felipe Nasr durante a classificação do GP da Austrália (Foto: Getty Images)

Nasr, piloto de 22 anos, precisou se esforçar para ficar com a cabeça no lugar. Ele sequer pôde andar no primeiro treino livre de sexta-feira por causa das ações que tramitavam nos tribunais australianos. Entretanto, recuperou-se bem na tomada de tempos.

"Poderíamos ter extraído mais performance, mas, considerando a situação, foi um grande esforço de todos continuar fazendo seu trabalho, então estou feliz", disse o brasileiro. "Para mim, foi um enorme exercício mental continuar trabalhando para poder me classificar, pois eu não sabia o que ia acontecer." 

Eu tentei manter a mesma força e apenas pilotar o carro. Não foi ideal passar por tudo isso no meu primeiro fim de semana de GP. Simplesmente não faz sentido. Mas devo ficar feliz depois de tudo isso. Só mais um décimo e eu estaria no Q3", destacou.

Entenda o 'caso Van der Garde'

A história remonta o fim do ano passado. Ainda com o campeonato em andamento, a Sauber anunciou a contratação de Marcus Ericsson, então sem poder correr pela Caterham— que se ausentou de duas das últimas três provas temporada. Era o primeiro sinal de que a equipe não honraria um dos contratos então em vigor. Tanto Adrian Sutil quanto Giedo van der Garde tinham acordos válidos para 2015. Os dois pilotos tiveram a exata noção de que não serviam mais quando Felipe Nasr foi confirmado.

Sutil e Van der Garde foram devidamente comunicados. Por SMS. O alemão reclamou, mas deixou quieto; o segundo, não. O segundo foi levar o desaforo à Justiça suíça. Em dezembro, os tribunais helvéticos deram ganho de causa ao holandês. Mas em nenhum momento a Sauber fez qualquer menção para cumprir a ordem.

Van der Garde, então, iniciou uma preparação física como nunca fizera em sua vida. Sem poder guiar carro algum, aguardou calado a pré-temporada da F1 e notou que a Sauber não errou a mão de novo como fez em 2014. Se o azul e amarelo C34 não é o mais rápido do grid, ao menos anda no meio do pelotão. 

No fim de semana passado, Van der Garde, pessoas próximas e seu advogado viajaram para Melbourne. Na segunda-feira, deram entrada com uma

ação na Corte do estado de Victoria para tentar garantir o que lhe era de direito e havia sido confirmado pela Justiça da Suíça.

Foi quando a Sauber mostrou ao mundo claramente que tinha feito algo de muito errado. Em vez de questionar alguma brecha no contrato que Van der Garde não haveria cumprido, o advogado de defesa partiu para alegações pueris, da qual a maior se evidenciava num "inaceitável risco de morte" que o piloto corria por nunca ter andado no carro. Ali também levantou-se a questão da superlicença que Giedo não tinha, mas o próprio havia confirmado que pedira à Federação Nacional de Automobilismo da Holanda.  

A Corte australiana deu evidente ganho de causa a Van der Garde. Depois de pensar, a Sauber resolveu apelar do resultado

Na quinta-feira, a tal apelação da equipe repetiu exatamente a mesma linha de defesa. Os advogados de Van der Garde deitaram e rolaram e trouxeram mais detalhes do caso: tanto o acordo do piloto era válido que a Sauber escreveu para o Quadro de Reconhecimento de Contratos — órgão da FIA que regula a questão — que ele fora encerrado em 6 de fevereiro deste ano, isto é, a Sauber negociou e anunciou Nasr e Ericsson quando Van der Garde ainda era seu piloto de fato.

Mas este comunicado de término de contrato acabou tendo valor no caso.

Novamente vitorioso nesta segunda instância, Van der Garde entrou com outra ação na Corte australiana: o chamado 'contempt of court' era o pedido para que a Sauber cumprisse devidamente o que foi estabelecido. A solicitação foi pesada: se o time de Monisha Kaltenborn não obedecesse, os carros e outros itens seriam confiscados nos boxes do circuito Albert Park e a chefe poderia ser presa.

O julgamento acabou arrastado para o sábado em Melbourne, e neste ínterim, Van der Garde apareceu no circuito à paisana, não conseguiu entrar no paddock com a credencial que tinha, esperou 25 minutos até passar pela catraca, foi à garagem da Sauber, viu os mecânicos lhe darem as costas e saírem em debandada, vestiu o macacão de Ericsson e ficou do lado do seu carro, tirou a roupa e foi embora: justamente porque a sua superlicença não havia sido emitida, já que o QRC ainda entendia que o piloto não tinha um contrato.

O choque da Sauber ao receber Van der Garde (Charge: Rodrigo Berton)
Precavida, Monisha deu ordem para que os carros não deixassem os boxes no treino livre 1; no segundo, Nasr e o sueco puderam ir à pista.

Nos bastidores, Sauber e Van der Garde iniciaram tratativas para chegar a um acordo. E por trás de toda história, há o interesse do sogro de Van der Garde, Marcel Boekhoorn, em comprar a Sauber. Em novembro, o empresário cuja fortuna é avaliada em quase R$ 6 bilhões esteve na sede da equipe suíça para negociar. Voltou em seu helicóptero de luxo com um não na cara e uma meta a cumprir.

GRANDE PRÊMIO vai acompanhar AO VIVO e em TEMPO REAL, neste domingo, o GP da Austrália de F1. A largada será às 2h (de Brasília).

 

As imagens do sábado da F1 em Melbourne
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O ano virou, mas o domínio da Mercedes e de Lewis Hamilton continua o mesmo. O atual campeão mostrou força e venceu a primeira batalha interna da temporada 2015, ao conquistar com maestria e frieza a pole-position para o GP da Austrália. A Williams recuperou seu posto de melhor do resto com Felipe Massa. Com uma volta precisa nos instantes finais, o brasileiro virou 1min27s718 e garantiu o terceiro lugar. Já o outro Felipe, o Nasr, passou muito perto do Q3 e vai sair em 11º neste domingo, na estreia na F1.

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