Mazepin cita surpresa com dispensa, mas descarta reaver vaga na Haas na justiça

Russo explicou que tinha sido informado pela equipe que, se a presença de pilotos da Rússia fosse liberada pela FIA (Federação Internacional de Automobilismo), nada mudaria. Mazepin frisou que teve o sonho destruído e anunciou a criação de uma fundação para apoiar atletas que não podem competir por causa do conflito na Ucrânia

HAAS SEM MAZEPIN. E FITTIPALDI? + TESTES DA FÓRMULA 1 NO BAHREIN | Paddock GP #277

Nikita Mazepin afirmou que soube pela imprensa da dispensa da Haas. O piloto de 23 anos afirmou que não havia razão para perder a vaga, uma vez que a FIA (Federação Internacional de Automobilismo) permitiu que pilotos da Rússia continuem competindo sob bandeira neutra, mas descartou recorrer à justiça para reaver a vaga.

Mazepin perdeu o lugar ao lado de Mick Schumacher na esteira do conflito entre Rússia e Ucrânia. Apesar de a FIA ter permitido a participação de russos nos campeonatos, a Haas, que já tinha suprimido a marca do patrocinador e as cores da bandeira russa durante os testes em Barcelona, optou por encerrar o contrato com o piloto e também com a Uralkali, a patrocinadora que é de propriedade do pai de Nikita, Dmitry.

Nikita Mazepin afirma que soube pela imprensa que perdeu a vaga (Foto: Haas)

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Em entrevista coletiva concedida em Moscou na manhã desta quarta-feira (9), Mazepin afirmou que estava disposto a correr sob bandeira neutra, mas sequer teve essa opção.

“Não tinha razão legal para a equipe encerrar o contrato a partir do momento que a FIA nos deixou correr com bandeira neutra. Eu aceitei ser neutro e queria assinar uma carta para isso, mas não me deram tempo”, disse Mazepin. “Fiquei sem o sonho pelo qual lutei por 18 anos da minha vida e sem defesa para isso”, seguiu.

Há 14 dias, o mundo acompanha atentamente o desenrolar da invasão da Rússia ao território ucraniano. De acordo com a ACNUR, a agência da ONU para Refugiados, mais de 2 milhões de pessoas já deixaram a Ucrânia, mas esse número pode saltar para até 5 milhões.

Em resposta, o ocidente aumenta cada vez mais as sanções impostas a Rússia. Na terça-feira (8), os Estados Unidos anunciaram a proibição total da importação de petróleo, gás e carvão da Rússia. O Reino Unido, por outro lado, vai eliminar gradualmente o uso de petróleo russo até o final do ano, enquanto a União Europeia quer cortar em dois terços a demanda por gás russo.

“O mundo não é o mesmo de há duas semanas. Eu sei e entendo. É um tempo difícil, tenho amigos nos dois lados do conflito e nada é comparável a isso”, reconheceu Nikita. “Não quero falar disso, só falo do que me disseram na semana passada, que parava quando a FIA e o Conselho Mundial me poderia continuar com base neutra e eu aceitei incondicionalmente, então a decisão da Haas de acabar com o contrato unilateralmente não foi tomada por sanções ou por uma autoridade esportiva, ou por mim, pelo meu pai ou pela empresa dele, e não acho que isso seja bom”, frisou.

Nikita aproveitou, ainda, para agradecer a pilotos como Sergio Pérez, Valtteri Bottas, Charles Leclerc e George Russell. “Eles me ligaram para me incentivar e apoiar, o que foi muito importante, pois a viagem para a F1 é muito longa para todos, com riscos, e eles acompanharam essa perda do meu sonho”, revelou.

“A equipe me disse que se a FIA deixasse, não haveria problema. Eu acreditava 100% nas palavras de Steiner, alguém que respeitava como homem e chefe de equipe, mas não ouvi nada da equipe de que isso ocorreria. Soube da minha dispensa, como todo mundo, pela imprensa. Eu não merecia isso”, acrescentou.

Mazepin afirmou que ainda se vê na Fórmula 1 no futuro, mas revelou que vai se dedicar a Fundação ‘We Compete As One’ (‘Competimos como um’, em tradução livre), que pretende utilizar os recursos que a Uralkali cobra de volta da Haas para apoiar atletas que não podem competir por causa do conflito entre Rússia e Ucrânia.

“Não vejo a F1 como um capítulo encerrado, estarei sempre fisicamente pronto caso a oportunidade apareça, e não estou olhando para outras categorias”, avisou. “Só vou dedicar meu tempo a esta fundação, onde posso ser útil, onde posso tornar o mundo mais amigável e mais seguro para esportistas como eu, que não podem receber a ajuda que eu vou lhes dar, por causa daqueles que destruíram suas carreiras e vidas por coisas assim”, sublinhou.

Por fim, mesmo destacado que não vê base legal para o rompimento do contrato, Mazepin descartou recorrer à justiça para ficar com a vaga.

“Não quero ir onde não me querem. Não posso voltas à Haas, mesmo que haja uma oportunidade legal. A F1 é perigosa para fazer isso”, justificou. “Este trabalho é complicado, você está sob muitos focos e nunca imaginei que perderia a vaga desta forma. No último teste, só pensava em correr e iniciar o Mundial”, recordou. “Não sei o que vai acontecer com a vaga. Mas desejo sorte a quem ficar com ela, que faça um bom trabalho, pois não tem nada a ver com isso”, concluiu.

A Haas ainda não confirmou quem será o substituto de Mazepin. Por enquanto, a escuderia de Gene Haas anunciou apenas Pietro Fittipaldi para os testes do Bahrein, mas deixou claro de que gostaria de ter um piloto experiente no carro.

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