F1

Nova boa corrida da F1 não é por acaso: FIA indica ‘deixa rolar’ nas disputas

Não há relação direta envolvendo punições e qualidade das corridas, mas é inegável que a Fórmula 1 deu um tempo no ambiente pesado ao ser mais permissiva com disputas de pista. Os momentos empolgantes de Max Verstappen com Charles Leclerc, tanto na Áustria quanto na Inglaterra, viraram exemplo de o que a F1 tenta ser

Grande Prêmio / VITOR FAZIO, de Porto Alegre
A Fórmula 1 reviveu nas últimas semanas. O abismo do GP da França, um dos mais chatos dos últimos anos, virou história do passado após corridas na Áustria e na Inglaterra que tiveram disputas intensas e resolvidas na marra. Ninguém precisa pensar muito para perceber qual é o ponto em comum entre as boas corridas: o fato de que os comissários da FIA (Federação Internacional de Automobilismo) resolveram parar de pegar pesado com investigações e punições.
 
Os exemplos estão postos à mesa, e ambos envolvem Max Verstappen e Charles Leclerc. Na Áustria, Verstappen forçou a barra para conseguir ultrapassagem sobre Leclerc no apagar das luzes, o que assegurou a vitória. Duas semanas depois, já na Inglaterra, outro tipo de enrosco: Charles foi prensado de leve por Max em briga pelo quinto lugar. O monegasco retribuiu empurrando o holandês para fora da pista na curva Club. Mesmo fora do traçado, Verstappen deu um jeito de tracionar a ponto de retomar posição. No caso britânico, nada foi sequer investigado 
 
O caso da Inglaterra foi ainda melhor, porque o lance não foi sequer investigado – ao contrário do da Áustria, quando os comissários precisaram de três horas para dar a palavra final sobre Leclerc contra Verstappen. Agora a F1 parece capaz de não só evitar punições, como também assumir tal postura com mais firmeza. É uma evolução tão translúcida quanto rápida.
Charles Leclerc e Max Verstappen duelam roda a roda em Silverstone (Foto: F1/Twitter)
A política ‘segue o jogo’ é pedido antigo dos fãs da F1. Um pouco por saudosismo e outro tanto por racionalidade, foram anos ouvindo do público que as punições eram exageradas demais e apresentavam uma categoria decadente, sem o apelo de outrora. Ainda é um campeonato cheio de falhas e problemas que precisam de solução, mas seria injusto deixar de aplaudir a nova atitude. Ninguém liga a TV em um domingo de manhã, abrindo mão de valiosas horas de sono, para ver alguém recebendo punição de 5s por atacar a zebra um pouco além da conta e colocar um pneu para fora da pista. É por conta de disputas como as de Verstappen com Leclerc, aquelas que nos deixam agitados e rendem horas e horas de discussão – saudável, porque todos gostaram de como os comissários agiram.
 
Entretanto, seria um pouco além da conta ignorar a estranheza de isso acontecer apenas agora, em julho e quase na metade da temporada. Não faz muito tempo que Sebastian Vettel escapou da pista no Canadá, voltou como pôde e levou 5s de punição. Por mais que o lance do alemão em nada tenha a ver com os lances de Verstappen e Leclerc nas últimas semanas, está claro que a Fórmula 1 precisou agir. Ainda sob pressão, sofrendo com as crítica pelo que foi considerada uma punição exagerada, a categoria parece ter visto a ficha cair. Já não é mais uma questão de garantir uma corrida 100% justa, com punições agindo como alicerces necessários para que os pilotos não façam coisas que não deviam. É questão de deixar que os pilotos, eles próprios, entendam-se do jeito que for. Claro, há limites – vide Vettel enchendo Verstappen em Silverstone –, mas a atitude menos ativa e autoritária dos comissários é uma rajada de ar fresco.
O GP da Áustria já tinha mostrado uma nova postura da F1 (Foto: Reprodução)
Alguém poderia dizer que a F1 é inconsistente ao não agira assim desde a Austrália. É crítica válida, bem válida. Mas é necessário aplaudir também a vontade de corrigir o que há de errado. Já pensou se a categoria resolve punir Verstappen na Áustria por empurrar um rival e na Inglaterra por sair da pista e ganhar vantagem? A imagem de uma categoria que já não é tão prestigiada quanto antes sofreria golpes duros.
 
Por fim, é importante ressaltar que é exagero dizer que a relação entre punições e qualidade das corridas é linear e simples. Uma corrida sem piloto punido não é garantia de thriller, vide Paul Ricard. Mas é um jeito de a própria F1 se ajudar: chegou a hora de parar de se sabotar e aproveitar as oportunidades de ter bons GPs – como o Canadá deveria ter sido. Nos próximos meses de 2019, a F1 vai receber novas chances de ter boas corridas, e estas poderão ser saboreadas pelo público unicamente por conta do bom 

A vitória teve gosto muito especial para Hamilton. Foi a sexta em casa, na Inglaterra, o que representa um novo recorde.
 
Paddockast #24
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