F1

Nove meses depois de acidente no GP do Japão de 2014, Bianchi não resiste e morre aos 25 anos

Jules Bianchi não resistiu ao gravíssimo impacto contra uma grua que resgatava o carro de Adrian Sutil durante o GP do Japão de F1. O francês foi levado já inconsciente para o Hospital Geral de Mie, operado e diagnosticado com uma lesão axonal difusa. Em coma desde então, sua condição foi se deteriorando até que sua morte fosse confirmada hoje
Warm Up / VICTOR MARTINS, de São Paulo / JULIANA TESSER, de São Paulo / GABRIEL CURTY, de São Paulo / VITOR FAZIO, de Porto Alegre / EVELYN GUIMARÃES, de Curitiba
 Jules Bianchi (Foto: Getty Images)
A notícia que ninguém gostaria de dar: Jules Bianchi faleceu nesta sexta-feira (17), nove meses depois do fortíssimo acidente sofrido no fim do GP do Japão. O impacto sofrido na cabeça com o choque com uma grua deixou de imediato o piloto inconsciente e foi extensivamente danoso, sem dar chance de recuperação. O comunicado foi emitido pela família do piloto. Bianchi tinha 25 anos e a possibilidade de uma carreira de glória por seu vínculo com a Ferrari.

Na volta 43 da corrida em Suzuka, Bianchi perdeu o controle na curva 7 e acertou em cheio o guindaste que tinha entrado na área de escape para remover o carro de Adrian Sutil, que tinha batido no giro anterior. Socorrido ainda na pista, Jules foi levado ao hospital e submetido a uma cirurgia de cerca de 4 horas. Um boletim médico divulgado pela Marussia dois dias depois da batida, informou que o piloto de 25 anos sofreu uma lesão axonal difusa, que é uma lesão ampla e devastadora e que, em mais de 90% dos casos, deixa suas vítimas em coma definitivo. 
Jules Bianchi morreu nesta sexta em decorrência do acidente sofrido no Japão (Foto: Marussia)
No comunicado oficial da morte do piloto, a família pediu privacidade e agradeceu o apoio de médicos e dos fãs no mundo todo.

“Jules lutou até o final, sempre o fez, mas hoje a luta chegou ao fim. A dor que sentimos é imensa e indescritível. Queremos agradecer a equipe do hospital de Nice que cuidou dele com amor e dedicação. Também queremos agradecer a equipe do Centro Médico de Mie, que cuidou dele logo depois do acidente, assim como os outros doutores que se envolveram nisso com carinho nos últimos meses”, disse.
 
“Além disso, queremos agradecer os colegas de Jules, amigos, fãs e todo mundo que  demonstrou seu afeto ao longo dos últimos meses, o que nos deu grande força e nos ajudou a lidar com tempos tão difíceis. Ouvir e ler tantas mensagens nos fizeram perceber como Jules tocava os corações e menter de tanta gente ao redor do mundo", continou.
 
“Queremos pedir que nossa privacidade seja respeitada durante esse tempo difícil, enquanto tentamos lidar com a perda de Jules”, completou.
 
Jules Bianchi foi homenageado durante o fim de semana do GP da Rússia (Foto: AP)
Bianchi tinha uma longa e promissora carreira pela frente. Era o primeiro resultado eficiente do programa de desenvolvimento de jovens pilotos da Academia da Ferrari e fatalmente acabaria sentando num carro da escuderia italiana no mais tardar em 2016, pelo que se entendia da movimentação do grid; seria até possível vê-lo no ano que vem caso fosse levada adiante a ideia de um terceiro carro por equipe.

Como moeda de troca da oferta de seu conjunto, a Ferrari colocou Bianchi para correr na pobre Marussia nas últimas duas temporadas. Sempre se destacou sobre seu companheiro Max Chilton, e por isso sempre foi visto como o responsável por garantir o décimo lugar no Mundial de Construtores na árdua vida do fim do pelotão com a Caterham. No ano passado, conseguiu isso sem pontuar; ano passado, levou o time ao êxtase com os dois primeiros pontos da história do time com o nono lugar em Mônaco.

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A morte de Bianchi é a primeira desde os acidentes fatais de Roland Ratzenberger e Ayrton Senna naquele fim de semana do GP de San Marino em 1994. Desde então, muito se trabalhou em cima da segurança dos pilotos, tanto em termos de materiais quanto de procedimentos em pista. Peças como o hans-device — que protege o pescoço e impede o movimento em caso de impacto forte —, a estrutura de fibra de carbono para manter o habitáculo do piloto intacto e um reforço no material dos capacetes ajudaram a manter o maior tempo sem mortes na história da F1, 20 anos.

As imagens do acidente de Jules Bianchi

Torcedor registra momento do acidente com Bianchi