Novo chefão nega existência de racismo na Fórmula 1: “Eu não percebo isso”

Stefano Domenicali comentou que enxerga algo diferente do racismo na Fórmula 1 pela diversidade cultural. Dirigente também prometeu conversa com pilotos sobre o gesto de ajoelhar antes das corridas

Mercedes esconde mistérios em novo carro preto (Vídeo: Grande Prêmio)

Enquanto as manifestações antirracistas na Fórmula 1 ganham cada vez mais espaço, o novo chefão da categoria adota uma postura diferente sobre preconceito. Stefano Domenicali, que assumiu o cargo de diretor-executivo do Liberty Media, grupo que gere a F1, em janeiro, não acredita que o campeonato é racista, e enxerga uma diversidade cultural no Mundial.

Em entrevista ao jornal inglês Daily Mail, Domenicali afirmou que não percebeu o racismo na Fórmula 1 em sua experiência. O dirigente trabalhou por 23 anos na Ferrari, incluindo um período de 6 anos como chefe de equipe, entre 2008 e 2014.

“Eu não percebo isso [racismo]. Pelo menos não vejo na minha experiência pessoal. Na verdade, vejo o contrário. A Fórmula 1 começou em certas partes do mundo, como a Europa, mas se moveu para outras áreas onde o multiculturalismo cresce. Este crescimento é um valor, um ativo”, comentou Stefano.

Pilotos da F1 se ajoelharam em protesto antirracista antes da corrida (Foto: AFP)

“Quando eu entrei na Ferrari, em 1991, 99% das pessoas lá eram italianos. Aí tivemos entrada de pessoas do Reino Unido, França, Japão, Suíça, Alemanha, mudando em termos de cultura e cor, oferecendo uma possibilidade incrível de conhecer pessoas diferentes”, seguiu o dirigente.

Após os protestos que rodaram o mundo por conta do assassinato de George Floyd, vítima de violência policial, em maio 2020, o heptacampeão mundial Lewis Hamilton cobrou posturas e manifestações antirracistas da Fórmula 1. Durante a temporada, antes das corridas, os pilotos se ajoelhavam em momento antes das corridas, reproduzindo o famoso gesto de Colin Kaepernick, ex-jogador da NFL, que eternizou o protesto em 2016 e acabou sem espaço na liga.

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Apesar de ganhar a adesão de pilotos importantes como Sebastian Vettel e Daniel Ricciardo, nomes do calibre de Max Verstappen, Charles Leclerc e Kimi Räikkönen recusaram a participação na manifestação, permanecendo de pé durante toda a temporada e e dando seus respectivos motivos. Para Domenicali, é necessário entender a diferença do gesto em diversas partes do mundo, e aumentar a importância do protesto com ações.

“Ajoelhar ou ficar de pé ganha significados diferentes dependendo de onde está no mundo. É importante que estes gestos, que precisam respeitar a sensibilidade de todos, sejam respaldados por ações, com contexto credível. Eu quero discutir o gesto de ajoelhar com os pilotos. Não quero focar em apenas um gesto. Existe uma grande plataforma antes da corrida, não queremos maximizar em termos políticos. Queremos destacar os valores que são importantes para a Fórmula 1 e o mundo”, citou Stefano.

“Queremos ter bolsas de estudo para ajudar pessoas que não conseguem bancar certo nível de escolaridade para estar na Fórmula 1, e garantir acessibilidade a todos, de ter mais mulheres no topo”, completou.

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