Olho em rivais e luta por décimos: o trabalho da Mercedes para chegar em alta nos testes

Não é tão fácil levar a melhor em uma pré-temporada, nem mesmo para a Mercedes. Gabriel Elias, ex-engenheiro de design da marca, detalhou o modus operandi da escuderia em cada teste

Mercedes esconde mistérios em novo carro preto

A pré-temporada da Fórmula 1 é uma época do ano repleta de segredos. Apesar do alto interesse do público e da atenção dada a informações com tempo e número de voltas, a maior parte dos dados realmente relevantes ficam limitados às salas de engenheiros. No caso da Mercedes, tudo faz parte do modus operandi: a equipe não só trabalha para encontrar décimos de segundos como também presta atenção redobrada no trabalho de rivais diretas.

Tudo isso foi revelado por Gabriel Elias, engenheiro de design da Mercedes até o fim de 2020, em coluna na revista americana ‘Racer’. Em relato detalhado do trabalho da escuderia em uma pré-temporada, Elias ajudou a entender o esforço redobrado da esquadra alemã para seguir imbatível.

“Apesar de você sempre chegar ao primeiro teste com uma boa noção da performance do carro, você nunca realmente sabe onde está na comparação com os outros até chegar lá [no teste]”, disse Elias à Racer. “Todas as equipes de ponta têm alguma espécie de análise de performance, ficando de olho e projetando a performance dos competidores mais próximos, usando a configuração de motor como referência. No caso da Mercedes, se fosse um teste no começo de 2018, a gente poderia dizer ‘ok, a Ferrari está perto da gente’. Aí a gente pegaria todos os dados das atualizações deles em 2017 para comparar com nosso carro ao longo da temporada inteira. A gente essencialmente projetaria que, digamos, eles conseguiriam 0s4 de evolução no carro, baseado no regulamento daquele ano, combinando com o histórico de dados dos últimos anos”, seguiu.

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O W12 vai à pista pela primeira vez neste fim de semana (Foto: Mercedes)

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Tal análise se torna particularmente importante em anos de disputa apertada nas primeiras posições. A Mercedes sofreu ameaça pesada da Ferrari nas pré-temporadas de 2017, 2018 e 2019, anos em que o público ainda não tinha noção clara sobre qual era a equipe a ser batida. Uma análise de dados permitiu aos alemães entender a situação na comparação com os italianos.

“Qualquer equipe boa vai dizer ‘ok, precisamos achar 1s de performance entre o fim de uma temporada e o começo da outra’. Aí você ligaria para Brixworth [fábrica de motores da Mercedes] e pediria para encontrarem 10 cavalos de potência, ou o que quer que seja. Precisamos achar tantos décimos no túnel de vento, e com ganhos semanais assim que usarmos o novo modelo. Aí digamos que você consegue alguns décimos em otimização, coisas assim. Tudo isso vira uma lista de diretivas, que é desenvolvida em simulações. É isso que guia o design do carro”, destacou.

Para 2021, o sinal de alerta da Mercedes tem menos motivos para soar. É que os carros quase não mudam na comparação com os de 2020, ano em que a equipe ampliou o domínio e não deu muitas chances para a Red Bull, a rival mais próxima no grid. Ainda assim, o novo W12 será testado entre os dias 12 e 14 de março, em Sakhir.

Depois disso, a Mercedes continua no mesmo autódromo. É lá que, em 28 de março, a F1 abre os trabalhos da temporada 2021 com o GP do Bahrein.

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