F1

Opinião GP: FIA repete erro de 11 anos atrás ao permitir entrada de guincho sem acionar safety-car

No GP do Brasil de 2003, criticou-se bastante a demora na entrada do safety-car na pista para que fossem resgatados carros acidentados na Curva do Sol. 11 anos depois, em Suzuka, o mesmo erro custou caro para Jules Bianchi. Mesmo zelo que a entidade demonstra em alguns momentos falta em outros

Warm Up / Redação GP, de São Paulo
JÁ QUE NÃO FOI POSSÍVEL antecipar o horário da largada do GP do Japão — a Honda, promotora da corrida, se recusou — apesar da preocupação com a aproximação do supertufão Phanfone, a FIA tomou todo o cuidado do mundo com a questão da chuva em Suzuka. Mandou o pelotão largar atrás do safety-car, deixou o carro de segurança na pista por mais tempo do que aparentava ser necessário e, assim, conseguiu evitar que acidentes graves acontecessem. Foi zelosa até demais, mas algo justificável.

O mesmo zelo faltou no momento de se resgatar o carro de Adrian Sutil após o acidente da 42ª volta da 14ª etapa da temporada 2014, disputada neste domingo (5).

Os procedimentos da FIA determinam que, a partir do momento que se faz necessária a entrada de fiscais na pista para resgatar um carro, deve-se agitar bandeiras amarelas duplas. É um código também para que os pilotos tirem ainda mais o pé do acelerador, minimizando os riscos.

Só que jamais deveriam ter colocado um guincho dentro da área de escape sem mandar o safety-car para a pista.
Guincho não poderia ter passado do muro sem o acionamento do safety-car (Foto: AFP)
Esse mesmo erro foi cometido há 11 anos, no GP do Brasil de 2003, e quase fez de Michael Schumacher vítima. Um rio se formara na curva do Sol em meio à chuva torrencial que despencava sobre Interlagos, provocando os acidentes de Antonio Pizzonia e Juan Pablo Montoya. Sem que o safety-car fosse acionado, um guincho entrou na área de escape para içar a Jaguar e a Williams. Schumacher, que vinha pela pista, aquaplanou e foi naquela direção, escapando por pouco de bater no trator.

Bianchi não teve a mesma sorte. O francês passou pela curva 8 em Suzuka a cerca de 210 km/h no momento do acidente — uma volta antes, passara a 230 km/h. Sutil estava logo atrás dele.

As escapadas do alemão e do francês aconteceram justamente quando a chuva apertou no fim do GP do Japão, inclusive fazendo com que alguns pilotos optassem por entrar nos boxes para mudar dos pneus intermediários para os de chuva forte. Também estava muito escuro, visto que se aproximava das 17h (horário local), e o sol se pôs pouco após as 17h30.

O GRANDE PRÊMIO já havia criticado em editorial, depois do GP da Alemanha, a lentidão da FIA para colocar o carro de segurança na pista, preferindo deixar — coincidentemente — a Sauber de Sutil atravessada na reta dos boxes por três voltas. Tudo para evitar uma interferência na ordem da prova, já que a janela de pit-stops se aproximava. Nada de mais grave ocorreu, felizmente, mas aquela foi uma decisão arriscada. 

E, em Suzuka, novamente a direção de prova foi lenta. Faltou o mesmo zelo da fase inicial da prova. Em ambos os casos, a vida dos fiscais foi colocada em risco. É verdade que, dessa vez, a Sauber estava bem mais distante do traçado, mas a chuva era forte e o guincho não poderia, em hipótese alguma, ter sido colocado dentro da região de pista. Essa foi a grande falha que faz com que Bianchi, agora, lute pela vida no Hospital Universitário de Mie, no Japão.

Opinião GP é o editorial do GRANDE PRÊMIO que expressa a visão dos jornalistas do site sobre um assunto de destaque, uma corrida específica ou o apanhado do fim de semana de automobilismo.

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