F1

Opinião GP: GP da Bélgica reflete grandeza de Hamilton e Vettel na melhor batalha por título da F1 na década

Os dois melhores e mais vitoriosos pilotos da década só poderiam mesmo travar a mais incrível batalha pelo título da F1 nos últimos anos. Lewis Hamilton e Sebastian Vettel são tão diferentes entre si, mas ao mesmo tempo tão competentes e incríveis na pista. Prova disso foi a performance dos rivais em um empolgante GP da Bélgica que refletiu com exatidão o patamar dos dois na temporada, com Hamilton um pouco mais à frente. A tendência é que seja assim até o fim de 2017

Warm Up / FERNANDO SILVA, de Sumaré

TECNICAMENTE, O GP DA BÉLGICA FOI UM dos melhores da temporada 2017 até agora, sobretudo no que diz respeito à incrível batalha pela vitória entre Lewis Hamilton e Sebastian Vettel. Há tempos o confronto direto entre os dois era esperado pelo mundo do esporte, e ele veio neste ano que serve como uma espécie de tira-teima envolvendo os melhores e mais vitoriosos pilotos da década. De um lado, Hamilton vive o auge e conta com carro ligeiramente melhor e, motivado pelos resultados históricos conquistados recentemente, rema para alcançar o rival e chegar ao tetra. Do outro, Vettel também está no ápice da forma e quase sempre tem encaixado o melhor resultado possível quando não tem equipamento para vencer.
 
Não poderia haver um embate mais apropriado para uma F1 que se reinventa neste novo momento da categoria. E Spa-Francorchamps refletiu bem o grande nível de Lewis e Seb. Em momento algum, desde a largada, houve uma diferença maior que 2s. A guerra de nervos chegou ao ápice após a relargada em Spa, na volta 34, quando Vettel tentou dar o pulo do gato e usou o vácuo para passar o britânico, que se defendeu da melhor forma e manteve a ponta da corrida até o fim.
 
Desde então, foi uma verdadeira briga de gato e rato. Os dois, com a ‘faca entre os dentes’, fizeram voltas de classificação o tempo todo, cenário em que qualquer mísero erro de um deixaria a vitória no colo do outro. Mas Hamilton e Vettel foram perfeitos até o fim. 
O GP da Bélgica somente refletiu a grandeza dos dois grandes protagonistas da temporada (Foto: AFP)

Já no pódio, ao ser entrevistado pelo antigo rival Mark Webber, o tetracampeão definiu bem. “Foi muito divertido e intenso porque, a cada volta, estava esperando Lewis cometer um erro, e ele não errou. E ele também provavelmente estava esperando que eu cometesse um erro. E não errei”.
 
Os números também mostram a temporada enorme que fazem Vettel e Hamilton. Em 12 corridas até agora, os dois são os únicos pilotos que pontuaram em todos os GPs, com a diferença que Lewis oscilou mais — como na Rússia, Mônaco e Hungria —, o que explica a diferença de meros sete pontos que separam os rivais até agora.
 
E também não seria exagero dizer que a luta pelo título entre Vettel e Hamilton já é a melhor da década. A F1 viu outras grandes batalhas em tempos idos, como entre o mesmo Vettel e Fernando Alonso, em 2012, e no ano passado, quando Hamilton foi derrotado pelo hoje aposentado Nico Rosberg. Mas o embate de Seb x Lewis vai além por reunir números grandiosos: sete títulos mundiais, 104 vitórias e 108 poles. São, sem dúvida alguma, dois dos maiores pilotos da F1 de todos os tempos, com ambos vivendo o melhor momento da carreira.
A luta entre Hamilton e Vettel pelo título é o que a F1 esperava há tempos (Foto: Xavier Bonilla/Grande Prêmio)
O desfecho do GP da Bélgica sugere que a luta pelo título vá seguir assim, com os dois bem próximos, até o fim de novembro, em Abu Dhabi. Em teoria, o que se esperava era uma varrida da Mercedes contra a Ferrari em Spa, mas jamais foi assim, o que leva a entender que os italianos vão poder novamente ameaçar, pelo menos com Vettel, na semana que vem em Monza e em todas as outras etapas que restam. Por outro lado, a Ferrari tem algumas pistas que podem ser mais favoráveis, como Singapura e até Sepang, onde a Mercedes não teve muita sorte nos dois últimos anos.
 
Se o embate entre Hamilton e Vettel foi o ponto alto de um GP da Bélgica sem chuva, destaque também para Daniel Ricciardo. Que homem! Sexto pódio no ano, e o do último domingo sendo conquistado até de forma improvável ao conseguir bater Kimi Räikkönen e Valtteri Bottas, de quem se esperava muito mais no fim de semana. Foi a 25ª vez que Daniel marcou um top-3 na carreira e, de quebra, aproveitou para reforçar sua condição de estar no rol dos melhores do ano.
 
Aliás, os sentimentos são bem distintos na Red Bull. Porque Max Verstappen abandonou pela sexta vez no ano e, por mais talento que tenha, não consegue ter equipamento e sorte para refletir seu potencial em resultados. Um ano perdido ao jovem holandês, que já não esconde o cansaço e até ameaçou deixar a equipe, com a qual tem contrato pelo menos até 2018.
A batalha na Force India já começa a sair de controle (Foto: Reprodução)
A se ressaltar mais uma grande corrida de Nico Hülkenberg e o azar de Jolyon Palmer, que dessa vez não teve culpa nos problemas sofridos ao longo do fim de semana. A Williams conseguiu salvar alguns pontos depois de dias terríveis em Spa e viu Felipe Massa comemorar um oitavo lugar com sabor de vitória. Um respiro à equipe, que tem ameaçado o quinto lugar no Mundial de Construtores: Toro Rosso, Haas e Renault não estão muito atrás.
 

E se Fernando Alonso já não está nem aí ao esculhambar publicamente a Honda, justamente num período em que define seu futuro para 2018, Sergio Pérez perdeu as estribeiras, errou a mão totalmente nas disputas que teve com Esteban Ocon e reconheceu que teve o pior fim de semana do ano, pedindo desculpas à Force India. As batalhas entre eles, sobretudo na descida para a Eau Rouge, foram temerárias e colocaram a vida dos dois em risco. Não faz o menor sentido que seja assim.
 
Entende-se a frustração de Pérez por ver fechadas as portas da Ferrari, mas com tal postura jamais ‘Checo’ terá outra chance em uma equipe de ponta.
 
Diante de tantas emoções e tensões em jogo, o intervalo de apenas uma semana entre o GP da Bélgica e a próxima etapa do calendário é ótima porque não vai faltar assunto a ser discutido em Monza. Um grande desfecho de fase europeia da temporada se avizinha, naquele que é um verdadeiro templo da velocidade e que traz um dos ambientes mais fantásticos da F1, como também é em Silverstone, México e Interlagos. Que venha o GP da Itália no primeiro domingo de setembro.

Opinião GP é o editorial do GRANDE PRÊMIO que expressa a visão dos jornalistas do site sobre um assunto de destaque, uma corrida específica ou o apanhado do fim de semana de automobilismo.