F1

Opinião GP: Maduro e arrojado no ponto, Verstappen é tudo que a F1 pode desejar

Max Verstappen se sobressaiu em uma corrida caótica na Alemanha, provando do que é feito. Mas mais do que isso, o holandês caminha para virar o maior de sua geração, apoiado por uma imensa massa laranja, que é tudo o que a Fórmula 1 poderia desejar

GRANDE PRÊMIO / EVELYN GUIMARÃES, de Curitiba
É CERTO DIZER que a Fórmula 1 vive um campeonato das mais esquisitos em 2019. Depois de uma pré-temporada que indicava um embate mais acirrado entre Mercedes e Ferrari, com uma Red Bull ainda se batendo para alcançar as duas rivais, a realidade é que a equipe italiana se perdeu em algum momento, entre o fim dos testes e o início do Mundial e, embora tenha tido alguns brilhos, jamais ofereceu a resistência esperada ao prateados, que seguiram mais tranquilos do que nunca sua sina vencedora. Ao mesmo tempo, a maior das categorias enfrentava corridas enfadonhas, chatíssimas, que a colocaram na berlinda. Até que chegou o mês de junho e com ele um capítulo de inesperada redenção, ascensão de um notável e de algumas respostas para aquilo que a F1 vem buscando. E pode-se dizer  também que tudo isso se traduz no nome de Max Verstappen.
 
O filho de Jos Verstappen chegou à Fórmula 1 como um furacão, fazendo a estreia com apenas 17 anos. De personalidade forte, Max nunca esmoreceu frente às adversidades e encarou a oportunidade no Mundial como ela deve ser encarada: com seriedade e firmeza. Desde sempre, ficou evidente a velocidade e a coragem. O primeiro ano de Toro Rosso foi um belo cartão de visita, tendo no colega de time Carlos Sainz um importante rival. Na temporada seguinte, veio a chance na Red Bull. O jovem venceu logo de cara, tirando proveito da ausência inusitada da Mercedes e tendo de segurar um Kimi Räikkönen de Ferrari. Não cometeu um único erro.
Max Verstappen tem a Red Bull em suas mãos (Foto: Getty Images/Red Bull Content Pool)
É bem verdade que a falta completa de paciência e o extremo arrojo já o fizeram perder a cabeça. Não foi raro vê-lo rodar, bater ou atingir adversários pela simples vontade de se livrar logo deles – os embates com então companheiro Daniel Ricciardo e os campeões Sebastian Vettel e Lewis Hamilton revelaram bem a dimensão do sangue quente do #33. A juventude tem seu preço, afinal. Mas o rapaz aprendeu rápido, enquanto também vencia corridas e se apresentava lindamente em provas adversas, como o GP do Brasil de 2016. Talvez o maior ponto de virada tenha sido mesmo o bizarro acidente em Mônaco, no ano passado, durante os treinos, e que o limou de qualquer chance na corrida.
 
De lá para cá, dá para colocar na conta dele apenas a impaciência na disputa com o oponente dos velhos tempos, Esteban Ocon, em Interlagos. Ali, Max jogou fora uma corrida ganha e teve de ouvir de Hamilton que 'ele tinha mais a perder e que já deveria saber disso'. Sábias palavras. Pode ser que, no calor do momento, Verstappen nem as tenha ouvido direito, mas o que vem mostrando neste ano prova que a lição foi absorvida.
 
Em uma temporada em que não tem o melhor equipamento nas mãos, Max é, de longe, o homem que mais tira performance do carro. É claro que o RB15 é feito para ele e é evidente que o time austríaco trabalho por ele. Mas, na pista, é ele quem faz a diferença. Tanto que é o responsável por quase 75% dos pontos da esquadra chefiada por Christian Horner até o momento. E com duas vitórias reais em um ano de domínio da Mercedes, Verstappen é o piloto do ano.
Lewis Hamilton ainda lidera a F1, mas Verstappen é quem deve herdar o trono (Foto: Mercedes)
Os dois triunfos são provas irrefutáveis. Após a Red Bull se entender com os pneus, o holandês foi capaz de se recuperar de uma má largada de forma categórica na Áustria, para vencer uma corrida que parecia nas mãos de Charles Leclerc e da Ferrari. A disputa final e sem pudor com o monegasco ainda fez reacender a rivalidade antiga entre ambos. Duas semanas depois, Verstappen e o mesmo Leclerc protagonizaram um segundo round em Silverstone. Max levou a melhor a princípio, mas acabou fora do pódio por conta de um erro de Vettel. Mas foi na Alemanha, no último domingo, que o jovem mostrou, uma vez mais, do que é feito. Em uma corrida caótica, Verstappen foi quase impecável. Cometeu, sim, pequenos erros, mas soube se colocar bem na pista nos momentos decisivos e não deu chances a ninguém. Espetacular.
 
Só que Max faz mais pela Fórmula 1. O desempenho é apenas uma parte do enredo. Acontece que o campeonato atravessa uma fase em que tenta se reinventar, se adequar às novas demandas e pavimentar o que deseja ser no futuro. Além da técnica e da velocidade, Verstappen hoje é alguém que seduz os mais jovens por falar a eles, por fazer parte da mesma geração digital e de competições virtuais. Mas também é alguém que encanta aquele fã mais tradicional, que tem apreço pela agressividade excessiva com que Max se coloca na pista. 
 
É o melhor dos dois mundos. Some-se a isso a existência do exército laranja, aquela imensa massa enlouquecida que agora o segue por todas as partes, criando vida e uma forma diferente de torcer. É a tradução perfeita do que significa Verstappen para essa nova F1. E ele mesmo ajuda na medida em que dosa melhor a personalidade forte e, por vezes, confundida com arrogância, com uma incrível maturidade e consciência do papel de ídolo. Tudo isso temperado pelo arrojo na medida certa e a completa ausência de medo. Não há receita melhor.
Max Verstappen e a torcida enloquecida (Foto: Getty Images/Red Bull Content Pool)
O holandês mudou a F1 e já se coloca como o presente e o futuro do esporte. Max é tudo aquilo que a maior das categorias mais precisa agora e nos próximos anos, e chegada de Leclerc soa ainda como uma faixa bônus, além da expectativa de um embate com o Hamilton. Com seus seguidores barulhentos e numerosos, não há dúvida do potencial de Verstappen, da rivalidade que ele já cria e do que pode fazer pelo Mundial, que tem o trabalho, a obrigação, o dever, de aproveitar a chance que lhe é dada de mão beijada.

A Fórmula 1 retorna daqui a somente uma semana, em Hungaroring, para o GP da Hungria. O GRANDE PRÊMIO acompanha tudo AO VIVO E EM TEMPO REAL

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