Opinião GP: Pérez dá show no GP da Itália, mas Massa mostra que não vai ceder fácil vaga na Ferrari

Na opinião dos jornalistas do Grande Prêmio, o GP da Itália teve Sergio Pérez como o grande protagonista. Aliás, o desempenho do mexicano foi tão bom, que já o credenciou a uma vaga na Ferrari. O problema é que Felipe Massa não está disposto a abrir mão do posto

O GP da Itália, realizado neste domingo (9), em Monza foi uma despedida de gala da temporada europeia da F1. A partir de agora, a categoria volta as atenções para a Ásia – onde corre em Cingapura, Índia, Coreia do Sul, Japão e Abu Dhabi –, além das últimas etapa na América, com os GPs dos Estados Unidos e do Brasil.

Mas antes dessa volta ao mundo, o campeonato esteve em Monza para a disputa da 13ª rodada de 2012. Foi uma corrida bastante emocionante, cheia de brigas por posições, abandonos e um resultado quase que inesperado. Só quem fugiu da regra foi Lewis Hamilton. O piloto da McLaren largou na pole-position, teve que se defender de Felipe Massa apenas na primeira curva e não viu mais os adversários.

Assim, o inglês venceu pela terceira vez em 2012 e assumiu a vice-liderança da tabela de pontos, atrás apenas de Fernando Alonso. O espanhol, aliás, foi um dos destaques da corrida. Largando apenas na décima colocação, o piloto da Ferrari conseguiu avançar posições e só não terminou em segundo porque Sergio Pérez teve um desempenho sensacional e o ultrapassou o com facilidade.

O segredo do mexicano foi largar com pneus duros e retardar a primeira parada ao máximo. Depois, com composto mais macio, o piloto da Sauber era cerca de 2s por volta mais rápido que os rivais, podendo ultrapassar todo mundo como um trator. Só faltou chegar em Lewis Hamilton, que venceu sem maiores problemas.

Sergio Pérez quase entrou na briga pela vitória em Monza(Foto: Sauber)

Na opinião do jornalista Flavio Gomes, diretor da Warm Up e do Grande Prêmio, se houvesse mais três ou quatro voltas, era capaz que o piloto da Sauber conseguisse superar o adversário da McLaren e ficar com a vitória. “Se a corrida tivesse mais umas três, passaria o Hamilton também”, disse.

“Consta que Pérez não parou depois da bandeira quadriculada, continuou correndo e mandaram um sósia para o pódio para receber o troféu cocozinho. ‘Vou continuar até passar! Vocês não contam com minha astúcia!’ Segundão em Monza, na frente da cúpula da Ferrari, sei não…”, acrescentou Gomes de forma bem humorada, afirmando que o bom resultado na pista italiana pode pesar em uma eventual decisão da Ferrari quanto ao companheiro de Alonso em 2013.

Já o editor-executivo do GP, Victor Martins, vai além. Para o jornalista, não ter passado ao Q3 do treino classificatório foi decisivo para o resultado do mexicano. “O segundo lugar de Pérez deve ser muito atribuído a sua não passagem ao Q3 e a consequente liberdade de escolha de pneus para a corrida. A Sauber optou por colocar os duros, contrariando 90% do resto do grid, que partiu com os médios. Assim, o mexicano teve um primeiro trecho de corrida mais rápido e o segundo, com uma parada só, teoricamente mais lento”, explicou.

 A repórter Juliana Tesser concordou. “Pérez foi o grande nome do GP da Itália. Apareceu na segunda parte da corrida para movimentar as coisas e foi brilhante. Com um desempenho como esse, fica difícil acreditar que ele não esteja pronto para guiar pela Ferrari.”, acrescentou.

Felipe Massa não dificultou a ultrapassagem de Fernando Alonso (Foto: Ferrari/ Ercole Colombo)

Só que para ter uma chance na Ferrari, o latino-americano terá que convencer o time italiano a se livrar de Felipe Massa. Nesse domingo, o brasileiro foi bem. Largou na terceira colocação, chegou a brigar pela liderança na primeira curva, mas foi ultrapassado por Jenson Button, Fernando Alonso e pelo próprio Pérez para terminar em quarto.

A ultrapassagem de Alonso, aliás, até poderia gerar alguma chiadeira por ser jogo de equipe. Mas não é o caso dessa vez. Na opinião de Gomes, ao contrário das últimas trocas de posição promovidas pela Ferrari, agora fazia todo sentido que Massa – com um desempenho mais lento que o companheiro – permitisse a ultrapassagem do espanhol.

“Óbvio, evidente que Massa teria de dar a posição a Alonso”, disse. “Ninguém nem precisaria pedir. E ele faria isso mesmo se já tivesse contrato vitalício com a Ferrari. Nesse caso, F1 é esporte coletivo, sim. São equipes de dois membros. Um ajuda o outro quando é necessário. Neste ano, é. Não era em 2002, na Áustria. Não era em 2010, em Hockenheim. Mas, agora, com Massa sem pretensão alguma no campeonato e Alonso lutando pelo título ponto a ponto”, completou.

O repórter Renan do Couto concordou com Gomes e disse, ainda, que Massa finalmente fez o trabalho que a escuderia italiana espera. “A Ferrari nem precisava ter ordenado a Massa que deixasse Alonso passar. Massa não tinha o direito de atrapalhar seu companheiro na disputa pelo título. Ele, enfim, conseguiu fazer o que se espera dele: andar nas primeiras posições, somar pontos que serão importantes no Mundial de Construtores e ajudar o espanhol”, cravou.

Sebastian Vettel acabou punido após o enrosco com Alonso (Foto: Ferrari/ Ercole Colombo)

Ainda falando sobre a Ferrari, Fernando Alonso também foi um dos destaques da corrida ao conseguir terminar na terceira colocação, mesmo com os problemas enfrentados no treino classificatório de sábado. Flavio Gomes afirmou que o segredo do espanhol foi adotar uma postura muito agressiva nas primeiras voltas, ultrapassando os demais carros e deixando a briga com McLaren e Red Bull para o final.

“Desde ontem, ele sabia que tinha o melhor carro do fim de semana. Tinha feito o melhor tempo em todos os treinos, mas deu um azar desgraçado com a barra estabilizadora na classificação e largou em décimo. A chave para o pódio foi o início da prova. Ganhar posições nas primeiras voltas era fundamental. E ele fez isso. Na segunda volta, estava em sexto, tendo passado uns caras difíceis como Di Resta, Rosberg, Kobayashi e Raikkonen”, declarou.

“Como tinha uma corrida inteira pela frente, era só esperar pelo que poderia acontecer com os outros”, acrescentou Gomes, destacando os abandonos de Sebastian Vettel e Jenson Button, além da posição herdada em cima de Felipe Massa.

A única coisa que ofuscou a performance do espanhol – além do desempenho ainda melhor de Pérez – foi na disputa por posição com Sebastian Vettel. No duelo, o piloto da Red Bull empurrou o adversário para fora da pista, mas acabou penalizado com um drive-through pela direção de prova. Na opinião do repórter Felipe Giacomelli, a FIA precisa ser mais consistente nas punições aplicadas.

“Mais uma vez a FIA mostrou que está completamente perdida em termos de punição. Na Bélgica, suspenderam Grosjean por uma etapa. Não há dúvidas de que o francês cometeu um erro grave, mas será que foi o pior da F1 nos últimos 18 anos? Agora, qual a diferença entre os incidentes de Rosberg, no Bahrein, e o de hoje? No ano passado, foi a vez de Alonso espremer Vettel no mesmo ponto de Monza e, veja só, o espanhol não foi punido. Os comissários de prova são tão mal preparados que fazem parecer que há, sim, proteção a alguns pilotos”, encerrou.

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