Opinião GP: Vettel venceu em Cingapura, mas sorte sorriu para Alonso com abandono de Hamilton

Na opinião dos jornalistas do Grande Prêmio, o GP de Cingapura mostrou mais uma vez que a sorte vem sorrindo descaradamente para Fernando Alonso na temporada de 2012 da F1. Apesar da volta da Red Bull à briga, Sebastian Vettel parece um adversário menos perigoso que Lewis Hamilton

► As imagens deste domingo da F1 em Cingapura

 Massa se irrita com manobra "não muito legal" de Senna

Depois do belo GP da Itália, disputado em Monza no último dia (9), o etapa de Cingapura foi um verdadeiro banho de água fria. A prova noturna no circuito de Marina Bay proporciona um dos cenários mais bonitos da temporada, mas na pista, as coisas não foram assim tão bem.

 
A prova começou com Lewis Hamilton na ponta e o britânico dominou a corrida até que, com problemas no câmbio do MP4-27, precisou encostar na área de escape na volta 23 da etapa asiática. Com o piloto da McLaren fora, Sebastian Vettel assumiu a ponta e não teve grandes dificuldades para vencer.
 
“[Kimi] Räikkönen, sempre incisivo e pontual, definiu bem: “Uma corrida chata””, lembrou Victor Martins, editor-executivo do Grande Prêmio.
Sorte continua sorrindo para Alonso na temporada de 2012 (Foto: Ferrari/ Ercole Colombo)
Ivan Capelli, jornalista e blogueiro do GP, concorda e cita a batida entre Michael Schumacher e Jean-Éric Vergne como um exemplo da chatice da corrida asiática. 
 
“Sobre o GP de Cingapura em si, pouca coisa a comentar. A chatice de sempre, poucas ultrapassagens e brigas, duas horas sonolentas à meia-luz. Tão sonolentas que até Michael Schumacher dormiu ao volante, errou uma freada e atingiu Jean-Éric Vergne em cheio, num acidente medonho”, considerou. “Admitiu o erro, pediu desculpas, mas não adiantou: a chata da FIA o puniu com a perda de dez posições no grid para a próxima corrida, no Japão.”
 
Martins destaca a elegância de Vergne ao cumprimentar Schumacher após o acidente e afirma que a batida seria razão suficiente para a Mercedes dispensar os serviços de Michael. “Se a Mercedes quisesse justificar a demissão de Schumacher, usaria Cingapura como exemplo”, comentou. “Michael não consegue dirigir à noite. E Vergne foi digno: podia chorar e acionar o Estatuto da Criança e do Adolescente. Deu um tapinha em Schumacher num sinal de que acontece”, brincou.
 
Flavio Gomes, diretor da Agência Warm Up e do Grande Prêmio, protestou contra a punição do heptacampeão e lembrou que os comissários vêm pesando a mão na temporada de 2012. “Acho um exagero punir um piloto por uma batida quando, claramente, não houve intenção, deslealdade, atitude antidesportiva, etc.”, opinou. 
 
Quem também não escapou de uma punição foi Mark Webber. O australiano recebeu o acréscimo de 20s ao seu tempo total de corrida por ter usado uma área de escape para ultrapassar Kamui Kobayashi e perdeu o décimo lugar, caindo para 11º. 
 
“Piloto nenhum gosta de andar em área de escape. Se estava lá, era para não bater no outro. Quem inventou essas áreas de escape enormes, asfaltadas e cheias de “grip” foi a FIA, não os pilotos”, defendeu Gomes. “É investigação demais. Abram uma CPI. Ou chamem o FBI. Frescura acima dos limites”, continuou. 
Vettel não parece tão perigoso quanto Hamilton e sua McLaren (Foto: Red Bull/ Getty Images/ Mark Thompson)

Na visão de Martins, o abandono de Hamilton em Cingapura pode pesar nas negociações de renovação de contrato com Woking. “Luisão vinha todo faceiro, controlando a corrida notívaga com certa tranquilidade, até que seu câmbio, como um filhote de pelicano faminto, abriu o bico. Hamilton não sabia se tentava engatar a marcha ou se socava a borboleta”, avaliou. “Pior que perder uma prova é ter de ouvir via rádio um discurso da equipe, sorry, você é ótimo, você é tudo na minha vida, meu grande amor, vem ser minha menina, mas não deu, e tudo mais. E como o inglês não tem mostrado muita paciência com a McLaren para renovar o contrato, digamos que a Mercedes ficou bem contente com o abandono”, afirmou, lembrando os rumores de que o britânico está perto de assinar com o time de Ross Brawn para a temporada de 2013. 
 
Apesar do retorno da Red Bull à briga pelo título da temporada, o GP de Cingapura, mais uma vez, mostrou a sorte sorrindo escancaradamente para Fernando Alonso. Com um carro que não é lá dos melhores, o espanhol segue liderando o Mundial e ainda viu Hamilton se afastar na briga pelo título. 
 
“Esse parece ser mesmo o ano de Fernando Alonso”, opinou Evelyn Guimarães, repórter e editora do Grande Prêmio. “Mesmo sem ter um carro combativo o suficiente para enfrentar a McLaren e a Red Bull, o espanhol se manteve perto, não cometeu erros durante a corrida, como é de costume, e ainda beliscou um inesperado pódio. Ajudado por sua amiga de sempre: a sorte. Mais uma vez, a sorte sorriu para o ferrarista ao tirar da corrida Lewis Hamilton.” 
 
“Tudo bem que Sebastian Vettel tenha vencido, mas o abandono do inglês e da forte McLaren serviu para consolidar ainda mais a liderança de Fernando. Vettel e a Red Bull não parecem tão perigosos quanto a combinação Hamilton/McLaren”, apontou Evelyn. “Vettel vai incomodar um pouco mais, mas não como Hamilton poderia. Alonso vai seguir sua tocada quase irritante aos adversários. Ou seja, se não pode vencer, o negócio é chegar no pódio, sempre somando pontos”, seguiu. 
 
Victor concorda que o fator sorte tem pesado na temporada de Alonso e lembra que Vettel poderia ter ficado sem o degrau mais alto do pódio, se Button não tivesse conseguido evitar uma batida quando o germânico reduziu a velocidade excessivamente antes da relargada.
 
“Bom, sem Hamilton, deu Vettel. Normal. Poderia não ter dado se Button o tivesse acertado na relargada do primeiro safety-car. Jenson foi mestre ao desviar”, opinou. “Depois reclamou, mas é tão lorde que sua queixa parece um convite para o chá.”
Atuação de Massa em Cingapura mereceu destaque para os jornalistas do GP (Foto: Ferrari/ Ercole Colombo)

Os dois safety-car que foram acionados durante a prova – um por conta de um acidente com Narain Karthikeyan e outro por causa do choque entre Schumacher e Vergne – acabaram atrasando a disputa, que foi encerrada por tempo e não por número de voltas. 
 
“E para nossa alegria, mas ao contrário, terminou ainda por tempo e não pelas voltas. Só derrota. E Alonso? Ia ficar lá em quinto e herdou o pódio com os abandonos de Hamilton e Maldonado. O espanhol é o ser com maior cauda do reino animal. Vai ser largo lá em Oviedo”, brincou Martins. “Apesar de ir controlando a diferença ali na casa dos 30 pontos, a Ferrari tem com que se preocupar. O carro está bem longe de acompanhar o ritmo da Red Bull e da McLaren”, alertou. 
 
Com o resultado, Fernando chegou aos 194 pontos e abriu 29 de vantagem para Vettel, que assumiu a segunda posição. Hamilton, por outro lado, caiu para a quarta colocação. 
 
“Faltam seis corridas, e os 11 primeiros ainda têm chance de título. Oh!, até Massa, que precisaria vencer todas e torcer para que Alonso não marque mais de sete pontos. Mas na real, nem Webber mesmo brinca mais de ser campeão. Raikkonen está ali pela constância. A Lotus não tem e não terá carro para tal”, avaliou. “Vettel e Hamilton precisarão se ajudar a partir de agora, como partidos políticos aliados, para tentarem eliminar a barreira que os separa de Alonso. Uma barreira com uma espessa cobertura de sorte”, comentou. 
 
A atuação dos pilotos brasileiros ganhou destaque entre os jornalistas do Grande Prêmio. Principalmente Felipe Massa, que caiu para último após ter um furo no pneu ainda na primeira volta em Marina Bay. 
 
“Felipe Massa teve uma corrida muito combativa em Cingapura. Prejudicado por um furo de pneu ainda na primeira volta, o brasileiro caiu para o fundo do pelotão e, ajudado pelos abandonos e pela dupla entrada do safety-car, foi escalando as posições, demonstrando arrojo, como na disputa com Bruno Senna. Boa atuação, sem dúvida”, resumiu Evelyn. “E um desempenho que vai fomentando sua permanência na Ferrari em 2013”, ponderou. 
 
Gomes concorda, mas defende que Felipe ainda precisa mostrar melhora no treino classificatório, para evitar os problemas do pelotão intermediário. 
 
“Massa fez uma boa corrida. O cara caiu para último na primeira volta, com um pneu furado. Recuperou-se bem, desta vez. OK, um monte de gente abandonou, mas ele foi buscar. Quatro corridas seguidas nos pontos, para quem começou o ano tão mal, é algo a se comemorar”, frisou. “Precisa melhorar em classificação, andar mais na frente para se livrar das merdas que acontecem no pelotão justamente conhecido como “da merda”. Mas pelas circunstâncias, não foi ruim, não. Teve de parar três vezes, remar bastante, o oitavo lugar ficou de bom tamanho”, completou. 
Glock colocou a Marussia no 12º lugar em Cingapura (Foto: Marussia/ Lorenzo Bellanca/LAT Photographic)

Victor ressalta que o melhor momento de Massa na prova foi uma disputa com Bruno Senna. “Massa, com carro bem melhor, foi espremido, perdeu o controle do carro, retomou e ainda superou Senna. Era uma disputa pela nona posição de dois pilotos que começaram a corrida no fim: Bruno, com a punição por ter trocado de câmbio, largando em 22º, e Felipe com problemas depois da primeira volta, caindo para último”, lembrou. “No geral, uma boa impressão de ambos. Senna acabou abandonando nas voltas derradeiras e Massa ainda pegou mais um posto, o de Ricciardo, para terminar em oitavo.”

 
Por fim, Flavio destaca a atuação de Timo Glock, que colocou a nanica Marussia na 12ª colocação, uma volta atrás de Sebastian. “E termino com uma salva de palmas a Timo Glock, que levou sua Marussia à 12ª colocação, na frente de Sauber, Force India e demais nanicos. Para uma equipe tão fraquinha, é mais que uma vitória”, concluiu. 

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