Fittipaldi renova com Haas e só tem aposta em problemas com Mazepin para ganhar chance

A decisão de Pietro Fittipaldi de seguir na reserva da Haas só faz sentido se for uma aposta em demissão do problemático Nikita Mazepin. Caso contrário, o brasileiro corre o risco de desperdiçar a temporada, e logo em uma fase crucial da carreira

Houve algum suspense, mas Pietro Fittipaldi já confirmou que segue como reserva da Haas na Fórmula 1 em 2021. O anúncio não surpreende muito, mas levanta dúvidas sobre o que o futuro reserva para o brasileiro, que chega aos 24 anos ainda sem um rumo muito consolidado na carreira. A aposta da temporada aparenta ser tão ousada quanto estranha: de que algum problema com Nikita Mazepin renda mais corridas para Fittipaldi na principal categoria do automobilismo.

Fittipaldi pegou gosto pela condição de reserva, que rendeu corridas como substituto do acidentado Romain Grosjean ao fim de 2020. O vínculo com a equipe americana parecia sem sentido, mas rendeu uma inesquecível estreia na principal categoria do automobilismo. O tempo passou e a Haas tem agora dois estreantes, Mick Schumacher e Nikita Mazepin. Este segundo é o foco das atenções: o russo se viu no olho de um furacão – com razão – quando apareceu apertando os seios de uma mulher, claramente incomodada, nas redes sociais. Houve pressão nas redes sociais para que a Haas rompesse o contrato e buscasse um substituto. O dinheiro falou mais alto e, até aqui, nada mudou.

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Pietro Fittipaldi vive fase crucial da carreira (Foto: Haas)

Acontece que não há garantias de que a situação siga assim, apesar de o investimento pesado de um bilionário russo ser um argumento bem bom para seguir com Mazepin. Se a situação estourar, Fittipaldi de fato estará na pole-position para entrar como substituto e disputar mais GPs de F1.

Só que essa aposta é muito estranha para alguém que, verdade seja dita, nunca mostrou para valer que merece estar na F1. O único título na Europa foi o da Fórmula V8, que tinha um grid dos mais fracos. Fórmula 3? Nunca rolou. Fórmula 2? Muito menos. Ao invés disso, aparições não muito frutíferas por Indy, DTM, Super Fórmula e Mundial de Endurance – esta última rendendo fraturas nas pernas após um acidente em Spa-Francorchamps. A superlicença veio muito mais por saber jogar o jogo da pontuação do que necessariamente ser brilhante em uma modalidade respeitável.

Uma crise com Nikita Mazepin seria vitória para Pietro Fittipaldi (Foto: Haas)

Isso nos leva a uma outra pergunta: Fittipaldi faz por merecer uma nova chance na F1? Talvez sim, mas isso nunca foi mostrado ao público, muito por conta das decisões confusas na carreira. Seguir na Haas pelo terceiro ano seguido, ainda como reserva, é mais uma delas. Pode dar certo, mas não é exatamente provável, da mesma forma que não era provável que Grosjean teria um acidente daqueles no Bahrein em 2020. É a consequência desconfortável de não ser a primeira opção – caso fosse, Fittipaldi teria levado uma das vagas que caíram na mão de dois estreantes, Schumacher e Mazepin.

Se alguma emergência colocar Pietro no grid de algum GP de 2021, bom para ele. Terá a chance de fazer algo mais do que os últimos lugares de 2020, quando foi atirado em uma fogueira e não teve muito o que fazer. Com alguma sorte, uma nova oportunidade seria o trampolim para uma carreira frutífera.

Caso contrário, Fittipaldi precisa considerar seriamente o que vai fazer da vida no futuro. Passar alguns dos melhores anos da carreira apenas encostado no paddock da F1 seria um desperdício. DTM? Indy? WEC? Todas essas seriam boas opções. Basta apenas ter convicção na escolha e definir um rumo. Romper com a F1 não é o fim do mundo, e tanto Magnussen quanto Grosjean já mostram isso esse ano. Basta querer progredir, do jeito que for.

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