F1

Pirelli alega mau uso e zebras como causa dos problemas em Silverstone e indica mudanças

Em um comunicado divulgado nesta terça-feira (2), a Pirelli afirmou que os problemas com os pneus ocorridos em Silverstone foram causados por uma série de falhas que incluem baixa pressão dos pneus, cambagem excessiva, colocação errada dos pneus traseiros e zebras. Fábrica italiana levará novos compostos para Alemanha e um fará mudanças maiores a partir da Hungria

Warm Up / Redação GP, de São Paulo

A Pirelli concluiu a análise dos dados relativos aos problemas com os pneus no GP da Inglaterra e anunciou nesta terça-feira (2) que as falhas foram causadas por uma série de fatores que incluem a baixa pressão dos compostos, cambagem excessiva, colocação errada dos pneus traseiros e problemas com as zebras do circuito inglês. 
 
De acordo com a fábrica italiana, os pneus traseiros foram colocados da maneira incorreta, com os compostos que deveriam ter sido inseridos do lado direito, sendo colocados do esquerdo e vice versa. A Pirelli explica que os pneus desta temporada têm uma estrutura assimétrica, o que significa que eles não foram desenvolvidos para serem intercambiáveis. 

Hembery garantiu segurança dos compostos de 2013 (Foto: Andrew Ferraro/LAT Photographic)
Além disso, os carros que apresentaram problemas também lançaram mão de uma pressão excessivamente baixa ou fora do mínimo recomendado pela fabricante. Outro ponto apontado pela Pirelli é um uso de ângulos de cambagem extremos. 
 
O último ponto indicado pela fornecedora de pneus é relativo às zebras do circuito de Silverstone. De acordo com os italianos, as zebras eram particularmente agressivas nas curvas de alta velocidade, como a curva 4, ponto onde aconteceu a maior parte dos problemas no último domingo. 
 
A Pirelli afirmou que único problema que tinha sido identificado antes do GP da Inglaterra diz respeito a delaminação dos compostos, “que foi um fenômeno completamente diferente”. A fábrica reforçou que já havia sugerido uma mudança para os compostos que foram testados no Canadá a partir da etapa inglesa, mas essa solução não foi aceita. 
 
Com a recusa das equipes, a Pirelli buscou outra solução em seus laboratórios, por meio de um processo de colagem diferente para fixar a banda à carcaça. De acordo com a fábrica, “o problema da delaminação não tem nada a ver com o que foi visto na Inglaterra”.
 
“O que aconteceu em Silverstone foi completamente inesperado e foi a primeira vez que algo assim aconteceu em mais de um século da Pirelli no esporte a motor”, apontou Paul Hembery, diretor-esportivo da marca. “Esses incidentes, que nos perturbaram muito, enfatizaram a urgência das mudanças que nós já tínhamos sugerido – que serão introduzidas durante os treinos livres da Alemanha, na sexta-feira”, continuou. 

Apesar de apontar que parte das falhas foram causadas por equívocos dos times, a Pirelli também reconheceu sua parcela de culpa, admitindo que subestimou as consequências da montagem errada dos pneus e não a proibiu. 
 
Em relação às baixas pressões e ao ângulo extremo de cambagem utilizados, a Pirelli reconheceu que não tem como controlar as ações dos times e, por isso, pediu para a FIA (Federação Internacional de Automobilismo) para que estes parâmetros sejam tópico de discussões futuras. 

Com problema nos pneus, Hamilton abandonou a prova enquanto liderava (Foto: Getty Images)
Ainda, a companhia de Milão destacou que, usada da maneira correta, a gama de pneus de 2013 não compromete a segurança dos pilotos e atende aos padrões exigidos pela entidade que regula o esporte.

De acordo com a empresa chefiada por Paul Hembery, seria necessário que a Pirelli tivesse acesso às informações dos pneus em tempo real, mas enquanto espera um novo regulamento que permita que ela tenha este acesso, a companhia propôs algumas outras soluções, como o uso de uma evolução dos compostos que foram testados no Canadá no GP da Alemanha.
 
Nos compostos traseiros que serão usados em Nürburgring, a atual estrutura de aço será substituída pelo kevlar e e o cinto de 2012 será reintroduzido. Como estes pneus também são assimétricos, será estritamente proibida a troca entre eles. Os pneus dianteiros, por outro lado, não serão modificados. 

A partir do GP da Hungria, será introduzida uma nova gama de pneus, que terá estrutura simétrica, desenvolvida para garantir o máximo de segurança, mesmo sem que a Pirelli tenha acesso aos dados em tempo real. Estes pneus serão fruto de uma combinação entre aqueles desenvolvidos para o ano passado e os que foram feitos para 2013. 
 
Como acordado com a FIA, esta nova gama de pneus será testada na pista pelos times e seus carros de 2013 no circuito de Silverstone entre 17 e 19 de julho, em uma sessão com os pilotos oficiais ao invés dos novatos. 
 
“Nós gostaríamos de agradecer a boa vontade da FIA, das equipes e pilotos da FOM para agir rapidamente para encontrar uma solução imediata para o problema”, agradeceu Hembery. “Em especial, a adoção de testes de inverno, organizados com a FIA, que são mais adequados ao desenvolvimento de pneus e a possibilidade de realizar testes no meio da temporada que vão contribuir para a criação de pneus cada vez melhores em padrões de segurança e performance”, continuou. 
 
“Eu gostaria de novamente enfatizar o fato de que a gama de pneus de 2013, usada da maneira correta, é completamente segura”, defendeu. “O que aconteceu em Silverstone, entretanto, nos levou a pedir acesso total as informações dos pneus em tempo real, para garantir o uso correto, o desenvolvimento de pneus que tem a sofisticação que nos pediram para fornecer e a performance extremamente alta que reduziu os tempos de volta em mais de dois segundos em média. Enquanto esperamos pelas mudanças nas regras, vamos introduzir pneus que são mais fáceis de controlar”, encerrou. 

GRANDE PRÊMIO acompanha ‘in loco’ o GP da Alemanha, direto do circuito de Nürburgring neste final de semana, com o repórter Renan do Couto. Acompanhe o noticiário completo aqui.