Pirelli endurece defesa e questiona acusações e poder de punição do Tribunal Internacional da FIA

A Pirelli foi dura em sua defesa com relação ao teste secreto realizado em conjunto com a Mercedes e afirmou que o Tribunal da FIA não tem poder para puni-la

A Pirelli foi a última a ter direito de voz nesta quinta-feira (20) em Paris, diante do Tribunal Internacional da FIA, que julga o teste realizado entre a fornecedora italiana e a Mercedes, na pista de Barcelona, logo após o GP da Espanha. A fabricante de Milão foi dura em sua defesa, disse não entender a razão de ter sido alvo de acusações disciplinares e questionou o poder legal da entidade máxima do esporte a motor em aplicar qualquer sanção à marca.

A empresa italiana é representada pelo advogado Dominique Dumas, que argumentou também que a federacao-mor não tem competência para punir a Pirelli por conta do teste, reiterando que a fabricante não violou o regulamento e que nenhuma equipe do grid apresentou queixa contra ela. "A Pirelli não consegue entender essa ação disciplinar", disse Dumas.

"A Pirelli está apenas agindo dentro dos direitos concedidos pela FIA. Nós somos incapazes de compreender esse processo disciplinar. A Ferrari e a Red Bull confirmaram que não têm queixas contra a Pirelli, portanto é impossível entender o procedimento", acrescentou. "As alegações são infundadas porque foi reconhecido que a Pirelli não violou nenhuma regra", disse o advogado.

A Pirelli contestou poder legal da FIA (Foto: Getty Images)

Dumas foi ainda mais longe em seu discurso e lembrou o caso de Flavio Briatore, então chefe da Renault e julgado pela FIA pelo escândalo da batida proposital de Nelsinho Piquet no GP de Cingapura de 2008. O advogado apontou a jurisprudência na França, relativa à punição dada a Briatore, que foi banido da F1, e afirmou que a FIA só pode aplicar sanções a membros licenciados e que aceitem o cumprimento de suas regras. Briatore conseguiu reverter a sentença na justiça francesa em 2010.

"No âmbito do processo FIA contra Flavio Briatore, um especialista deu a sua opinião de que a FIA, dentro do direito francês, poderia ter jurisdição para assuntos esportivos e de estatutos, mas não tem poder para punir pessoas que não aceitaram cumprir seus regulamentos", afirmou.

A fornecedora de pneus, então, afirmou que a única maneira que a FIA tem de lidar com as eventuais violações em seu contrato é por meio de um tribunal civil. "Não pode existir uma sanção sem qualquer base sólida, e a Pirelli não pode aceitar e não vai aceitar que sua imagem, qualidade de produtos ou credibilidade seja manchada por um caso inadmissível e infundado", declarou Dumas.

"Espero que a decisão do Tribunal venha apaziguar as tensões e permitir que as partes se reúnam para discutir as regras da F1. É absolutamente urgente e imperativo que isso seja feito", completou.

Mark Howard, representante legal da FIA, afirmou que a postura da Pirelli com relação ao teste não representa uma quebra no contrato com a F1, mas acrescentou que a fabricante pode, sim, ter infringido o Regulamento Esportivo do Mundial.

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