Pit-stop desastroso em Ímola levanta questão: Ferrari se importa com Vettel?

Três pneus presos, timing errado e segunda parada estranha: o pit-stop desastroso no GP da Emília-Romanha abriu as portas do terror para Vettel e a Ferrari

Corrida após corrida, o sofrimento de Sebastian Vettel e da Ferrari é pauta mundo afora. Pudera, a situação não se assenta: o alemão tem dificuldades de pontuar e já não consegue mais, de jeito nenhum passar ao Q3 do treino de classificação. Mas o que aconteceu no GP da Emília-Romanha, no último fim de semana – o pit-stop desastroso – foi um tipo especial de tortura.

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Vamos ao acontecido. Vettel largou fora do top-10 mais uma vez e, diferente do que tem acontecido, chamou a atenção positivamente. Inicialmente, um toque com Kevin Magnussen acabou dificultando a corrida do piloto da Haas desde a largada, mas o tetracampeão escapou sem grandes problemas. Conforme os rivais paravam nos boxes para trocar pneus na pista sem pontos de ultrapassagem de Ímola, Vettel se assentava mais acima. Chegou ao quarto lugar durante boas voltas.

É claro que não ia se segurar ali, mas o segundo stint inicial mais longo da prova, atrás somente ao de Kimi Räikkönen, trazia frutos: o alemão pularia para a zona de pontos com alguma sobra e ficaria relativamente perto de quem vinha à frente. O desejo dele, conforme compartilhou com a imprensa após a corrida, era diferente ao que a Ferrari definiu.

“Eu queria os pneus macios. A equipe me disse que estávamos perdendo tempo em relação a Lando [Norris]. Eu preferia perder uma posição, ficar na pista por mais tempo e atacar com pneus macios, mas não estou vendo as informações de telemetria e as diferenças, tenho que confiar na equipe”, defendeu, mesmo com o que aconteceu na sequência.

Além de chamá-lo antes do que o piloto gostaria e colocar outro pneu, a Ferrari fez uma parada de mais de 13s. Ao longo dos anos, o público já viu todo a sorte de problemas de pit-stop, mas um em que três pneus travam e não saem é demais para assimilar. Nem é necessário dizer que as chances de pontuar foram arruinadas.

Absolutamente tudo que a Ferrari arquitetou para Vettel foi desastroso (Foto: AFP)

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Não tinha acabado. Quando George Russell bateu sob o safety-car chamado para retirar o carro de Max Verstappen da pista após abandono por estouro de pneu, a bandeira amarela ficou para durar mais e a Ferrari fez a movimentação mais sem sentido possível: parou Vettel para trocar de pneus de novo. De pneus duros e numa pista onde ultrapassar é quase impossível, como Ímola, e com somente um punhado de voltas para o fim, era evidente que ficar na pista colocaria Seb na disputa de pontos.

Depois da corrida, silêncio. A Ferrari não se manifestou para admitir culpa ou justificar as decisões. Nada. Zero.

Como tudo isso aconteceu exatamente uma semana depois de Vettel afirmar que o carro de Leclerc era melhor que o dele – e o chefe Mattia Binotto responder que esperava mais de um segundo piloto como Sebastian – a pulga atrás da orelha é grande até para quem não gosta de teorias da conspiração. Mas não cheguemos aí.

Por mais bizarro que eu erro possa ser, ainda é um erro. Erros acontecem, a vida precisa seguir. Mas não se manifestar nos dias que se seguiram denota completo desprezo por um piloto que, embora não tenha vencido um campeonato, é o terceiro maior vencedor de corridas da história da Ferrari, com 14. Só Michael Schumacher e Niki Lauda têm mais.

Vettel tem suas culpas. Está apático, o que, por mais que esteja sendo destratado, traz problemas para a equipe e a torcida que acolheu o piloto por alguns anos. É o trabalho dele, afinal, e precisa fazer mesmo que em meio ao desconforto. Não dá para ignorar que um tetracampeão mundial seja um dos piores, talvez o pior, piloto da F1 numa temporada.

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Então, não se trata de pano passado para Vettel.

Mas a Ferrari abriu mão de tratá-lo como com respeito. Os absurdos erros de Ímola seguidos do silêncio, selam a discussão. Percebam: não se trata apenas de privá-lo da igualdade a Charles Leclerc, que nada tem com isso e faz bom ano, mas tratá-lo com respeito.

Não, a Ferrari quer fazer Vettel sangrar até o fim. As ruas e a história vão cobrar.

Acompanhe a discussão sobre Vettel a partir de 15min55s.

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