Portugal testa Mercedes. E Verstappen precisa ser perfeito para bater Hamilton

O GP de Portugal tem tudo para começar a desenhar que tipo de campeonato a F1 vai viver em 2021. A Mercedes garantiu a primeira fila e vai ter de trabalhar em equipe para tentar conter o avanço da rival, que sai imediatamente atrás, mas até com certa vantagem

Bottas surpreende e é pole em Portugal: assista aos melhores momentos da classificação da F1 (Foto: GRANDE PRÊMIO com Reuters)

Chegou a hora do desempate. O sábado (1) em Portimão deixou claro que, a partir desta terceira etapa da temporada, a disputa pelo título enfim vai ganhar uma forma. De fato, é um campeonato verdadeiramente equilibrado, mas há ainda algumas perguntas que precisam ser respondidas, e isso deve acontecer a partir deste domingo. Isso porque a Mercedes, pela primeira vez no ano, foi capaz de colocar seus dois carros na ponta do grid. A surpreendente pole de Valtteri Bottas tem muitos significados e potencial até para definir os rumos da disputa pelo título e do futuro do nórdico. Enquanto isso, a Red Bull tomou a segunda fila para si em um resultado que soa amargo, mas que, se bem trabalhado, pode terminar de maneira valiosa.

Tudo começa na sexta-feira, na verdade. Durante os treinos livres, ficou evidente que o comportamento dos pneus seria fundamental, porque a pista portuguesa se mostrou traiçoeira e escorregadia demais por causa da pouca aderência. Aquecer direitinho a borracha também era crucial. Além disso, os ventos fortes se transformaram em um desafio adicional para o acerto dos carros. Só que, dentre as opções levadas pela Pirelli, dentro da gama mais dura, havia o pneu médio amarelo. Em tese, o C2 seria apenas o composto da corrida – daí a dedicação a ele durante as sessões livres – isso por parte das duas rivais. Acontece que a Mercedes achou um equilíbrio interessante desses fatores e foi a única a conseguir voltas rápidas em cima deles – tanto é verdade que Hamilton cravou o melhor tempo da classificação, durante a segunda fase, com os amarelos. Aí ligou-se uma luz de alerta.

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Valtteri Bottas cravou uma pole importante em Portugal e que pode até definir seu rumo na Mercedes (Foto: AFP)

O problema: atingir a temperatura ideal. Os carros pretos demoram para conseguir gerar o calor necessário, portanto precisam de mais tempo. Até por isso não foi possível tirar melhores registros na parte final da definição do grid, quando a Mercedes, inesperadamente, se lançou com os médios. A marca de Bottas foi mesmo feita em cima dos vermelhos macios, numa diferença quase imperceptível para Hamilton de 0s007.

Só que o aquecimento de pneus não é uma dificuldade para a Red Bull. O RB16B é tão versátil que precisa de apenas uma volta, com qualquer composto, para conseguir temperatura. Portanto, a segunda fila do grid tem um gosto amargo para os energéticos, apesar de que, de um ponto de vista global, vai ser importante para a disputa da corrida. Ainda assim, a impressão é que a equipe austríaca tinha ligeira vantagem para a adversária, porém, novamente, pequenos errados acabaram limando as chances.

Acontece que Verstappen teve a primeira volta do Q3 eliminada por exceder os limites de pista na curva 4. O tempo obtido por ele foi de 1min18s209 – o que daria a pole. Sem drama, o holandês se sentiu confiante para uma segunda volta rápida. Mas aí veio o equívoco da equipe: mandou Max tarde demais, no meio do tráfego. Verstappen ainda conseguiu escapar de Lando Norris, mas, quase no fim, não pode evitar Sebastian Vettel. Mesmo assim, garantiu o terceiro lugar, seguido pelo companheiro Sergio Pérez.

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MAX VERSTAPPEN; GP DE PORTUGAL; PORTIMÃO; CLASSIFICAÇÃO
A decepção estampada na expressão de Verstappen após a classificação em Portugal (Foto: F1/Twitter)

Então, a corrida começa em igualdade de condições. Todos com os pneus médios, quase com o mesmo rendimento, só tendo uma diferença: o fato de a Red Bull não enfrentar problemas para aquecer os pneus. E é nesse ponto que entra a delicada estratégia da Mercedes.

Esse parece ser um campeonato que será decidido nos detalhes. Os erros vão custar caro. A Red Bull não esconde que trabalha para Verstappen e que Pérez foi recrutado para fortalecer a equipe na briga com a rival. Já a heptacampeã terá de fazer uma escolha. Bottas é pole e vem de uma corrida ruim em Ímola, onde foi alvo de críticas do chefe Toto Wolff. Amanhã, então, é o dia da redenção. Mas e se Max se colocar em uma posição que ameace a dobradinha da marca da estrela? Certamente, será uma prova de fogo para os alemães: lançar já uma ordem de equipe? E o que fará Valtteri, também pensando em uma continuidade?

“O GP de Portugal terá 66 voltas e, muito, provavelmente, será uma corrida de um único pit-stop, por duas razões principais: em primeiro lugar, porque o tempo perdido no pit-lane aqui é grande para fazer uma estratégia de duas paradas funcionar e, em segundo lugar, porque o desgaste de todos os compostos parece muito baixo”, explicou Mario Isola, o chefe da Pirelli.

Lewis Hamilton ficou pertinho da pole 100 (Foto: AFP)

“A pouca degradação dos pneus também deve criar uma janela de pit-stop ampla, fazendo com que as equipes possam adaptar suas estratégias para aproveitar o melhor momento possível para fazer as paradas, garantindo um posicionamento na pista”, completou.

Diante desse cenário, é possível dizer que as respostas para as perguntas acima serão decisivas para o desenrolar do campeonato. O ideal para a Mercedes é que Hamilton pule na frente de uma vez e que não tenha de forçar uma mudança na visita aos boxes. E a Red Bull, o que pode fazer para driblar a primeira fila adversária? Com toda a certeza, a vantagem de aquecer mais rapidamente os pneus será fundamental. Além disso, o ritmo de corrida é parecido e até melhor, como as simulações mostraram. No fim das contas, Verstappen também precisa ser perfeito, porque briga com um Hamilton que não costuma errar de forma seguida.

As cartas estão na mesa.

O GP de Portugal tem largada às 11h (de Brasília) deste domingo. Uma hora antes, o BRIEFING debate AO VIVO as últimas informações antes da largada e os bastidores direto de Portimão. Tudo na GPTV, o canal do GRANDE PRÊMIO no YouTube.

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