F1

Prancheta GP: Resfriamento e aerodinâmica: a pequena revolução na Mercedes

A Mercedes usou o GP da Alemanha para introduzir um pacote de desenvolvimento com o objetivo de melhorar a eficiência aerodinâmica e também minimizar os efeitos do calor excessivo, que tanto deram dor de cabeça à equipe na Áustria. A esquadra prata retomou, na verdade, algumas soluções já vistas no Bahrein, outra prova igualmente quente do calendário

GRANDE PRÊMIO / PAOLO FILISETTI, de Milão
Para celebrar os 125 anos de atividade no automobilismo e o 200º GP na Fórmula 1 como construtora, a Mercedes não apenas exibiu uma pintura comemorativa em branco e prateado no W10 na Alemanha. A equipe de Brackley, de fato, levou à pista para a segunda corrida em casa, depois de Silverstone, um carro radicalmente evoluído. Na verdade, é uma intervenção profunda e ampla a partir da asa dianteira até a asa traseira. O pacote de desenvolvimento aerodinâmico seguiu duas direções principais: uma para aumentar a eficiência, reduzindo o arrasto, com um melhor gerenciamento da turbulência gerada pela asa dianteira e os fluxos que percorrem a área lateral; o segundo, em vez disso, baseado no novo design do sistema de resfriamento. 
 
As modificações nas placas laterais das asas dianteiras, estendidas para trás, são do primeiro tipo e aumentam o efeito ‘wash out’ – desvio dos fluxos para fora das rodas. Mas as intervenções mais evidentes são sobre os bargeboards e nas aletas dos lados dos sidepods: telas verticais anteriores foram substituídas por grades horizontais (tipo veneziana), claramente inspiradas por Haas e Toro Rosso. 
As aletas laterais foram modificadas (seta vermelha abaixo) e agora consistem em uma espécie de grade com fendas horizontais. Os retrovisores com elementos superiores separados testados na Espanha reapareceram (seta vermelha central). E então há os geradores de vórtices atrás do triângulo superior da frente (seta vermelha à direita) (Ilustração: Paolo Filisetti)
Além disso, a parte periférica lateral do fundo apresenta agora três fendas sobrepostas. Também são interessantes os endplates da asa traseira, com um perfil escalonado, e as seções laterais do difusor. Os maiores indícios relacionados às mudanças no sistema de resfriamento estão concentradas na lateral em direção ao eixo traseiro.
 
Embora oculto, a posição dos radiadores é diferente. Do lado de fora, a carroceria mostra um perfil menos fino por uma maior seção interna que favorece a extração de calor ao reduzir as temperaturas de operação dos componentes localizados na parte superior e inferior da unidade de potência.
 
É interessante notar que o planejamento deste desenvolvimento remonta ao GP do Bahrein, quando pela primeira vez o W10, devido à alta temperatura ambiente, sofreu pela troca de calor insuficiente. A situação repetiu-se recentemente no GP da Áustria, mostrando, sem dúvida, a necessidade de uma intervenção, tendo em vista os GPs mais quentes do verão, na Alemanha e na Hungria.
No zoom, destacam-se as brânquias de ventilação adicionais (chaminés). Observe a forma diferente da carroceria na frente das rodas dianteiras, com uma seção interna maior, enquanto as laterais da asa traseira apresentam uma borda de serra (Ilustração: Paolo Filisetti)
 Ainda não está claro se o chassi foi modificado na área onde o tanque de combustível está localizado. Os chassis trazidos em Hockenheim foram definidos como padrão pela equipe, mas deixando em aberto a hipótese de uma possível estreia de uma nova versão. O que está claro, em vez disso, é que foram feitos crash-tests para a aprovação de uma nova versão de chassi foram realizados há algumas semanas no Instituto Cranfield.
A parte da frente do carro prata não foi esquecida. Os engenheiros introduziram um novo desenho da asa dianteira, além de novos endplates. As novas placas laterais estendem-se para aumentar o efeito chamando de outwash (Ilustração: Paolo Filisetti)
Sem dúvida, a Mercedes trabalhou bem com essa evolução. Foi rápida na classificação, mas a corrida em si foi uma história completamente diferente. A caótica prova em Hockenheim, com toda a excentricidade do tempo, naquele chove e para, acabou como um desastre para a pentacampeão. Valtteri Bottas abandonou depois de rodar e bater, enquanto Lewis Hamilton fez uma corrida esquisita, marcada por muitos erros. O inglês rodou e bateu, precisou recorrer aos bxoes de surpresa. Os mecânicos não estavam preparados, o líder do campeonato perdeu tempo. Ao todo, Hamilton fez seis pit-stops ao longo da corrida e terminou em nono, graças a desclassificação dos dois carros da Alfa Romeo. Um pesadelo para quem esperava terminar o fim de semana em festa. Sorte dos adversários que souberam aproveitar o raro deslize prateado.

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