“Prendam os policiais que mataram Breonna Taylor”: Hamilton pede justiça em Mugello

Após a 90ª vitória na Fórmula 1, Hamilton foi ao pódio pedindo justiça por Breonna Taylor, brutalmente assassinada nos Estados Unidos

Aos 35 anos de idade, Lewis Hamilton é não só um piloto de corridas maduro e completo: é um ser humano extremamente inteligente e que sabe bem o papel que pode ter na sociedade usando a influência de grande atleta. Neste domingo (13), no GP da Toscana, mostrou mais uma vez a faceta humana ao subir ao pódio usando uma blusa que dizia “Prendam os policiais que mataram Breonna Taylor”.

Desde o começo do campeonato 2020, realizado logo após eclodirem as manifestações populares nos Estados Unidos e em todo o mundo contra a brutalidade policial e racismo sistêmico, que contaram com o assassinato inumano de George Floyd como estopim, Hamilton tem comparecido aos eventos com a blusa que diz “Vidas Pretas Importam”.

Foi além disso: conseguiu fazer com que a Fórmula 1 permitisse manifestações antes de cada corrida, nas quais grande parte dos pilotos já participaram ao ajoelhar frente às câmeras, ecoando o que tem sido feito há anos nos esportes americanos.

Em Mugello, no dia da vitória #90 da carreira – que o coloca uma atrás de Michael Schumacher na liderança histórica -, fez mais uma vez. “Essa vitória de hoje é para Breonna Taylor”, dedicou.

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Breonna Taylor foi assassinada pela polícia de Louisville, Kentucky (Foto: Reprodução)

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Ao lado de George Floyd, o assassinato de Breonna Taylor foi o outro grande estopim das manifestações deste ano. Breonna, mulher preta de 26 anos, era paramédica quando, em março, a polícia invadiu sua casa, na cidade de Louisville, estado norte-americano do Kentucky, na calada da noite.

O motivo da invasão foi uma ordem de mandado de busca e apreensão que não precisava de batida na porta, daqueles que podem ser realizados com pé na porta de supetão. O alvo era um ex-namorado de tempos atrás da paramédica, suspeito de vender medicamentos controlados. As investigações posteriores provaram que nada de errado jamais fora conduzido na casa de Breonna, que nem sabia da situação e nada de culpada tinha em casa ou na história. Ela e o suspeito, Jamarcus Glover, tinham terminado o relacionamento meses antes.

Os policiais não apenas entraram na casa, mas nem sequer se anunciaram como policiais, o que fez o namorado de Taylor, Kenneth Walker, que dormia ao lado dela, acreditar que se tratava de invasores. Pegou, então, uma arma – registrada e legal -, e fez com que os policiais atirassem 20 vezes na direção dele. Segundo testemunhas anônimas no local, um dos policiais estava do lado de fora da casa e atirou por uma janela que tinha cortina fechada – sem qualquer visão do local, portanto. Breonna Taylor estava dormindo e foi atingida oito vezes. Morreu na hora.

A acusação foi de “total desrespeito com a vida humana”, uma vez que nada havia contra Breonna Taylor e, mesmo assim, sua casa foi invadida de forma silenciosa como se tratasse de busca a um assassino perigoso. O número de tiros em direção também foi flagrante. A autópsia de Taylor aponta que a morte foi homicídio.

Pouco depois, o chefe da polícia de Louisville, Steve Conrad, anunciou que se aposentaria no fim do mês de junho, acuado pelas críticas. Entretanto, antes disso, foi demitido após outro homem preto, David McAtee, ser assassinado pela Guarda Nacional do Kentucky em Louisville durante manifestações pacíficas pela morte de Taylor e Floyd. Os mandados policiais que não exigem manifestação prévia foram suspensos pela prefeitura da cidade.

Os três policiais responsáveis pela batida e morte? Jonathan Mattingly, Brett Hankison e Myles Cosgrove foram colocados em reatribuição administrativa. A corregedoria local e a polícia federal investigam o caso, mas nenhum dos três foi demitido e, muito menos, preso.

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