Presidente da FIA prevê 2021 afetado por pandemia: “Não será uma temporada normal”

Diante do risco iminente do adiamento do GP da Austrália e de regras para conter a nova cepa da Covid-19 na Europa — cenário que levou o premiê britânico Boris Johnson a decretar novo lockdown na Inglaterra —, Jean Todt deixou claro: o automobilismo ainda vai sentir os efeitos da pandemia ao longo da temporada 2021

O novo ano já chegou, mas a pandemia ainda é uma realidade cruel que vai afetar a humanidade por um bom tempo. E não é diferente no esporte a motor, que também vai seguir sentindo os efeitos da Covid-19 enquanto a vacinação avança em vários países do mundo, menos no Brasil. Até meses atrás, havia a expectativa de que o cronograma da Fórmula 1 para 2021 fosse mais normal, com o Liberty Media inclusive anunciando um calendário recorde de 23 etapas. Mas Jean Todt, presidente da FIA (Federação Internacional de Automobilismo) tem em mente uma certeza: não vai ser uma temporada normal.

A Fórmula 1 só espera o iminente anúncio do adiamento do GP da Austrália, prova que, no calendário original, abriria a temporada 2021 em 21 de março. O país oceânico impõe um regime de quarentena de 14 dias para toda pessoa que lá desembarque.

A tendência é que o campeonato comece no Bahrein uma semana depois. Pairam também dúvidas sobre o GP da China, corrida marcada para 11 de abril, uma vez que o país também enfrenta restrições para evitar a propagação do vírus. No Reino Unido, o premiê Boris Johnson decretou o terceiro lockdown, com validade a partir desta terça-feira (5) e que deve se estender até meados de fevereiro. Tudo para conter o avanço da nova cepa da Covid-19.

Tendência é que, com o iminente adiamento do GP da Austrália, o Bahrein abra o calendário da F1 em 2021 (Foto: Mercedes)

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Em outras categorias chanceladas pela FIA, destacam-se duas mudanças no calendário: ainda em 2020, a Fórmula E anunciou que a rodada dupla que abriria a temporada deste ano nos dias 16 e 17 de janeiro, em Santiago, capital do Chile, foi adiada. E o Mundial de Rali teve de cancelar o Rali da Suécia, que aconteceria em fevereiro.

Em entrevista veiculada pela revista britânica Autosport, o dirigente francês lembrou que não dá para falar em normalidade de maneira tão imediata. “Infelizmente, não acabou”, disse.

“Não é como se a temporada estivesse começando, e aí começamos com uma folha de papel em branco. O lockdown ainda vai acontecer, o confinamento… O vírus está aí”, salientou Todt.

“Tem havido algum progresso. Estamos esperando uma vacina, então vai ser bom para a população, bom para o planeta aproveitar isso. Mas tenho certeza de que, nos próximos dias, ouviremos muitas mudanças potenciais em diferentes calendários, não somente da Fórmula 1, mas em outros calendários”, explicou.

“Se tivesse de me comprometer de volta a um tipo de normalidade, mesmo que sinta que vai ser uma vida diferente na esteira da crise da Covid-19, acho que metade do ano, na minha opinião, não vai ser como poderíamos esperar ter em uma temporada normal”, acrescentou.

Mesmo com as dificuldades em desenvolver uma temporada diante de um cenário crítico, Todt lembra que a Fórmula 1 conseguiu se superar ao entregar um campeonato em 2020 além das expectativas de qualidade e com muitas soluções outrora inimagináveis e que se mostraram muito eficientes. O presidente da FIA destacou o aprendizado alcançado pela categoria no ano marcado pela pandemia.

“Acho que a temporada 2020 foi ótima e com muita criatividade. Quem poderia imaginar, há um ano, quando nos encontramos em Paris, que teríamos três GPs na Itália, corridas consecutivas no mesmo circuito na Áustria e em Silverstone, uma corrida original no Bahrein, na Turquia… De modo que isso é um crédito para a Fórmula 1”, ressaltou Todt, que ainda rendeu elogios ao agora ex-chefão da Fórmula 1.

“Quero também destacar o papel que foi desempenhado por Chase Carey e sua liderança na Fórmula 1, trabalhando com a FIA quando você vê o que foi alcançado para limitar a Covid-19 no automobilismo”, concluiu.

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