Pressionada, Renault tem boas opções para vaga de Ricciardo, mas só uma certeira: Alonso

A Renault não se encontrou na F1 desde que voltou e, cada vez mais, perde espaço no grid e crédito com os principais pilotos. Com o fiasco que viveu com Daniel Ricciardo, precisa pensar bem em quem vai ser o substituto do australiano em 2021 e apenas um nome parece capaz de segurar o rojão: Fernando Alonso

É difícil que alguém, em 2016, imaginasse que a Renault estaria na situação em que se encontra atualmente. Quando os franceses voltaram ao grid da F1, a opinião geral era de que, após algum tempo, retomariam posição de destaque na categoria, afinal, estamos falando de uma montadora tradicional, com investimento alto e que foi bicampeã no começo do século. Até agora, nada disso.
 
Diversos são os problemas de uma Renault que, por enquanto, não consegue sequer se aproximar do trio Mercedes-Ferrari-Red Bull. Pior ainda: os franceses não têm nem o controle do pelotão intermediário, já tendo sido batidos, nos últimos anos, pela então Force India, pela Haas e, recentemente, pela McLaren.
 
O drama da Renault não é segredo para ninguém, e a equipe admite abertamente que pode deixar novamente a F1 a qualquer momento, afinal, os custos são muitos, e o retorno, ao menos em resultados, vem sendo pífio. Só que a pressão aumentou muito nos últimos dias, quando Daniel Ricciardo anunciou que vai deixar a equipe ao final de 2020 e se mudar para a McLaren. 

Daniel Ricciardo vai formar dupla com Lando Norris em 2021 (Foto: McLaren)
O golpe foi duríssimo para os franceses. Cyril Abiteboul, chefe do time, fez questão de deixar isso claro ao se despedir do piloto sem demonstrar o menor afeto ou gratidão. Estamos falando de uma equipe que, desde que voltou ao grid, teve Kevin Magnussen, Jolyon Palmer, Nico Hülkenberg e Carlos Sainz Jr. até investir pesado para tirar o australiano da Red Bull, pagando um dos maiores salários do grid e, após apenas um dos dois anos do contrato, ver a confirmação da saída do seu piloto.
 
Não dá para cravar como vai ser a temporada 2020 da Renault, mas é difícil crer que seja incrível, por mais que Ricciardo e Esteban Ocon sejam muito bons. Na realidade, mesmo sem corridas, os franceses estão extremamente pressionados após a saída de Daniel e precisam de um grande substituto. As possibilidades na F1 não são ruins, mas não parecem ter o peso necessário para o momento da marca na categoria.
 
O primeiro é de Pierre Gasly. Muito talentoso, o francês de 24 anos ainda é jovem e tem muitas temporadas de F1 pela frente. Sempre muito bem com as cores da então Toro Rosso, parece sem muito futuro na Red Bull por ter ido bem abaixo do esperado em sua passagem pela equipe austríaca em 2019, e a Renault seria uma oportunidade de guiar por uma equipe de fábrica. No entanto, vale lembrar que Gasly e Ocon não se dão nem um pouco bem desde os tempos de kart.

Pierre Gasly na Renault? Não seria má ideia (Foto: Getty Images/Red Bull Content Pool)
A segunda opção dentro da F1 seria relacionada ao que vai decidir a Mercedes para o futuro. Caso o time de Brackley opte por ficar com Valtteri Bottas, a Renault pode tentar uma dupla com dois jovens do programa dos prateados, com George Russell alinhado com Ocon. Se Russell for promovido, o próprio Bottas seria uma opção interessante como alguém de muita experiência e que deve se destacar novamente no pelotão intermediário anotando seus pontos.
 
Por fim, alternativas bem menos seguras e promissoras, mas que também são viáveis: Daniil Kvyat ou Romain Grosjean. O russo não deve seguir na AlphaTauri e realmente vive péssima fase, mas já teve seus momentos, especialmente na Red Bull, quando derrotou justamente Ricciardo. Grosjean, por sua vez, é velho conhecido da casa — estreou na F1 pelo time de Enstone, em 2009, no lugar de Nelsinho Piquet — e, por mais que pareça num beco sem saída da carreira, foi bom piloto e frequentou até pódios pela Lotus anos atrás. 
 
Deixando o grid atual, temos Hülkenberg. Sim, sabemos que o alemão estava na própria Renault até outro dia, mas foi o piloto de melhor performance no time desde a volta à F1 e que não saiu pela porta dos fundos. É óbvio que seria uma clara demonstração de que a Renault fracassou em seus planos, mas Hülk, no cenário atual, talvez fosse até a segunda melhor solução.

Nico Hülkenberg saiu com créditos da Renault (Foto: Renault)
Representantes da academia de jovens da Renault na F2, Christian Lundgaard e Guanyu Zhou também são bons pilotos e poderiam representar uma cartada no futuro, mas passam bem longe do tamanho de Ricciardo. Com tudo o que já citamos, apenas um homem parece capaz de segurar o rojão de tanta pressão e evitar o colapso final da Renault: Fernando Alonso.
 
Um dos maiores e mais polêmicos pilotos que a F1 já teve, Alonso deixou a categoria após uma segunda passagem frustrante em uma McLaren capenga e saiu dizendo que só voltaria em um carro campeão. Bom, não vai ser o caso da Renault, mas muitos meses se passaram e o espanhol parece mais maleável.
 
Aos 38 anos, é claro que Fernando não está mais no auge, mas segue muito competente no que se propõe a fazer, como demonstrou no WEC, no Dakar e mesmo na Indy 500. Tecnicamente falando, parece improvável que Alonso não seja o melhor nome possível.

Fernando Alonso novamente na Renault? Talvez… (Foto: Indy)
E o temperamento do asturiano, por mais que tenha atrapalhado em diversas ocasiões, pode ser o que esteja faltando para a Renault do questionadíssimo Abiteboul. É hora de alguém que conheça o ambiente, que tenha bagagem e saiba como cobrar, mas que também seja cobrado. Fernando não seria um escudo que evitaria que os franceses fossem criticados, mas uma figura ainda maior que o time em si, um centro das atenções importante para um momento de crise.
 
Basicamente, a Renault se meteu em um buraco tão fundo que o criticado comportamento de Alonso já não seria um problema e talvez até ajudasse e desviar o foco. Tecnicamente, então, nem se fala, seria um reforço de ouro. Resta saber se o espanhol será convencido que o desgaste valerá a pena. Para a Renault, sem dúvidas, seria maravilhoso ter o bicampeão de volta e reviver um dos melhores casamentos dos últimos tempos na F1.


 

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