Prévia: F1 pode ter na Áustria uma das corridas mais competitivas de 2015

A Mercedes, claro, é favorita e tem tudo para fazer mais uma dobradinha na F1 2015. Mas a Ferrari espera tirar mais do seu V6 turbo atualizado, e a Williams, com um pacotão de novidades no circuito em que fez a pole há um ano, podem surpreender e, por que não, incomodar os prateados?

Diante da atual conjuntura da F1, de domínio absoluto da Mercedes, redigir tal manchete é até arriscado. O leitor pode guardá-la e cobrar, se quiser, no domingo após a prova. Mas há alguns motivos para se imaginar que Ferrari e Williams podem chegar mais perto e até ameaçar a provável dobradinha prateada em Spielberg.
 
Foi lá, afinal, que a Williams deu o bote e fez 1-2 na classificação com Felipe Massa e Valtteri Bottas. A mesma Williams leva, em 2015, um pacotão de atualizações do qual espera extrair uma melhora significativa no desempenho.
 
O Red Bull Ring é um circuito curto, com poucas curvas e predomínio de retas. São apenas 4306 metros e menos de 70s de tempo de volta.
 
Este foi um dos motivos, aliás, pelos quais a Williams se aproximou tanto da Mercedes em 2014. Os FW37 costumam ser os mais rápidos de reta do grid, mas perdem em downforce. Teoricamente, na Áustria, eles terão menos lugares para perder tempo em relação à Mercedes.
A Williams marcou uma inesperada e agradável pole em 2014, quebrando um pouco a monotonia da temporada (Foto: Getty Images)
E a Ferrari também tem um carro bom de reta, impulsionado pelo agora potente V6 turbo italiano. Não que a Mercedes seja fraca neste quesito é claro. Mas, aí, entra outro detalhe do curto traçado austríaco: qualquer erro na classificação pode custar duas, três ou até mais posições, já que as diferenças entre os carros são menores.
 
Os pneus deste fim de semana, mais uma vez, serão os supermacios e os macios. E, neste sentido, a Ferrari costuma administrar melhor a borracha em relação a Mercedes – mesmo que a previsão do tempo não indique temperaturas elevadas.
 
Ainda, a Ferrari espera conseguir extrair mais do seu motor, atualizado com o uso das primeiras fichas de desenvolvimento no Canadá, na Áustria.
 
“É muito importante para a gente colocar pressão em cima da Mercedes neste momento”, disse Ricardo Adami, engenheiro de Sebastian Vettel.
 
Curiosamente, a Williams vem atrás disposta a colocar mais pressão na Ferrari. “Olhando para como eles tiveram aquelas atualizações no motor e a diferença, ainda é similar, o que mostra que ainda podemos lutar”, avaliou Massa. “Nós devemos ter atualizações no carro na próxima corrida e espero que possamos nos aproximar ainda mais deles.”
 
A Mercedes continua com o discurso ‘politicamente correto’ e não conta vitória antes da hora. "Saímos do Canadá com outro resultado top, então seria fácil sentar e pensar que temos tudo sob controle. Mas na realidade, isso nunca é o caso. Não apenas aquela corrida exigiu um equilíbrio cuidadoso da equipe e dos pilotos, mas nós também vimos que há mais por vir dos nossos rivais. Ainda que talvez não tenha ficado claro no resultado", disse Toto Wolff.
Rosberg tenta evitar que Hamilton inicie mais uma sequência de vitórias (Foto: AP)

As disputas internas

Divisão de forças do grid à parte, a disputa também promete ser interessante internamente nessas três escuderias. Isso porque três pilotos querem dar a volta por cima em seus companheiros de equipe. Nico Rosberg, pensando no título, afinal está 17 pontos atrás de Lewis Hamilton e venceu apenas duas vezes no ano, contra quatro do inglês. Em classificação, o rendimento é ainda pior: 6 a 1 em poles para o bicampeão.

Kimi Räikkönen, na Ferrari, já começa uma corrida pelo próprio emprego após o erro cometido em Montreal. Ele tem contrato apenas até o fim de 2015.

Por fim, na Williams, Massa tenta o primeiro ano do pódio do ano depois de Bottas ter chegado em terceiro lugar no GP do Canadá.

Maldonado vai pontuar pela segunda corrida seguida? (Foto: AP)
Lotus como quarta força
 
Chamou a atenção a declaração de Nick Chester, diretor-técnico da Lotus, dizendo que acredita em seu time fechando o Mundial de Construtores à frente da Red Bull. E o time auri-negro já andou muito bem no GP do Canadá, pela primeira vez pontuando com ambos os carros.
 
Na Áustria, isso tende a se repetir: a boa velocidade de reta dos E23 deve colocar Romain Grosjean e Pastor Maldonado à frente dos pilotos da Red Bull e da Toro Rosso. Isso, na casa dos rubro-taurinos.
 
Sauber e Force India, a princípio um pouco atrás, podem se enfiar no meio delas e até sonhar com algum pontinho. Já a McLaren Honda não tem muitos motivos para ficar otimista. A falta de potência do motor Honda limitará as chances de Fernando Alonso e Jenson Button no fim de semana.
RAPIDINHAS…

 1) Lewis Hamilton está perto de se tornar o piloto em atividade com mais poles na F1. Ele conquistou no Canadá a 44ª da carreira, ficando a uma de Sebastian Vettel. Apenas Michael Schumacher (68) e Ayrton Senna (65) têm mais poles que os dois na F1.

2) Hamilton também pode igualar um recorde em Spielberg: se fechar uma volta na primeira posição, terá liderado 17 corridas consecutivas, o que apenas Jackie Stewart conseguiu até hoje.

3) Ainda sobre Hamilton: na última corrida, ele chegou a 2143 voltas na liderança, superando as 2088 de Nigel Mansell.

4) Esta será a 28ª edição do GP da Áustria de F1. 26 delas aconteceram no mesmo circuito, hoje batizado de Red Bull Ring, mas que era conhecido como Österreichring nos anos 1970 e 1980, e como A1 Ring entre 1997 e 2003. O outro local que recebeu a categoria foi uma pequena base aérea em Zeltweg, em 1964.

5) O maior vencedor do GP da Áustria é Alain Prost, com três triunfos: ganhou em 1983, 1985 e 1986.

6) Essa é uma corrida, diga-se, bastante democrática em termos de vencedores: apenas outros quatro subiram mais de uma vez ao alto do pódio. Foram eles Ronnie Peterson, Alan Jones, Mika Häkkinen e Michael Schumacher. Outros 15 pilotos festejaram no país, sendo que Nico Rosberg venceu em 2014.

7) Curiosamente, também é uma pista democrática em termos de vitórias entre equipes: a McLaren ganhou seis, a Ferrari, cinco, a Lotus, quatro, a Williams, três, e a Renault, duas. Triunfaram uma vez a BRM, a Brabham, a March, Penske, Shadow, Ligier e Mercedes.

8) Não, você não leu errado no tópico anterior: foi na Áustria que a Penske conquistou sua única vitória no Mundial de F1. Foi em 1976, com John Watson.

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