F1

Prost descarta culpa em acidente com Senna no Japão em 1989: “Se tivesse aberto a porta, não teria feito a chicane”

Alain Prost e Ayrton Senna se tocaram na chicane de Suzuka no GP do Japão de 1989. Era o início de uma polêmica interminável: por conta do acidente, Prost foi campeão. Mas o francês garante que ninguém teve culpa pelo episódio

Warm Up / Redação GP, de Porto Alegre


Alain Prost recordou uma das grandes polêmicas da história da F1. 28 anos após a decisão do título de 1989, o francês deu seu veredito sobre o famoso acidente com Ayrton Senna no GP do Japão, em Suzuka. Na ocasião, os dois pilotos da McLaren se tocaram em uma chicane, incidente que acabou por zerar as chances de título de Senna. Mesmo sendo visto como culpado por muitos, Prost garante: ninguém teve culpa de nada no toque.
 
Em entrevista à revista britânica ‘F1 Racing’, Prost recordou o desenrolar do fim de semana do GP do Japão de 1989. O francês diz que não tinha problemas em ser ultrapassado pelo brasileiro – o problema é que Senna chegou muito rápido, o que resultou em um acidente de corrida.
 
“Não houve culpa. Eu conheço um monte de gente...talvez eles não entendam”, disse Prost. Depende muito se são fãs de Ayrton ou meus. Eu estava com tudo sob controle nessa corrida. Realmente, tudo sob controle. Antes da prova, eu disse a Ron [Dennis, chefe de equipe da McLaren na época] e a Ayrton que se eu me encontrar na situação que tenho de estar, eu vou abrir a porta, porque eu já tinha feito isso tantas vezes em 1988 e 1989”, recordou.
Prost bate em Senna na entrada da chicane Casio em Suzuka. Título ficou com o francês (Foto: LAT Photographic/Forix)

“Eu trabalhei muito no acerto de corrida naquele fim de semana, mas Ayrton estava muito, muito rápido em classificação, o que não era um problema. Eu fui muito, muito mais veloz no warm-up e realmente tinha a corrida sob controle. E quando eu entrei na chicane, ele surgiu muito rápido”, seguiu.
 
“Nesse ponto, se eu tivesse aberto a porta [para Senna passar], eu não teria feito a chicane por minha conta. E isso não era uma possibilidade para mim porque eu queria ser campeão mundial. Então, não há culpa. Ele tentou e eu não coloquei o carro o suficiente na frente dele. Na verdade, fiquei surpreso com a velocidade com ele apareceu, então obviamente houve o toque entre nós”, lamentou.
 
Depois do toque, Senna cortou a chicane para regressar à pista e dar sequência ao GP. Mesmo precisando trocar a asa dianteira, o brasileiro se recuperou e venceu a corrida. O problema é que a necessidade de tomar um atalho após o acidente não caiu no gosto dos comissários, que desclassificaram Senna da prova pouco depois. O campeonato estava decidido,e Prost era tricampeão.

Mas o francês não gosta de dizer que só foi campeão por conta do toque em Suzuka. Prost lembra que, mesmo que Senna tivesse vencido em Suzuka, ainda seria necessário triunfar no GP da Austrália para levar a taça.
 
“Não foi um grande impacto, mas acho que é importante dizer isso: as pessoas dizem que Senna não foi campeão por causa daquele momento, mas se você olhar os resultados, ele também tinha de vencer o GP da Austrália para ser campeão. Assim, mesmo essa vitória, não teria feito diferença para o campeonato”, ponderou.

Prost abriu mão de correr em 1994 para não ser companheiro de Senna
 
Na mesma entrevista, Prost fez revelações importantes sobre a temporada de 1993. Na ocasião, o francês voltou de um ano sabático para pilotar pela dominante Williams. Não por acaso, a combinação rendeu o quarto título mundial ao francês.
 
O que poucos sabem é que, ao invés de se aposentar no fim de 1993, Prost poderia ter competido em 1994. E com Ayrton Senna ao seu lado – desejo da Renault, fornecedora de motores.
Alain Prost aceitou voltar ao grid em 1993. Mas sob condições (Foto: Forix)

O problema é que Alain não queria ser companheiro de Ayrton. De jeito nenhum.
 
“A verdade é que assinei um contrato com Frank Williams e era um acordo de três anos. E eu disse a ele: ‘Não quero ser o número 1, isso não me importa, eu nunca fui o número em equipe alguma’. A única coisa é que não quero brigar contra Aytron, porque ele é ‘O cara’. Eu nunca mais vou aceitar ter Ayrton na mesma equipe que eu. Frank disse: ‘Ok, sem problema, nós entendemos isso’. Então, eu assinei o contrato dizendo que não queria ser o número 1, mas que Senna não poderia estar junto comigo”, recordou Prost.
 
“Porém, durante a temporada, a Renault começou a pressionar demais porque queria ter Ayrton. Frank veio falar comigo. Eu lembro muito bem que ele veio em seu avião particular até o sul da França, onde eu estava, e me disse: ‘Alain, desculpa, mas há muita pressão para que eu tenha Ayrton na equipe’”, falou.
 
"Respondi: ‘Não, você não terá o meu consentimento sobre isso, porque isso é um dos pontos chave’. Então, durante agosto, eu peguei o telefone e liguei para Frank: ‘Ok, se você quer ter Ayrton, fique com ele, mas eu vou me aposentar. Se eu me aposentar, eu quero ter o meu contrato pago para o próximo ano [1994]. Se Ayrton quer vir, e isso será fácil para ele, eu quero o dinheiro como se eu fosse campeão mundial E foi assim. Eu o deixei vir. Já tinha o bastante daquilo tudo”, finalizou.

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