Punição estranha a Pérez em Barcelona reacende debate sobre bandeira azul na F1

Sergio Pérez não merecia punição de 5s por atrapalhar Lewis Hamilton, nem Daniil Kvyat. O momento é de reflexão sobre regras de bandeiras azuis na Fórmula 1, mas mantendo uma coisa em mente: acabar com a sinalização por completo seria um erro

A bandeira azul é uma das sinalizações mais inglórias para um piloto, dependendo da situação. É o aviso da direção de prova que, seja por falta de equipamento ou simplesmente por um dia ruim, você está levando uma volta do líder e precisa abrir caminho. O retardatário, tentando não perder tempo, provavelmente vai esperar o máximo possível até de fato deixar o ponteiro passar. Sergio Pérez e Daniil Kvyat esperaram demais no GP da Espanha do último fim de semana e receberam uma punição de 5s cada. De uma hora para outra, voltamos à velha discussão: é necessário mesmo ter uma sinalização dessas na Fórmula 1?

Antes de responder precisamente tal pergunta, é necessário entender os pontos positivos e negativos da bandeira azul. Por um lado, um retardatário perde a chance de ser maldoso e custar muito tempo de propósito. Por outro, cria situações em que punições são aplicadas de forma rígida demais, conforme visto em Barcelona.

Pérez e Kvyat foram, ambos, punidos porque passaram quase uma volta segurando carros mais rápidos. Coincidentemente, ambos receberam a primeira sinalização na curva 5, no começo do segundo setor, e só abriram caminho no começo da volta seguinte. Analisando assim, parece uma punição justa. Só que ninguém estava reclamando: Lewis Hamilton, que vinha atrás, não usou o rádio em momento algum para indicar postura antidesportiva de um rival. Desse ponto de vista, bola fora da F1. A situação do mexicano foi ainda mais chata, já que custou a queda de quarto para quinto, ficando atrás do companheiro Lance Stroll.

Sergio Pérez não saiu do caminho de Lewis Hamilton tão rápido quanto devia (Foto: Reprodução/TV)

A reação do público foi, como sempre na era digital, foi imediata e negativa. Debates sobre a necessidade de de fato ter a bandeira azul surgiram, cobrando ao menos uma revisão do sistema.

Só que talvez seja um exagero. É necessário entender que a Fórmula 1 do passado já sofreu pela falta do uso apropriado de bandeiras azuis. O caso mais icônico é o do GP da Europa de 1997, quando Jacques Villeneuve e Michael Schumacher lutavam diretamente pelo título em Jerez. Norberto Fontana, retardatário de zero destaque, foi instruído pela Sauber a bloquear Villeneuve de propósito quando levasse volta. O motivo era óbvio: a equipe suíça recebia motor Ferrari e queria ajudar Schumacher a ser campeão.

A ação não surtiu efeito, já que Schumacher abandonou e Villeneuve somou os pontos que precisava para ser campeão, mas já deixou claro o que pode acontecer em um mundo sem bandeiras azuis. Alianças cada vez mais fortes entre equipes – Mercedes e Racing Point; Red Bull e AlphaTauri; Ferrari e Alfa Romeo – serviriam de pretexto para um piloto retardatário interferir na briga pela vitória. Parece divertido em primeira análise, mas seria bem chato ver um campeonato decidido dessa forma.

Em última análise, os acontecimentos de Barcelona servem como sinal de alerta. Talvez não seja o caso de ser tão rígido com bandeiras azuis, ainda mais quando o líder não é diretamente prejudicado por um retardatário. Pérez demorar um pouco mais para deixar Hamilton passar não deveria custar 3 pontos no Mundial de Pilotos. Só que o fim absoluto da bandeira azul levaria a F1 a um território desconhecido. E, mesmo parecendo empolgante, seria apenas o começo de uma série de dores de cabeça para uma categoria que já tem bastante sarna para coçar.

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