Quando ser ‘cabeça-dura’ cobra um preço: autoconfiança de Pérez acabou com pódio da Force India no Canadá

Sergio Pérez acreditou que, por um passe de mágica, ultrapassaria Daniel Ricciardo e conseguiria mais um pódio pela Force India. Afinal, o piloto já tirou grandes resultados do bolso em outras oportunidades. Foi essa autoconfiança, combinada com a gana de manter Esteban Ocon como segundo piloto, que privou a equipe de beber champanhe

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De 2015 para cá, tudo deu certo para Sergio Pérez. De expurgo da McLaren e segundo piloto da Force India, o mexicano evoluiu a ponto de colocar Nico Hülkenberg no bolso e comandar o recente processo de evolução da escuderia indiana. A irregularidade e o arrojo em excesso viraram coisas do passado: até três semanas atrás, Pérez estava em uma incrível sequência de 15 corridas na zona de pontuação. E, por incrível que pareça, isso tudo tem seu lado negativo: Sergio ficou confiante demais – e é por isso que a Force India não foi ao pódio no GP do Canadá.
 
Os acasos da corrida de Montreal colocaram Pérez na quarta colocação. A partir da volta 32, tudo que o #11 precisava fazer para ir ao pódio era ultrapassar a Red Bull – ruim em retas – de Daniel Ricciardo – que tinha pneus menos aderentes. Os dois estavam colados, separados por não mais do que 1s. Uma análise mais simplória aponta que o mexicano levava toda a vantagem no confronto.
Sergio Pérez acabou prejudicando a Force India no Canadá (Foto: Force India)

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Mas não havia jeito de encaixar uma ultrapassagem. Na verdade, Pérez nem tinha condições de tentar: a Force India não ficava próximo o suficiente da Red Bull a ponto de arriscar um mergulho. As voltas passavam e só uma coisa mudava: Esteban Ocon, que retardou seu pit-stop para ter pneus mais novos na segunda metade da corrida, se aproximava rapidamente. A briga dupla evoluiria para tripla.
 
A partir da volta 41, um trenzinho estava formado. Não tardou para o rádio de Pérez trazer más notícias: a Force India acreditava que Ocon, com pneus mais novos, tinha mais chances de passar Ricciardo e ir ao pódio. E achava certo: Sergio já tinha perdido um bom tempo preso e não apresentava reação. A autoconfiança o levou a acreditar que, por um passe de mágica, a ultrapassagem sobre Daniel certamente iria acontecer.
 
O problema é que Pérez fica mexido a partir do momento em deixa de ser o único piloto capaz. Como assim o responsável por quatro dos cinco pódios da história da Force India, com quatro anos de casa, teria que abrir caminho para um pentelho recém-chegado, que faz sua primeira temporada completa na F1? Sergio esteve em vantagem sobre Esteban quase o tempo inteiro nas primeiras seis corridas do ano e estava muito perto de ver isso mudar.
 
Pérez fala no rádio “deixa a gente correr, cara”. Aí fica claro que Sergio acredita que, em uma briga normal, tem vantagem sobre Ocon – e, no Canadá, quase certamente não tinha. Naquela hora o que se viu foi um piloto mais preocupado com seu status de primeiro piloto do que necessariamente com os resultados da equipe.
Sergio Pérez permitiu que a Force India virasse alvo da Ferrari (Foto: Force India)

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De fato, Ocon não conseguiu passar sem que a equipe ordenasse algo. No fim, a Force India deixou rolar. Mas isso não é motivo de orgulho para Pérez: não só Ricciardo escapou, como também Sebastian Vettel chegou e passou os dois pilotos rosados com facilidade. O que podia ser um P3 e um P6 para a Force India acabou sendo um P5 e um P6.
 
Pérez foi ‘cabeça-dura’, e essa é uma característica que não costuma pegar bem. Pilotos desobedientes não tardam em virar problemas nas grandes equipes. Provavelmente não será o caso na Force India, que segue nadando de braçada rumo ao quarto lugar no Mundial de Construtores e consegue suportar a perda de pontos no Canadá.
 
Mas essa postura seria um problema sério em uma equipe de ponta. Imagine a Ferrari querendo facilitar a vida de Vettel, mas não podendo porque o outro piloto não quer ajudar. A Ferrari não foi escolhida como exemplo por acaso – Pérez é apontado como forte candidato à vaga de Kimi Räikkönen em 2018. Se o episódio do Canadá voltar a se repetir, essa chance pode muito bem subir no telhado.
 
O GP do Canadá provavelmente foi a exceção, não a regra. Pérez ainda é muito mais benéfico do que danoso para a Force India. Mas é importante abrir os olhos: pelo seu próprio bem, Sergio precisa colocar um limite em sua autoconfiança e deixar de se ver como o piloto dos resultados mágicos.
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