Racing Point está longe de alcançar potencial de 2020, mas é cedo para culpar pilotos

A Racing Point era uma candidata natural ao pódio no Red Bull Ring. Por uma série de motivos, não conseguiu mais do que um sexto lugar. Sergio Pérez e Lance Stroll ficaram devendo, mas ainda não merecem críticas tão pesadas assim

A Racing Point tem em 2020 um carro que é, em essência, o da Mercedes de 2019. Por mais que ainda tenhamos dúvidas sobre quão perfeita é a cópia, é inegável que os dois bólidos são quase idênticos. Os resultados, por sua vez, divergem bastante: a equipe rosácea não ficou entre os cinco primeiros em nenhum dos dois GPs na Áustria, o que resulta em um não tão impactante quarto lugar no Mundial de Construtores. Se o carro é bom, resta analisar a outra variável: é justo culpar Sergio Pérez e Lance Stroll pelo começo não tão brilhante?

Antes de apontar possíveis culpados, lembremos o que aconteceu até aqui. No GP da Áustria, Pérez foi sexto colocado e Stroll abandonou com problemas mecânicos. No da Estíria, mais um sexto lugar para o mexicano e um sétimo para o canadense. São bons pontos, mas em duas corridas cujos potenciais não foram aproveitados. Sempre por motivos diferentes, nunca por culpa completa dos pilotos.

A dupla da Racing Point pontuou no Red Bull Ring. Ficou faltando pódio (Foto: Racing Point)

No caso de Pérez, o pódio era possível na Áustria. Mas duas coisas fizeram o plano ir pelo ralo: a estratégia, que fez Sergio completar a corrida com pneus muito desgastados e pouca chance de defesa, além da punição de 5s por excesso de velocidade nos boxes. Essa última foi, claro, culpa do piloto. Entretanto, significou apenas uma queda de quinto para sexto ao fim da prova. É plausível que a pouca aderência nas voltas finais tenha causado consequência bem piores.

No GP da Estíria, o mexicano começou com azar tremendo. Depois até de liderar treino livre, Pérez foi uma das vítimas da bandeira vermelha causada por Antonio Giovinazzi no fim do Q1. O #11 vinha com volta para avançar ao Q2, como Stroll fez sem dificuldades, mas acabou preso em 17° no grid. Na corrida, a bela recuperação só teve como contratempo o dano à asa dianteira enquanto brigava por quarto lugar com Alexander Albon, causando a queda para sexto. De novo: erro do piloto, mas que não foi o maior problema do fim de semana. Se Sergio tivesse avançado até o Q3, teria chances muito melhores de ser pelo menos quarto no domingo.

Quando falamos de Stroll, as expectativas costumam ser mais baixas. Ainda assim, o canadense também não fez o trabalho dos sonhos. O problema nem foi tanto a primeira corrida, quando o #18 tinha boas condições de pontuar bem até a quebra mecânico, mas sim a segunda. 

Sergio Pérez ainda precisa dar um passo adiante em 2020 (Foto: Racing Point)

Largando quatro posições à frente de Pérez, era de se esperar que Stroll fosse o carro em melhor forma na corrida. Não foi: o canadense foi superado ainda cedo pelo companheiro e começou a ficar para trás. Maior exemplo disso foi a enormididade de tempo perdido atrás de Daniel Ricciardo, notoriamente mais lento. Quando fez a ultrapassagem, foi estabanado e acabou vulnerável contra Lando Norris, que fez bom uso da oportunidade. No fim, o sétimo lugar ainda não era excelente.

Em condições ideais, é possível imaginar que a Racing Point tinha carro para fazer pódio no Red Bull Ring. Afinal, a McLaren conseguiu. Até a Ferrari capenga conseguiu. E era uma chance muito boa, antes de uma ida a um Hungaroring que talvez não seja tão favorável ao RP20.

Isso, entretanto, não deve ser visto ainda como motivo para apedrejar Pérez e Stroll. O primeiro ainda é bom líder para uma equipe em ascensão, apesar da ameaça crescente de Sebastian Vettel, provável substituto para 2021. O segundo é um piloto ainda jovem e que, mesmo sendo menos brilhante, pode ser bastante decente no futuro.

Mais algumas semanas e teremos noção melhor da real forma de Pérez e Stroll em 2020. Até lá, hora de guardar as pedras e os tomates.

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