F1

Razia não revela investidor, mas critica falta de patrocínio brasileiro e diz que Globo tentou ajudá-lo

Em entrevista exclusiva ao jornalista Victor Martins, editor-executivo do Grande Prêmio, Luiz Razia mostrou insatisfação por não ter treinado em Barcelona na semana passada: “Fazer o quê? Tenho limitações no que posso fazer”, disse, sem estipular prazo para que seu problema seja resolvido

Warm Up / Redação GP, de São Paulo

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Faltando menos de três semanas para o início da temporada 2013 da F1, Luiz Razia é, dentre os 21 pilotos oficialmente confirmados no grid do 64º Mundial da categoria, o que menos tem quilometragem nos treinos de inverno na Espanha. Muito disso se deve à sua ausência dos testes coletivos realizados na semana passada em Montmeló, próximo a Barcelona. Em entrevista ao jornalista Fábio Seixas, do diário ‘Folha de S. Paulo’, o baiano de Barreiras revelou que não foi à pista com seu Marussia MR02 porque um dos seus patrocinadores não honrou o pagamento à escuderia anglo-russa.

A Marussia alegou que precisava dar quilometragem a Max Chilton. Herdeiro da seguradora AON, o britânico, confirmado pelo time de Bunbury como titular ainda no ano passado, foi o único piloto desde o começo da pré-temporada a andar os quatro dias de uma bateria de treinos coletivos. Contudo, Razia desmentiu a versão de sua nova equipe ao dizer que o problema não foi dar quilometragem a Chilton, mas sim o dinheiro que não caiu na conta do time, que contratou o brasileiro para ocupar a vaga deixada por Timo Glock.

Luiz Razia ficou de fora da segunda semana da pré-temporada (Foto: Getty Images)

Na esteira das declarações à ‘Folha’, Razia falou com exclusividade a Victor Martins, editor-executivo do Grande Prêmio e da Revista Warm Up. Na conversa, o piloto preferiu não revelar seus investidores, preferindo deixa-los relegados ao anonimato. Contudo, o baiano se queixou da falta de patrocinadores brasileiros e revelou que até mesmo a Rede Globo, única dona dos direitos de transmissão da F1 para TV aberta no Brasil, tentou ajuda-lo.

“Infelizmente tivemos alguns contratempos que não estava programado. Mas está se resolvendo”, afirmou o jovem piloto, tratando de minimizar o problema em que está envolvido, ainda que lembre, às vésperas da última bateria de treinos da pré-temporada e do começo do Mundial, entre 15 e 17 de março, na Austrália, não há uma data-limite para que tudo esteja resolvido.

“Não existe um prazo, a equipe está nos ajudando a resolver a situação. Como o pessoal me disse, eles estão satisfeitos com os pilotos. Agora é resolver”, disse o atual vice-campeão da GP2, que, sem puder guiar o MR02 em Barcelona, se dedicou aos treinos físicos enquanto seu companheiro de equipe acumulava quilometragem com o bólido.

Evidente que ter ficado de fora das atividades de pista não deixou Luiz satisfeito. “Ruim que não testei essa semana passada. Fazer o quê? Tenho limitações no que posso fazer”, comentou Razia, resignado.

O piloto contou também que prefere manter-se distante das negociações que cercam seu ingresso na F1. “Tem outras pessoas trabalhando nessa parte, e sempre sou um dos últimos a saber” porque “não gosto de me envolver muito com essa parte que me deixa chateado”. À reportagem, Razia não sabe o que aconteceu para que o dinheiro não tenha caído na conta da Marussia. “Se eu soubesse, já tinha resolvido”, disse, fazendo menção a alguma pendência burocrática e afirmando que “as pessoas” as quais se refere são um casal de brasileiros.

Razia espera resolver a situação em breve (Foto: Getty Images)

Sobre a origem dos seus patrocinadores e/ou investidores, Razia preferiu o anonimato e disse que se trata de “um investidor e pequenos apoiadores”, mas não revelou seus nomes. “Eles têm projetos em lançar um produto para este ano, e depois vão acompanhar nas corridas”. Sobre o anonimato, Luiz foi breve. “É escolha deles, não posso fazer nada”, comentou o piloto.

Por fim, Razia minimizou o anonimato dos seus investidores para se queixar da falta de mais apoiadores. “A questão é nenhum patrocinador brasileiro. Isso é que eu queria que enfatizasse. Quando é para pisar na gente, tem um monte de gente, só esperando nós cairmos ou tropeçar para mandar o cacete”, esbravejou o jovem de 23 anos. E questionado se a Rede Globo estava o ajudando nesta sua ida para a F1, Razia novamente foi breve: “Em certa parte, tentou”.