Red Bull brilha e puxa Ferrari no Azerbaijão. Mercedes já prevê nova tragédia

Mais do que a liderança da Red Bull e o renascimento da Ferrari, chama a atenção em Baku o desempenho (ou a falta de) da Mercedes. Será que Mônaco foi mesmo um ponto fora da curva? A sexta-feira do Azerbaijão revela outra face do W12

Em uma pista de extremos como a do traçado urbano de Baku, o carro mais equilibrado e versátil tende a se dar melhor. Diante deste aspecto, não é nenhuma surpresa notar a liderança da Red Bull após os dois primeiros treinos livres do GP do Azerbaijão. O RB16B é um modelo tão particular, que consegue conversar bem tanto em trechos de alta velocidade, como o da grande reta de chegada azeri, quanto em curvas apertadas e que exigem do acerto aerodinâmico, assim como boa parte do circuito de Baku. No fundo, o carro taurino se torna fácil. E foi exatamente por isso que Sergio Pérez se viu um pouco mais confortável nesta sexta-feira (4), quando apareceu no topo da tabela de tempos.

Depois que Max Verstappen liderou a primeira sessão do dia, o mexicano puxou o 1-2 à tarde. Os dois colegas de equipe ficaram separados por apenas 0s1. É uma demonstração de força, especialmente no momento em que esquenta o debate sobre as asas flexíveis. Importante dizer aqui que a asa da Red Bull já flexiona bem menos e que a diferença de velocidade no fim da reta é pequena na comparação com a Mercedes. Mas a discussão segue quente, com troca de farpas entre as duas ponteiras, no dia em que a FIA (Federação Internacional de Automobilismo) também marcou os componentes com adesivos para começar a entender o imbróglio – as medições mesmo vão acontecer apenas na França.

De todo modo, os líderes do campeonato apresentaram um ritmo de classificação velocíssimo. Os energéticos não sofrem para aquecer os pneus e se mostraram fortes também no desempenho de corrida. Inclusive, Pérez foi mais sólido que Verstappen. Outro ponto é: a Red Bull parece tão confortável em Baku que é muito capaz de tentar fazer a segunda fase da definição do grid com os compostos médios, o que daria uma enorme vantagem para a corrida de domingo – apenas lembrando que a Pirelli mudou a escolha e entregou às equipes os compostos mais macios da gama para esse fim de semana. Além disso, o RB16B não encontra problemas com o aquecimento de pneus – um dos segredos do fim de semana.

Max Verstappen é o favorito à pole (Foto: Red Bull Content Pool)

Mas se essa performance da Red Bull já era esperada, o desempenho da Mercedes assustou. Os heptacampeões vêm de um GP de Mônaco complexo e de resultados decepcionantes. Só que os problemas do Principado ainda atormentam o grupo chefiado por Toto Wolff, que chegou a dizer, após os treinos, que “há algo fundamentalmente errado”. De fato, Lewis Hamilton e Valtteri Bottas ficaram aquém do esperado. A dupla não entrou sequer no top-10 no TL2. O inglês terminou o dia apenas em 11º, mais de 1s atrás de Pérez, afirmando que “há muito trabalho pela frente”. Bottas foi o 16º, 2s mais lento que o mexicano.

De fato, os alemães enfrentam dificuldades com o acerto geral do carro, que não gosta do trecho mais seletivo do circuito azeri – o segundo setor tem sido, especialmente, difícil para Hamilton. E tem mais uma questão: de novo, os pilotos enfrentam problemas para aquecer corretamente os pneus, mesmo sob temperaturas altas, como as registradas nesta sexta. Daí, a volta lançada, o ritmo de classificação, está comprometido neste momento.

“Hoje foi nossa pior sexta-feira e até com certa margem”, disse Andrew Shovlin, engenheiro de pista da Mercedes. “O nosso maior problema é a volta única. Estamos muito longe das posições que habitualmente ocupamos, temos de encontrar algo que seja mais do que particular. Os resultados em ritmo de corrida não são ruins, estamos um pouco atrás da Red Bull, mas temos muito a fazer. Temos uma longa noite de trabalho pela frente, planejamos um programa completo de análises com o uso do simulador para tentar entender o que aconteceu hoje”, reconheceu o britânico.

Lewis Hamilton enfrenta dificuldades de aderência em Baku (Foto: Mercedes)

Mas há um ponto positivo, portanto: o ritmo de corrida. Diferentemente de Mônaco, os carros pretos se mostraram consistentes. A diferença de desempenho para a Red Bull ficou em apenas 0s07 em média. Não é nada ruim e abre a expectativa de uma corrida extremamente equilibrada. Mas a Mercedes precisa partir mais à frente no grid. A boa notícia é que Baku oferece pontos de ultrapassagem e é, em essência, um lugar propício às confusões. E mais: embora tenha dificuldade em atingir a temperatura adequada dos pneus, o W12 sabe tratá-los bem a longo prazo.

“Existem alguns trechos onde eu deveria ser mais rápido, mas como não há aderência, as coisas ficam complicadas. Vamos trabalhar nisso durante a noite, só que, no momento, não sei bem em que posição estamos”, declarou Hamilton.

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Entre o brilho da Red Bull e o começo de crise da Mercedes, há a Ferrari. A equipe italiana levou para Baku o mesmo rendimento admirável de Mônaco, talvez não com tanta velocidade, mas certamente com consistência. Carlos Sainz terminou o dia muito próximo dos carros taurinos, sendo seguido por Charles Leclerc. O espanhol reconheceu que é “um pouco inesperado”, mas vê com otimismo a performance ferrarista. O ponto forte aqui, tal qual é da Red Bull, diz respeito ao rápido aquecimento dos pneus. O problema é fazer essa borracha durar mais – a vantagem da Mercedes.

De toda a forma, a SF21 cresceu enormemente neste início de temporada e já não pode ser descartada de uma eventual briga pelo pódio. Em Baku, está em vantagem na comparação com a McLaren e muito mais perto das ponteiras.

A Fórmula 1 volta a acelerar nas ruas de Baku neste sábado, com o treino livre 3, a partir de 6h (de Brasília), enquanto a classificação está marcada para 9h. O GRANDE PRÊMIO acompanha tudo AO VIVO e em TEMPO REAL.

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