Red Bull corre na França para provar ser a melhor. Mas Mercedes tem como dar drible

A Red Bull inverteu os papeis em Paul Ricard e pegou a Mercedes no contrapé. Com um melhor ritmo e uma configuração aerodinâmica mais agressiva, o RB16B se mostrou dócil e veloz, especialmente nas mãos de Max Verstappen, que cravou uma bela pole neste sábado (19). Mas é na corrida que os taurinos precisam dar o xeque-mate na rival

Verstappen voa em Paul Ricard e é pole: os melhores momentos da classificação do GP da França (GRANDE PRÊMIO com Reuters)

A classificação da Fórmula 1 em Paul Ricard é uma prova do quão complexo se desenha o campeonato 2021. O circuito francês figurava nos sonhos da Mercedes por uma volta à normalidade, a um ponto deixado em Barcelona, à esperança de vencer novo e se impor. Ainda é tudo isso, mas será preciso uma pitada de ousadia. Isso porque a Red Bull soube subverter a lógica e fez a rival esquecer do histórico de domínio que tem no sul da França. E isso se deve ao carro versátil dos taurinos e que, nas mãos de Max Verstappen, é impressionantemente rápido.

O que acontece é que a Red Bull foi além do convencional para surpreender a adversária. Em que pese as ótimas qualidades do RB16B, os energéticos também contam com uma atualização importante da Honda – os japoneses levaram para a França a nova versão da unidade de potência que a tornou ainda mais forte. Somado a isso, tem a escolha do acerto aerodinâmico: o carro usa menos asa, o que, tudo junto, proporcionou uma maior velocidade de reta, superando a rival. Mas pode-se dizer que a sacada mesmo está na combinação de um comportamento menos instável dos pneus e do equilíbrio do modelo.

A Red Bull foi capaz de imprimir um ritmo intenso nos trechos mais rápidos, mas também não perdeu nas partes mais seletivas. Ainda, os taurinos possuem a habilidade de preservar melhor os compostos ao longo das voltas velozes.

“A decisão de retirar alguma carga aerodinâmica foi muito importante. Dá para ver a diferença da asa traseira para a da Mercedes. Reduzimos o arrasto no segundo setor, mantendo a boa velocidade no terceiro, um equilíbrio crucial nesta pista. Obviamente, a confirmação de tudo vai vir amanhã, mas estamos confiantes no bom trabalho que temos feito até agora”, afirmou Christian Horner, o chefão da Red Bull.

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Verstappen e Hamilton dividem a 1ª fila: grid do GP da França de F1

Max Verstappen cravou a segunda pole da temporada 2021 na França (Foto: AFP)

Daí se explica esse desempenho tão expressivo. Verstappen soube tirar proveito, para cravar giros certeiros ao longo da definição do grid. Sem dúvida, o composto macio casou bem com o carro, assim como os médios, que serão usados para o início da corrida. É um golpe de mestre que dá a líder do campeonato neste momento, levando em conta as dificuldades apresentadas pela Mercedes.

Só que os alemães sabem como reagir, e Lewis Hamilton, sempre ele, foi quem puxou a equipe durante a classificação. O inglês reclamou dos pneus inflados – a Pirelli aumento a pressão neste fim de semana – e não entendeu a razão pela qual a esquadra não se encontrou bem com os macios. O heptacampeão ainda promoveu diversas mudanças no acerto do W12, mas, no fim, acabou indo na mesma linha de configuração do parceiro, Valtteri Bottas. A decisão o deixou mais confortável no carro. O reflexo foi a segunda posição no grid, 0s258 atrás do pole. A primeira fila era crucial, e a Mercedes conseguiu.

Do ponto de vista da estratégia, as duas equipes largam iguais. O fato é que o pneu vermelho não era exatamente o melhor, por causa do desgaste. Então, Red Bull e Mercedes saem de pneus amarelos médios. Aqui há uma questão a ser respondida: as simulações mostraram Bottas com o mais consistente, com pouca diferença para Verstappen. Hamilton vinha mais atrás. Com nova configuração, fica a dúvida sobre o britânico.

De toda a forma, também tem uma diferença de performance: enquanto o RB16B não sofre com o tanque cheio e tem facilidade para ganhar velocidade, as primeiras voltas do W12 tendem a ser mais complicadas, porque existe uma dificuldade de equilíbrio na Mercedes com o carro mais pesado. Portanto, o GP da França parece se encaminhar para um jogo tenso de xadrez. Também porque essa é uma corrida de um único pit-stop. E todos querem respostas.

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Lewis Hamilton larga na segunda posição do grid (Foto: Mercedes)

Para a Red Bull, parece fundamental entender se realmente ocupada a posição de líder da Fórmula 1. “Esse circuito tem sido uma fortaleza da Mercedes nos últimos anos. Então, se pudermos batê-los aqui, podemos realmente batê-los em qualquer lugar”, disse Horner. E ele está certo.

Por isso, é importante esperar pela corrida. Ainda que pareça em desvantagem, a Mercedes tem meios de reagir – não seria a primeira vez na temporada. Os GPs do Bahrein e da Espanha mostraram reviravoltas dramáticas dos atuais campeões. “Vimos muitas vezes neste ano que nosso ritmo de corrida é melhor do que da classificação”, falou Andrew Shovlin, engenheiro de pista da Mercedes. “E mostramos que também podemos vencer corridas na posição de perseguidores, então estamos otimistas para amanhã”, completou.

Diante desse cenário, o GP da França se torna uma prova dos nove para a Red Bull. Caso ganhe a corrida, os taurinos vão se colocar como favoritos e com razão. Só que a Mercedes tem, sim, como evitar isso, ainda que, neste momento, ocupe a inédita posição de caçadora.

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