Red Bull dribla tensão e se impõe em Abu Dhabi. Mas Mercedes e Ferrari estão à espreita

Ao menos na pista, a Red Bull foi capaz de driblar o clima tenso nas garagens e voltou a comandar a tabela. Max Verstappen precisou de apenas poucas voltas para se estabelecer na ponta e clarificar sua posição de favorito. De outro lado, porém, está essa regozijada Mercedes. A equipe alemã vem de vitória e trabalha para afastar a ideia de que Interlagos foi apenas um caso isolado

A última sexta-feira de treinos livres da temporada 2022 acompanhou o trabalho da Red Bull em retomar a posição de liderança na Fórmula 1. Depois de enfrentar um difícil fim de semana no Brasil, Max Verstappen precisou apenas de uma única sessão para se impor na tabela, restabelecendo a ordem natural das coisas. O esforço derradeiro em Abu Dhabi é uma busca de vitória categórica, para também desviar a atenção dos problemas extra pista que os taurinos enfrentam. Só que a missão não será tão simples, porque a Mercedes segue à espreita, após o triunfo em São Paulo, enquanto a Ferrari tenta recuperar a boa forma.     

O caso é que a Red Bull desembarcou nos Emirados Árabes ainda respirando o ar pesado que tomou conta da garagem em Interlagos. As declarações de Verstappen, a recusa em ceder a posição ao colega Sergio Pérez e os rumores de que o mexicano executou um acidente proposital em Mônaco ainda ecoam alto pelo paddock. Por isso, uma performance estrondosa na pista, na última apresentação do ano, se torna tão crucial.

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O bicampeão foi à pista apenas no segundo treino, depois de ter sido substituído por Liam Lawson no primeiro compromisso do dia. Não fez qualquer diferença, porque o holandês rapidamente encontrou o caminho das pedras. O melhor tempo de 1min25s146 veio logo na simulação de classificação – Verstappen chegou a usar dois jogos de pneus macios aí. A marca foi 0s341 mais rápida do que o registro jeito George Russell, o segundo colocado da folha de tempos.

A decisão de usar mais um set dos compostos vermelhos foi tomada para “aproveitar a temperatura de momento, provavelmente semelhante a que será na classificação”, revelou Max, mais tarde.

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Além do desempenho, o dono do carro #1 também exibiu um forte ritmo de corrida na preparação para domingo – algo em torno de 0s3 na comparação com os rivais. O cenário, portanto, se mostra muito diferente daquele de São Paulo, quando os taurinos erraram no acerto do carro inicialmente, o que acabou comprometendo todo o fim de semana, porque interferiu em dois pontos de força do RB18: a velocidade final e o controle do desgaste de pneus. De acordo com Helmut Marko, a falha começou no simulador e, devido ao formato da sprint, não foi possível encontrar os problemas e solucioná-los.

Agora, a Red Bull tratou de anular essas deficiências. “Para ser honesto, foi muito bom. O carro teve um grande ritmo, sem problemas reais, tentamos algumas coisas, mas tudo está funcionando muito bem, eu me sinto feliz com essa performance”, disse Verstappen. “E claro, sempre tentaremos refinar algumas coisas da noite para o dia, mas devemos ser competitivos na qualificação e na corrida.”

No entanto, é importante destacar também que o desempenho mais consistente é o de Verstappen. Pérez não reproduziu a mesma performance e ficou mais próximo de Mercedes e Ferrari do que do colega de time. Até por isso, as duas rivais não podem ser ignoradas, apesar do ritmo superior de Verstappen.

A equipe alemã continua navegando muito perto dos taurinos. Ainda que o domínio apresentado em São Paulo possa ser condicionado às características da pista e da altitude, o W13 parece agora obedecer a algum tipo de padrão, embora siga muito sensível a qualquer pequena mudança. Mesmo assim, Russell foi capaz de assegurar o segundo lugar da tabela – a volta de classificação do inglês poderia até ter sido melhor, não fosse o tráfego no momento. Já o desempenho em corrida precisa ser melhor ajustado, é verdade, especialmente devido ao desgaste de pneus.

“No TL2, obviamente, a temperatura da pista é mais baixa, a pista mudou completamente. Parecia rápida, mas acho que a Red Bull tem vantagem sobre nós. Em uma única volta, eles provavelmente são 0s2 [mais rápidos], talvez até mais em stints longos. Portanto, temos algum trabalho a fazer durante a noite, mas comparado à Ferrari, parece razoável”, afirmou o vencedor do GP de São Paulo.

Russell se colocou muito próximo de Verstappen em Abu Dhabi (Foto: AFP)

“Acho que vamos lutar por isso [bater a Red Bull]. Gosto de pensar que podemos lutar pelo top-3 na classificação, e quem sabe onde isso pode nos levar no domingo”, completou.

Ainda que tenha se queixado das alterações que promoveu no acerto do carro prata, Lewis Hamilton revelou também certo otimismo para o restante do fim de semana. “Estava tudo muito bom no primeiro treino, mas o equilíbrio estava um pouco desregulado no TL2. Fiz algumas mudanças entre os treinos e acabou ficando uma dificuldade, muita saída de traseira que foi a maior limitação”, falou o inglês, quarto colocado. “Mudamos algumas coisas na altura do carro, mas, em geral, fomos relativamente competitivos.”

“Parece que as coisas estão apertadas. A Red Bull começa um pouco mais rápida aqui, como era esperado, porque essa não é nossa melhor pista. Teremos de trabalhar ao longo da noite”, emendou.

De fato, Abu Dhabi não é o melhor traçado para o W13, mas também não é o pior. O caso é entender o quanto a Mercedes vai conseguir tirar proveito de temperaturas mais amenas, como aconteceu há uma semana, e se terá a mesa eficiência aerodinâmica que ajudou na dobradinha em Interlagos. Por ora, além da própria configuração, a equipe precisou ajustar a unidade de potência, porque não conta mais com as altas altitudes.

E esse é um ponto que pode ajudar a Ferrari. A escuderia teve de reduzir potência para sobreviver em São Paulo e na Cidade do México, mas agora volta a um lugar em que pode trabalhar melhor o ajuste aerodinâmico da F1-75 – inclusive, os italianos testaram um novo assoalho, pensando em 2023.

“Em geral, nossas sessões foram boas. Tivemos um pouco de dificuldades com o ritmo de corrida devido ao desgaste dos pneus, mas isso era esperado. Nosso ritmo de classificação foi um pouco melhor, mas nossos rivais parecem estar um passo à frente de nós”, reconheceu Charles Leclerc, que se colocou entre Red Bull e Mercedes na tabela do TL2, ao fechar o dia em terceiro, a 0s4 de Verstappen.

Portanto, a classificação será o primeiro indicativo sobre a real performance do top-3 no GP de Abu Dhabi, mas o fato é que a Red Bull ainda segue na liderança, talvez apenas com uma vantagem menor, especialmente devido ao crescimento da Mercedes, que costuma se apresentar de maneira muito mais contundente aos domingos. De toda a forma, há uma esperança de que a sensação de equilíbrio apresentada em São Paulo tenha, de fato, viajado com a F1 para Yas Marina.

GRANDE PRÊMIO acompanha AO VIVO E EM TEMPO REAL todas as atividades do fim de semana do GP de Abu Dhabi de Fórmula 1. No sábado, o TL3 está marcado para as 7h30 [de Brasília, GMT-3], enquanto a classificação começa às 11h.

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