Red Bull aparece, Ferrari brilha e Mercedes corre atrás em dia final de testes no Bahrein

O último dia de testes apresentou uma Red Bull veloz e satisfeita com seu RB18. A melhor volta de Max Verstappen arrancou sorrisos na garagem austríaca e indica que o sarrafo, mais uma vez, foi elevado. Enquanto isso, a Ferrari está por ali, com sua sólida F1-75. Já a Mercedes corre contra o tempo

Enfim, a Fórmula 1 começa a entender a ordem de forças neste início de 2022. Após seis dias de testes, separados em duas sessões, Espanha e Bahrein, foi possível tirar algumas conclusões interessantes, embora ainda existam diversas perguntas sem respostas neste momento. O fato é que o Mundial tem ao menos duas equipes muito preparadas para o novo campeonato que tem sua abertura na semana que vem, no mesmo circuito de Sakhir. Então, é preciso falar da Red Bull.

A equipe do campeão do mundo enfrentou problemas nos primeiros dias das atividades barenitas, porque ainda tinha arestas a aparar. A confiabilidade não é uma preocupação particular, ainda que os taurinos não estejam na liderança em termos de número de voltas. Também não era muito especial o desejo de pontear a tabela de tempos. Os engenheiros buscavam melhorar o comportamento do carro em curvas de baixa velocidade, por exemplo.

Além disso, o RB18 sofre com o excesso de peso, e isso é um problema. De qualquer jeito, o trabalho todo foi em tentar compreender as mudanças aerodinâmicas. Por isso, Max Verstappen e Sergio Pérez experimentaram ao longo dos dias iniciais diversas configurações. Só que os energéticos tinham ainda mais uma carta na manga.

Adrian Newey trouxe novidades para o dia final – na verdade, as peças chegaram apenas na noite anterior e foram montadas às pressas. Eram elementos novos na lateral do carro, um sidepod mais estreito e fino, além de um novo assolhado, que tem como meta reduzir o peso, melhorar o downforce e o equilíbrio geral do modelo – o carro saía cronicamente de frente. Aparentemente, as soluções deram certo, e o holandês pode focar em simulações de corrida e até mesmo ensaiar uma classificação. Foi neste momento que o piloto da Red Bull saltou para a ponta da folha de tempos.

Rodada de Verstappen em Sakhir (Vídeo: F1TV)

A marca de 1min31s720 é a melhor da sessão de testes no Bahrein. E ainda arrancou sorrisos na garagem austríaca, sinal de tudo parece ter enfim se encaixado. “Em comparação com Barcelona, algumas coisas são da pista, sabe, a superfície áspera, clima mais quente. O traçado do circuito faz com que seja totalmente diferente. Mas sim, claro, acho que aprendemos muito sobre o novo carro e o deixamos mais rápido, acho que é isso que você quer”, disse o piloto que carrega o #1 no carro.

A Ferrari surgiu muito próxima da Red Bull. Os italianos também têm peças novas e um trabalho focado em neutralizar o fenômeno do golfinho. A F1-75 sofre muito com o efeito e pareceu padecer ainda mais com o novo fundo levado pelos engenheiros nessa segunda fase de testes.

Ainda assim, os ferraristas podem se orgulhar da confiabilidade extrema de sua criação, mesmo que não tenham conseguido superar a quilometragem da Mercedes desta vez. No entanto, foram poucos problemas mecânicos ao longo da semana. E isso ganhou destaque entre os pilotos.

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“É definitivamente uma das preparações mais suaves que já tive. Sem grandes problemas e, especialmente em um projeto novo, você sempre espera encontrar barreiras no caminho e, por agora, sem contar o quique que é um problema em algumas condições, tem sido bem suave e conseguimos apenas melhorar. Por agora, não tenho ideia de onde estamos, mas foram seis dias suaves de testes”, disse Charles Leclerc, o melhor da dupla vermelha neste dia final. O monegasco terminou a sessão com a terceira posição. Carlos Sainz foi o 13º, mas em condições de testes de ritmo de corrida.

Agora, se Red Bull e Ferrari parecem ter encontrado um denominador comum entre performance e confiabilidade, a Mercedes ainda trabalha para explorar o potencial do seu radical W13. A atual campeã enfrenta problemas de configuração em um carro que sofre com o ‘porpoising’. Então, boa parte do programa técnico da equipe alemão se viu comprometido pela busca por solucionar esse problema.

Ainda assim, o carro prata tem seus pontos fortes. Como de costume, a confiabilidade é alta – foram 2.083 km em três dias. Não houve quebras, mas, sim, experimentos de toda a sorte. O modelo também se mostrou eficiente em curvas de baixa velocidade, muito embora sofra ainda com saídas de frente e, especialmente, de traseira.

Mercedes tem novo conceito para o W13 no Bahrein (Foto: AFP)

“Tivemos um dia agitado hoje, mas esse é sempre o caso no último dia de testes. O programa foi semelhante ao de ontem, mas com Lewis (Hamilton) fazendo o trabalho de corrida pela manhã e George (Russell) guiando com menos combustível e pneus mais macios à tarde. Ambas as sessões foram bastante instrutivas, progredimos um pouco com o quique, o que, por sua vez, tornou o carro menos difícil no limite e também parece que demos um passo na direção certa com a configuração”, revelou Andrew Shovlin, engenheiro de pista da Mercedes.

“Do ponto de vista da confiabilidade, o chassi e a unidade de potência funcionaram sem problemas, o que é encorajador. Só que parece que precisamos encontrar um pouco de ritmo se quisermos lutar pela vitória na primeira corrida. Neste momento, estamos aprendendo e desenvolvendo um bom ritmo, então vamos nos concentrar nesses aspectos e ver onde estaremos em sete dias”, completou.

De fato, a Mercedes corre contra o tempo neste momento. O campeonato começa em uma semana e o W13 ainda parece um projeto imaturo. Mas não ao ponto de provocar uma queda acentuado dos alemães no grid. O que é promissor.

Assim, a pré-temporada termina com a expectativa de um trio-de-ferro em 2022, com alguns nomes fortes como candidatos a uma quarta força. E de tão curioso que se faz esse começo de ano, perceber uma Haas na segunda colocação da tabela, ainda que seja totalmente irreal, só aumenta um enredo que parece muito bem amarrado. Sem conta no fato de que os seis dias de testes tiveram seis nomes diferentes na liderança – entre equipes e pilotos.

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