Red Bull reafirma força em Abu Dhabi. Ferrari reage e Mercedes tenta lucrar no domingo

De volta a um circuito mais padrão, a Red Bull retomou seu domínio habitual na F1 2022. A novidade foi a imposição da primeira fila – algo realmente inédita na temporada. Enquanto isso, a Ferrari surpreendeu ao bater a Mercedes, que optou por um acerto pensando na corrida de domingo

A sexta-feira já havia sinalizado e o sábado (19) apenas confirmou aquilo que se viu em grande parte da temporada que agora se encerra em Abu Dhabi: um domínio da Red Bull. Com a Fórmula 1 de volta a um traçado nada especial e muito previsível, a equipe taurina não encontrou maiores problemas para se fixar no topo da tabela, sempre com o campeão Max Verstappen puxando a fila. A novidade desta vez foi a presença de Sergio Pérez na linha de honra do grid – por incrível que pareça, algo inédito neste ano. A verdade é que a esquadra austríaca tenta apagar a sensação ruim de sete dias atrás e fechar o campeonato com uma boa história para contar. Mas há ainda outros pequenos arcos que precisam de um complemento nesse capítulo final da F1 2022.

De toda a maneira, Verstappen enfrentou apenas um pequeno contratempo na sessão que determinou as posições de largada em Yas Marina. Foi nos primeiros instantes ainda da fase intermediária da classificação que o holandês se queixou de problemas de aderência, além de um pequeno susto no começo do período derradeiro, quando o carro apagou. Mas nada disso fez muita diferença na performance como um todo, uma vez que Max fez duas boas voltas no Q3 para assegurar a sétima pole da temporada e a 20ª da carreira na Fórmula 1. Sem contar que é a terceira vez consecutiva que sai na frente de todo mundo na etapa dos Emirados Árabes.

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Certamente, o desempenho coloca o bicampeão como favorito à vitória em Abu Dhabi – um lugar que costuma dominar e onde o RB18 se encaixou muito bem, tendo de volta a força da velocidade final como arma poderosa. E um detalhe aqui precisa ser considerado: na segunda volta lançada, Max ainda cedeu o vácuo ao colega Pérez, na tentativa de ajudar o mexicano a ratificar o segundo posto, à frente de Charles Leclerc. Bom lembrar que Checo e o ferrarista estão empatados na vice-liderança do Mundial.

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BRIEFING ANALISA A CLASSIFICAÇÃO DO GP DA ABU DHABI

“Tivemos altos e baixos. Começou muito bem, mas no Q2 foi um pouco confuso, não sei bem explicar por quê. Com aquele jogo de pneus, não foi possível controlar a aderência, mas ainda bem que no Q3 foi um pouco mais tranquilo”, disse o bicampeão.

“Estou muito satisfeito, quero vencer a corrida, mas, claro, espero que Checo [Pérez] termine em segundo. É um ótimo começo e espero que seja uma boa batalha amanhã para que, assim, possamos atingir nossos objetivos”, completou Max.

De fato, Verstappen pode atuar decisivamente, mas não se espera que vá eventualmente abrir passagem para uma vitória – os acontecimentos do Brasil ainda seguem vivos. Porém, Pérez precisa apenas terminar à frente de Leclerc. Ambos ficaram separados no grid por apenas 0s040.

“Acho que não conseguimos dar aquele passo final no Q3, e a nossa primeira volta também não foi boa, então ficamos um pouco atrás, mas é bom. É bom fechar a primeira fila amanhã, Max também fez um grande trabalho para mim, estávamos muito fortes nesta última volta. Ansioso para amanhã, que é o dia que importa”, declarou Sergio, que possui um acerto ligeiramente diferente do companheiro de Red Bull.

Enquanto Max optou uma configuração de menos downforce, pensando nas retas, Pérez vai com uma carga aerodinâmica maior, tendo o objetivo de lidar melhor com o ritmo de corrida e o desgaste de pneus.

Max Verstappen e Sergio Pérez fecham a primeira fila em Abu Dhabi (Foto: Red Bull Content Pool)

A Ferrari, por sua vez, buscou um meio termo quanto a configuração da F1-75. Agora livre das grandes altitudes, a equipe italiana aposta na força da unidade de potência, mas também na eficiência aerodinâmica. O carro vermelho não perde tanto para os taurinos em linha reta e também exibe equilíbrio nas curvas de baixa velocidade. A grande preocupação ferrarista, no entanto, está na degradação dos pneus – que é uma falha que vem acompanhando o time na segunda parte de temporada.

Ainda assim, a escuderia reagiu após uma sexta-feira confusa e colocou seus dois pilotos na segunda fila, com Leclerc à frente de Carlos Sainz. De certa forma, foi uma surpresa, mas mais pelo pouco feito pela Mercedes. A verdade, no entanto, é que a Ferrari voltou a acessar um desempenho que ficou parado lá antes das etapas de São Paulo e da Cidade do México.

“Para ser sincero, terceiro é o lugar que merecemos hoje. A Red Bull estava mais forte do que nós. Mas ainda assim, estamos em uma boa posição para amanhã — vai ser uma disputa apertada contra Checo, com certeza”, falou Charles.

“Tenho certeza de que podemos trabalhar juntos com Carlos (Sainz), não tenho dúvidas disso. Vamos tentar maximizar o resultado em equipe. A Red Bull é um tanto mais forte aos domingos, então vai ser complicado. Mas vamos dar tudo e, tomara, garantir o segundo lugar no Mundial de Pilotos e Construtores”, seguiu.

Charles Leclerc larga em terceiro (Foto: Ferrari)

Só que a Ferrari não está sozinha nessa busca à Red Bull. A Mercedes também tenta capitalizar no domingo, porque sabia que, dificilmente, teria chance de repetir a performance de sexta-feira. Acontece que a equipe alemã decidiu por uma configuração de maior carga aerodinâmica, e isso tirou performance em reta. O W13 perde bem para o carro taurino e também para o vermelho. Porém, possui eficiência em curva.

Talvez essa decisão explique de fato a queda de rendimento na classificação, ainda que Toto Wolff tenha sido muito mais descritivo ao falar do quinto e do sexto lugares de Lewis Hamilton e George Russell. “Descobri que hoje é o Dia Mundial do Vaso Sanitário. Então essa (sessão) é uma para jogar lá, no vaso”, disse o austríaco — e quem se pergunta: a data, instituída pela ONU (Organização das Nações Unidas), de fato é celebrada no dia 19 de novembro — e pretende alertar para a crise sanitária mundial.

“Nós não conseguimos executar nosso trabalho. Demos um passo para trás e eles (Ferrari), para frente. Tentamos uma configuração de alto downforce para esse conceito de pista, para termos uma boa corrida amanhã. Mas fomos tão lentos nas retas que isso não resultou em nada”, reconheceu o chefe da Mercedes.

Questionado se considerou alterar as configurações de um carro para o outro, Wolff disse que sim — mas fez uma ressalva na sequência. “Nós acreditamos que era muito melhor ter um alto downforce para proteger os pneus. Vamos ver”, acrescentou.

Lewis Hamilton é o quinto no grid (Foto: Mercedes)

Uma vez mais, será interessante acompanhar a batalha de configurações, ainda mais com tanto em jogo, porque se Pérez e Leclerc duelam pelo posto de vice em 2022, a Ferrari tenta garantir o segundo lugar entre os Construtores e afastar a ameaça da Mercedes.

Neste sentido, a estratégia será uma grande aliada também, especialmente diante de um traçado de difícil ultrapassagem como o de Abu Dhabi. De acordo com a Pirelli, a tática padrão se resume a dois pit-stops. Mas tudo está, como sempre, condicionado ao desgaste dos pneus. “O aumento da degradação dos pneus em comparação com a corrida do ano passado criou pontos de interrogação em torno das simulações. Dois pit-tops, com uma perda média de 22s para cada troca de pneu, são projetados para serem de 4 a 5s mais rápidos do que uma única parada”, alertou a fornecedora italiana.

“E quem quiser tentar uma estratégia de um pit tem de começar a corrida com composto médio e depois substituí-lo pelo duro, mas terá de trabalhar para poupar o pneu devido ao desgaste.”

GRANDE PRÊMIO acompanha AO VIVO E EM TEMPO REAL todas as atividades do fim de semana do GP de Abu Dhabi de Fórmula 1. No domingo, a largada está marcada para as 10h [de Brasília, GMT-3].

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