Reginaldo Leme aposta em F1 com boa audiência na Globo mesmo sem brasileiro: “Só muda se tiver um lutando por título”

Comentarista da Globo vê categoria com 'público fixo' mesmo se nenhum brasileiros surgir na F1 nos próximos anos. Em futuro pouco distante, aliás, ele crê na volta de pilotos nacionais ao grid, e já aposta em nomes jovens

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Muito se discute – e continuará se discutindo até o início da temporada 2018 – se o público brasileiro acompanhará a categoria a partir do próximo ano, sem um compatriota no grid. Claro, o automobilismo é um esporte 'de nicho' no Brasil, e seus fanáticos acompanharam de tudo, da F1 até categorias de base – até mesmo para encontrar futuros pilotos de alto nível, que possam cobrir este 'buraco' formado na F1 no momento. 

O problema, então, não fica para os fãs – e sim para quem fornece material para estes, como é o caso do GRANDE PRÊMIO e, por exemplo da 'TV Globo', responsável pelas transmissões das corridas de F1 para o país. A audiência será influenciada por esta ausência de brasileiros, a primeira vez em 48 anos? Ou o público fiel segura números suficientemente atrativos para a emissora?

Para Reginaldo Leme, principal comentarista da Globo, a segunda opção é a verdadeira, a correta. Segundo sua visão, só há como mudar positivamente – se algum brasileiro voltar ao grid e brigar no topo.

"É bem lamentável, depois de 48 anos, a gente não ter um brasileiro. Acho que até o mundo se surpreende com isso, porque aprendeu a reconhecer o talento do piloto brasileiro. Mas, para nós, por exemplo, para nós de tv por exemplo, para mim que trabalho nisso, não há uma grande diferença da situação que estava", analisa.

"Porque a audiência só interfere se um brasileiro estiver lutando, correndo numa Ferrari, correndo numa Red Bull, correndo numa equipe vencedora. Tem que lutar por vitórias ou títulos… E títulos", resume Leme.

Reginaldo Leme ao lado de Galvão Bueno e Luciano burti em transmissão (Foto: Reprodução)

Ele dá como exemplo a situação recente de Felipe Massa, e afirma que não é esperada mudança na questão do público, já que o próprio Massa já não tinha carro para vencer. "Do jeito que estava nos últimos anos, com o Massa fazendo o melhor dele, se desse tudo certo, o melhor dele, sem quebrar ninguém na frente, seria o sétimo, isso não faz diferença numa audiência."

Ele ainda aposta em crescimento do número de telespectadores se a briga for igual ou melhor do que foi em 2017: ou seja, com alguém com chances reais de tirar o título de Lewis Hamilton, desde que não seja da mesma equipe.

"Eu acredito que a razão disso seja a gente ver nos últimos anos quatro anos de domínio da Mercedes, só que neste ano o competidor do Hamilton era um piloto de fora, e principalmente era um piloto da Ferrari, então isso sim atrai audiência", completou.

Reginaldo Leme (Foto: Tom Papp/Mitsubishi)

Pensando no futuro, então, Leme acaba sendo mais um que se vê obrigado a pensar em qual nome do automobilismo brasileiro tem condições de suprir este 'buraco' formado no grid da F1. E vê um nome muito próximo, mas aposta mesmo em outros ainda mais novos – e, consequentemente, distantes do dia em que alcançarão a categoria principal do esporte a motor.

"Quem está mais batendo na porta nesse momento é o (Sergio) Sette Câmara, que está ali na F2. E vai ter um ano extremamente, um desafio extremamente bom nesse sentido. É apertado para ele, porque vai correr com o Lando Norris, um cara tido como o novo Lewis Hamilton da Inglaterra" opina.

"Mas isso eu acho bom, porque primeiro, ele não tem obrigação alguma de andar na frente do Norris, claro, o Norris é inclusive piloto reserva da McLaren e deve correr na McLaren na F1 ano que vem (2019), praticamente certo. Então ele não tem essa obrigação. Ou seja, se ele fizer o que sabe e andar perto, é um baita sucesso. Aí num segundo ano, quem sabe, ele seja o primeiro piloto da Carlin, na própria F2, que ele tem que fazer mais um ano, e aí é o cara que tá mais perto de entrar", completou.

Caio Collet (Foto: Divulgação)

Mas é em um pessoal que ainda está longe até mesmo da F2, saindo do kart agora, que ele vê sinais mais fortes. Leme cita Felipe Drugovich, 17 anos, que está na F4 italiana, e Pietro Fittipaldi, 21, que acabou de conquistgar o título da World Series. Mas vê força, mesmo, em Gianluca Petecof e Caio Collet, ambos com 15 anos.

"São os dois mais adiantados, que estão saindo do kart para dar os primeiros passos na F4. Esses dois têm um talento, pode escrever, esses dois têm um talento espetacular. Eu costumo dizer que o automobilismo é muito ingrato. Você pega um baita talento desse, se ele dá um passo errado num dos anos da carreira, uma equipe errada, qualquer coisa que erre na carreira, tumultua, é um obstáculo grande que ele tem para vencer, e pode acontecer, na carreira de vários hoje em dia eu já vi acontecer, vários grandes talentos", afirmou.

E, em sua aposta final, coloca ambos na F1. Daqui um certo tempo: "Mas se der tudo certinho, e a gente espera que dê, eles estarão lá entre quatro e cinco anos."

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